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Aos 45 anos, exatamente dez depois da primeira experiência enquanto treinador no principal escalão do futebol português, Pepa regressa neste sábado a Moreira de Cónegos, casa do primeiro clube da Liga a apostar nele.
Pepa já levava alguns anos como treinador no patamar sénior: subiu a Sanjoanense de divisão e foi afastado do comando do Feirense quando estava, a sete semanas do fim da época, a dois pontos dos lugares de subida à Liga.
O então jovem treinador de 35 anos mostrava ser diferente daquele Pepa que terminara a carreira de futebolista prematuramente e que tivera de lidar com as consequências dos erros cometidos enquanto jogador e que o impediram de expressar o potencial que fez sonhar o terceiro anel do Estádio da Luz a 23 de janeiro de 1999, quando, na estreia pelo Benfica, entrou aos 90 minutos para o lugar de Nuno Gomes e marcou ao primeiro toque na bola num jogo com o Rio Ave.
No Moreirense, que, já sem Pepa, viria a ganhar a Taça da Liga no final dessa temporada, despontava Francisco Geraldes, que, depois de anos na equipa B do Sporting, foi cedido pelos leões ao emblema minhoto. Em janeiro, a pedido de Jorge Jesus, regressaria à casa-mãe depois de meia-época de grande nível, parte dela, até novembro, com o jovem técnico.
«Sempre nos ligámos bastante. Acho que a nossa relação era muito boa. (...) Ele gostava muito de dar o seu próprio exemplo, o exemplo de um jovem que tinha sido um pouco desligado em relação ao treino, que tinha cometido bastantes erros, no fundo, e que ele não queria que isso acontecesse connosco. E mostrou-nos uma reportagem televisiva sobre ele de há muitos anos. Nessa reportagem, mostrou-nos aquilo que ele realmente tinha sido e deixou claro que não queria que os jogadores que passassem por ele tivessem o mesmo percurso de desobediência», recorda Francisco Geraldes em declarações enviadas ao Maisfutebol.
Hoje a jogar no Chungbuk Cheongju, da II Liga da Coreia do Sul, Geraldes confessa que esse momento marcou-o bastante e fez com que o técnico se conectasse de uma forma mais profunda com os jogadores. E, no caso em particular dele, fê-lo refletir sobre os passos certos a seguir até conseguir ter uma carreira consolidada. «Pensar que alguém não conseguiu ter a trajetória que se esperava, quando efetivamente era um jogador com enormes qualidades e atributos, e que depois acabou por vingar numa profissão, ainda que dentro do mesmo contexto, que se calhar nunca tinha pensado vir a exercer, mexeu bastante comigo.»
«Teve um impacto muito grande naquilo que poderia ser a minha forma de estar na vida, de treinar, de me aplicar sempre ao máximo. E, por isso, agradeço também essa proximidade e essa capacidade de nos mostrar um lado mais cru da sua própria experiência. Acho que foi, novamente, extremamente impactante e teve um efeito muito positivo no meu início, diria, de um futebol mais profissional», acrescenta Francisco Geraldes, que ainda hoje se recorda com exatidão dessa partilha de Pepa ao ponto de admitir usar a história do treinador quando ele próprio decidir iniciar esse percurso.
«Se calhar vou dizer aos meus jogadores: "Olhem, eu tive um treinador que..." E vou mostrar-lhes essa reportagem, com certeza, porque acho que uma coisa importante que os treinadores têm é esta ligação com os jogadores e a capacidade de passarem o testemunho de experiências e de coisas que valem a pena ser seguidas pelos mais jovens», remata o jogador de 31 anos.