Voltar
Convidado para ser orador numa conversa sobre liderança, estratégia e negociação no mundo do futebol, no âmbito de uma conferência integrada no MBA Executivo em Futebol, da Católica Porto SBE e Liga Portugal Business School, Jorge Mendes, o superagente do mundo da bola, lembrou que «o talento é muito importante, mas por si só não chega» para se fazer carreira na modalidade, tendo dado alguns exemplos para sustentar a ideia.
«A maior parte dos jogadores que transferi ao longo de todos estes anos, se calhar mais de 80 por cento, não eram os mais importantes nos seus clubes. O João Félix é um exemplo disso. Ele estava no FC Porto. Entretanto, o Benfica contratou o irmão. O pai, evidentemente, estava preocupado porque o João estava no FC Porto e o irmão tinha ido para o Benfica e então levaram o João Félix quase por favor», contou o fundador da Gestifute.
Depois há o caso de Bernardo Silva, hoje no Real Madrid, sobre quem «chegaram várias vezes a dizer: “Jorge, esquece, o Bernardo Silva nunca será um jogador importante. No máximo, jogando na 1.ª ou na 2.ª Divisão, no máximo num Paços de Ferreira”», recordou o agente.
«É tudo muito subjetivo, ainda mais quando os jogadores estão na formação, porque há clubes que dão prioridade àqueles jogadores que fisicamente são mais fortes. Toda a gente dizia que não, mas ele (Bernardo) foi para o Mónaco, que nem queria ficar com ele após o primeiro ano, tive de convencer o presidente. Ele era um jogador de posse, não para andar a correr, e por isso foi para o Manchester City, que era a equipa para ele. E percebeu-se que estávamos na presença de um dos melhores de sempre do futebol português», acrescentou.
No fundo, «o talento é evidente que é muito importante, mas por si só não chega». «Se compararmos um jogador com muito talento e outro com menos, mas que seja um grande profissional e que trabalhe com muito empenho e determinação, esse jogador vai sempre chegar mais longe do que o jogador que só tem talento», defendeu Jorge Mendes, para concluir.
«Há muitos talentos perdidos. Podemos encontrar jogadores com muito talento na III ou na II Divisão. O problema é que, muitas das vezes, eles não têm alguém que lhes possa dar uma oportunidade.»