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A contratação de um treinador que ainda tem contrato com outro clube não é uma operação habitual no futebol europeu. É, no entanto, o cenário que se prepara para Paulo Fonseca, que deverá deixar o Lyon a meio da época para assumir o comando técnico do Sporting. Não se trata de uma saída por iniciativa do técnico nem de um despedimento, mas de uma abordagem de outro clube para garantir os serviços de um treinador que continua vinculado à sua atual equipa.
Embora pouco frequente, há precedentes no futebol europeu, especialmente em Inglaterra, onde o poder financeiro dos clubes permite avançar para contratações deste género com maior facilidade, recorda o jornal L' Équipe.
Um dos casos mais recentes envolve Liam Rosenior. O treinador inglês deixou o Estrasburgo a 6 de janeiro para assumir o comando técnico do Chelsea, numa operação facilitada pela estrutura de propriedade comum dos dois clubes. A ligação entre as duas equipas já permitia, aliás, a circulação frequente de jogadores.
A experiência em Stamford Bridge acabou por ser curta. Rosenior permaneceu apenas quatro meses no cargo, antes de ser despedido. Cerca de dois meses e meio depois, assumiu o comando do Paris FC, regressando à Ligue 1.
O Chelsea já tinha recorrido a uma estratégia semelhante em setembro de 2022. Pouco depois de assumir a propriedade do clube londrino, Todd Boehly pagou cerca de 25 milhões de euros ao Brighton para contratar Graham Potter, após o despedimento de Thomas Tuchel. Também nesse caso o investimento não produziu os resultados esperados. Potter deixou o Chelsea em abril de 2023, poucos meses depois de ter chegado a Londres.
Outro exemplo relevante aconteceu em novembro de 2024, quando o Manchester United pagou 12 milhões de euros ao Sporting para garantir a contratação de Rúben Amorim, na sequência da saída de Erik ten Hag. Os resultados da passagem do treinador português por Old Trafford também ficaram aquém das expectativas, reforçando as dúvidas em torno deste tipo de operações.
Nem todas as contratações de treinadores a meio de uma temporada terminam da mesma forma. Unai Emery é um dos exemplos que demonstram como uma operação deste género pode resultar, recorda o jornal francês.
Em outubro de 2022, o Aston Villa pagou cerca de seis milhões de euros ao Villarreal para contratar o treinador espanhol, que tinha acabado de conduzir a equipa espanhola às meias-finais da Liga dos Campeões.
Em Inglaterra, Emery conseguiu estabilizar o Aston Villa entre as principais equipas da Premier League. O percurso incluiu ainda a presença nos quartos de final da Liga dos Campeões, em 2025, e a conquista da Liga Europa na temporada seguinte.
Outro nome associado a este tipo de transferência é Arsène Wenger. Em setembro de 1996, o Arsenal pagou ao Nagoya Grampus, do Japão, para garantir a contratação do treinador francês. A aposta revelou-se histórica: Wenger conquistou três campeonatos ingleses, entre outros títulos, e marcou uma era no clube londrino.
Nos anos 2000, o Tottenham também recorreu repetidamente a este modelo de contratação.
Em outubro de 2007, numa altura em que a equipa londrina lutava contra a despromoção, os Spurs conseguiram contratar Juande Ramos ao Sevilha. O treinador espanhol chegava depois de conquistar duas Taças UEFA consecutivas e terminou a temporada inglesa no 11.º lugar, garantindo a permanência sem grandes sobressaltos.
A história repetiu-se pouco depois, mas com outro protagonista. Após um início de temporada 2008/09 abaixo das expectativas, o Tottenham voltou a procurar um treinador com contrato noutro clube e contratou Harry Redknapp ao Portsmouth.
Desta vez, a aposta revelou-se particularmente bem-sucedida. Redknapp conduziu os londrinos aos quartos de final da Liga dos Campeões em 2011.
Os exemplos mostram que a contratação de treinadores com contratos em vigor está longe de ser uma prática generalizada. Alemanha, Espanha e Itália não apresentam casos recentes de grande dimensão comparáveis aos registados em Inglaterra, onde a capacidade financeira dos clubes tem facilitado este tipo de operações.
É neste contexto que surge a mudança de Paulo Fonseca para o Sporting. O treinador português tem contrato com o Lyon até ao final da temporada, mas a SAD leonina avançou nas negociações para o colocar à frente da equipa de Alvalade.
Se a operação se concretizar, Fonseca será mais um nome a integrar uma lista de treinadores que mudaram de clube a meio da época sem estarem livres no mercado.