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Jorge Mendes: "O FC Porto tentou comprar o Quaresma por dois ou três milhões, eu disse que não"

Jorge Mendes revela que Gestifute já gerou três mil milhões de euros para o futebol português. Numa conferência na Universidade Católica, no Porto, recordou negócios que envolveram Costinha, Quaresma e Pedro Neto

Jorge Mendes estima que a Gestifute já tenha canalizado quase três mil milhões de euros para o futebol português. O empresário destacou a importância da credibilidade e das relações construídas ao longo dos anos para concretizar negócios num mercado internacional cada vez mais competitivo.

"A Gestifute, até à data, já trouxe para Portugal quase 3.000 milhões de euros. Se calhar o segundo agente mais importante no mundo poderá ter levado para o seu país, no máximo, 500 milhões de euros", afirmou o agente na sexta-feira, durante a conferência "Leading the Game", realizada na Universidade Católica, no Porto.

Credibilidade e contactos abriram portas à Gestifute

O empresário considerou que a dimensão alcançada pela empresa, fundada há 30 anos, demonstra a capacidade de Portugal para movimentar valores elevados no futebol internacional, apesar da dimensão reduzida do país.

"Vivemos num país pequeno, temos 10 milhões de habitantes, conhecemos a nossa realidade, mas, nesta indústria, o mais importante são as relações e a credibilidade", sublinhou.

Jorge Mendes recordou que, no início da carreira, tinha apenas alguns contactos nos departamentos de prospeção dos clubes. Ao longo dos anos, foi construindo uma rede internacional através de inúmeras viagens, negociações e trabalho.

"Hoje em dia, a nível mundial, tenho as portas abertas em todo o lado. Conheço toda a gente, mas, para chegar a esse ponto, foi preciso muito trabalho, muito sacrifício e muitas viagens. Mas o lema é que 'nada é impossível'", afirmou.

Costinha chegou ao Mónaco depois de uma tentativa falhada em Espanha

Para ilustrar as dificuldades dos primeiros anos, o empresário recordou o processo que levou Costinha, então a jogar na terceira divisão portuguesa, ao Mónaco, depois de uma tentativa frustrada de colocação no Valência.

O clube espanhol pretendia emprestar o médio ao Villarreal, uma solução que Jorge Mendes não aceitou. Através de contactos nos departamentos de prospeção, conseguiu abrir uma oportunidade no emblema francês.

"Pedi por favor uma oportunidade, que o deixassem ficar uma semana, mas disseram que não, que o Mónaco não ia contratar um jogador de 23 anos da terceira divisão portuguesa. Passada uma semana, disseram para o trazer", contou.

Segundo o agente, três dias de treinos foram suficientes para convencer Jean Tigana a contratar Costinha por quatro temporadas. O médio viria posteriormente a representar o FC Porto e a conquistar as competições europeias em 2003 e 2004.

Ricardo Quaresma e Pedro Neto como exemplos de negócios

Jorge Mendes destacou também a importância de proteger os investimentos dos clubes, recordando o regresso de Ricardo Quaresma do Barcelona ao FC Porto.

"O FC Porto tentou comprá-lo por dois ou três milhões. Eu disse que não. Se o queriam comprar, tinham de pagar exatamente aquilo que o Barcelona tinha pago", explicou. O extremo acabaria por ser transferido para o Inter de Milão por cerca de 30 milhões de euros.

Outro exemplo apresentado foi o de Pedro Neto, atualmente ao serviço do Chelsea. Mendes recordou a transferência do extremo do Braga para a Lázio, quando o jogador ainda tinha poucos minutos na equipa principal.

"Custava 20 milhões de euros, era muito dinheiro para um jogador que ninguém conhecia. Mas disse ao diretor desportivo [da Lázio] para acreditar em mim e para o comprar, porque percebi que tinha talento. Depois, venderam-no [ao Wolverhampton] por mais três milhões", partilhou.

Futebol representa 956 milhões de euros para a economia nacional

Também presente na conferência, o presidente da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, destacou o impacto económico da modalidade em Portugal. Segundo os dados apresentados, o futebol contribui com 956 milhões de euros para a economia nacional, gera cerca de 300 milhões em impostos e assegura mais de 6.300 postos de trabalho diretos.

A iniciativa serviu ainda para apresentar o MBA Executivo em Futebol, desenvolvido pela Católica Porto School of Business and Economics e pela Liga Portugal Business School. A primeira edição do programa arranca em novembro.

João Pinto, diretor da Católica Porto SBE, salientou que será o primeiro MBA executivo em futebol a iniciar atividade com acreditação internacional da Associação de MBAs (AMBA). O curso pretende formar líderes capazes de articular desempenho desportivo, sustentabilidade financeira e visão estratégica.

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