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Declarações de Sérgio Ferreira, treinador do Alverca, após a derrota por 1-0 com o Benfica, no Estádio da Luz, na 10.ª jornada da I Liga
"Foi o jogo que esperávamos, o Benfica apresentou-se com mais volume de jogo e mais posse de bola, entrando bem na partida. Ainda assim, mérito nosso pela forma como conseguimos impedir que a bola chegasse à grande área, onde surgiu também uma grande defesa do Mateus. A equipa manteve-se num bloco muito compacto, coeso e solidário, conseguindo fechar os espaços e defender os corredores que o Benfica procurava explorar. As relações entre os jogadores, tanto do lado direito como do esquerdo, com o Prestianni e o Schjelderup, e ainda com os laterais a aparecerem de trás para a frente, por fora e por dentro, obrigavam-nos a estar muito atentos. Através das coberturas e da manutenção das distâncias entre os jogadores, fomos conseguindo fechar os espaços e anular essas combinações. Nunca deixámos de ser uma equipa e procurámos sempre chegar à frente e pressionar mais alto, embora não seja fácil fazê-lo perante uma equipa que consegue quebrar linhas e jogar tanto em largura como em profundidade. Ainda assim, mantivemo-nos sempre muito compactos."
"Na segunda parte, houve uma alteração na equipa do Benfica que nos trouxe alguma surpresa. De um momento para o outro, conseguiram mudar a dinâmica do jogo através de uma abordagem mais individual, introduzindo uma grande variabilidade. Foi isso que aconteceu, mas a nossa equipa conseguiu manter-se compacta e coesa."
"Houve um pequeno detalhe em que falhámos: uma transferência no corredor central da linha defensiva, que acabou por nos levar a uma situação em que o jogador foi ao chão. Não é isso que pretendemos. Acabámos por cometer uma grande penalidade. Não interessa agora discutir se foi ou não foi; foi assinalada e convertida."
"A equipa encheu-nos de orgulho pela forma como procurou reagir e chegar ao golo do empate, tentando jogar por dentro e aproveitar os jogadores que apareciam tanto em zonas interiores como na largura."
"Pegando agora na questão da entrada do Nabil Touaizi, olhámos para o jogo como ele deve ser olhado: na sua globalidade, mas também em função do nosso plano coletivo. Procurámos perceber aquilo que, individualmente, o Nabil poderia acrescentar à equipa, nomeadamente na forma como defende o corredor, mas também na sua capacidade de construir de diferentes maneiras, podendo posicionar-se numa zona mais alta, intermédia ou mais baixa. Isso também exigiu diferentes posicionamentos ao Chico e uma articulação da equipa em função dessas movimentações, criando espaço para que o Figueiras pudesse ganhar alguma vantagem do lado da bola."
"Quero também deixar uma palavra para todos os outros jogadores que entraram e procuraram cumprir o seu objetivo, fazendo aquilo que o jogo exigia naquele momento, sempre em função das circunstâncias.
Estamos orgulhosos da nossa resposta e da capacidade que demonstrámos para sermos uma equipa muito forte e muito bem trabalhada. Naturalmente, estamos tristes por não termos conseguido dar o passo seguinte, que era o nosso objetivo desde o dia 6 de julho, quando iniciámos a época: sermos competitivos, tanto em casa como fora."
"A partir do momento em que estávamos a jogar muito próximos da nossa baliza e o Benfica apresentava uma reação forte à perda da bola, procurando pressionar-nos imediatamente, tínhamos de encontrar soluções para ultrapassar essa pressão. O mesmo acontecia quando iniciávamos a construção através de pontapés de baliza ou lançamentos.
Perante uma equipa que pressiona, temos de encontrar formas de sair dessa pressão. O Dwada era uma das nossas referências para conseguirmos fazê-lo, através do jogo direto, procurando ganhar as segundas bolas com o Figueiredo e o Chiquinho. O objetivo era transportar o jogo para o meio-campo ofensivo do Benfica.
Fomos conseguindo fazê-lo em alguns momentos, noutros nem tanto. Também aproveitámos alguma lentidão do Benfica para encontrar o Dwada, mas faltou-nos, por vezes, um pouco mais de tempo e capacidade para identificar o jogador livre, que muitas vezes estava do lado esquerdo. Não conseguimos encontrar esse jogador com a regularidade necessária para transformar a saída de pressão num ganho de tempo e, assim, instalar toda a equipa no meio-campo ofensivo.
Nas poucas ocasiões em que o conseguimos fazer, fomos capazes de empurrar o Benfica para trás e criar alguma dinâmica para jogar. Isso tornou-se mais evidente na segunda parte, com as substituições que fizemos e com as características individuais que também temos no nosso plantel."
"Não estou satisfeito com o resultado, mas, relativamente à ideia de jogo que conseguimos transmitir à equipa, esse é precisamente o nosso objetivo. Desde o dia 6 de julho que a nossa intenção não passa apenas por implementar uma determinada ideia de jogo. Procurámos também criar uma cultura, uma cultura de exigência, em que tentamos transcender-nos e superar-nos todos os dias e encaramos todos os jogos com a máxima competitividade.
Ninguém é obrigado a ganhar, mas temos de jogar para vencer. São coisas diferentes. Jogar para vencer implica ter uma abordagem ao jogo na sua totalidade, percebendo que é importante defender mais alto, mais baixo ou num bloco intermédio, consoante aquilo que o jogo exige. O fundamental é estarmos muito comprometidos com os nossos princípios e com a nossa ideia, mas também com a cultura que procuramos implementar.
Existe um enorme profissionalismo por parte de todos os jogadores e um grande compromisso com o plano coletivo. Penso que não é a primeira vez que demonstramos que esta equipa tem uma identidade, sabe estar em campo e é organizada. Sabe quando deve pressionar e quando, não sendo possível fazê-lo, tem de encontrar outras formas de condicionar o adversário. É uma equipa inteira, que procura jogar o jogo na sua totalidade.
Mais uma vez, aquilo que me satisfaz e me enche de orgulho é termos sido capazes de jogar o jogo todo num estádio complicado, perante uma equipa muitíssimo boa, como já tivemos oportunidade de referir.
Conseguimos defender em bloco baixo, intermédio e alto, dificultámos algumas saídas do Benfica, conseguimos construir desde trás, sair através do jogo longo e encontrar soluções tanto pelos corredores laterais como por dentro. A equipa tem essa versatilidade e esse entendimento do jogo.
Para além de sermos muito ambiciosos, apaixonados por aquilo que fazemos e pela ideia que defendemos, é fundamental termos uma crença muito forte. Mas, acima de tudo, precisamos de um entendimento coletivo muito sólido. E a equipa demonstra esse entendimento, que é aquilo que verdadeiramente me deixa orgulhoso.
Ainda assim, voltamos a sair daqui tristes, porque o nosso objetivo é conquistar pontos."