Voltar
A polémica em torno de Kylian Mbappé e das declarações sobre Mao continua a gerar reações. Depois de o avançado francês ter classificado o antigo líder chinês como um "ditador", José Antonio Camacho, ex-treinador do Benfica que orientou a seleção chinesa entre 2011 e 2013,, deixou um aviso ao jogador do Real Madrid: é melhor estar preparado para uma eventual batalha jurídica.
Em declarações ao programa espanhol "El Partidazo de COPE", o treinador espanhol partilhou a experiência que viveu durante a passagem pelo futebol chinês e alertou Mbappé para aquilo que considera ser a mentalidade dos responsáveis do país asiático«Estão constantemente a dizer-lhe que tem de se adaptar às regras deles, aos métodos deles e a tudo o que fazem. Consideram-se os donos do mundo em todos os aspetos, e não é fácil», explicou Camacho.
O antigo técnico, que esteve à frente da seleção chinesa entre 2011 e 2013, foi ainda mais direto no conselho dirigido ao internacional francês. "Precisa de bons advogados", afirmou, justificando a recomendação com aquilo que lhe aconteceu durante a experiência na China. "Cortam as relações de imediato e, depois, o problema de resolver tudo junto da FIFA, da UEFA ou de qualquer outra entidade competente, passa a ser teu", acrescentou.
José Antonio Camacho conhece bem as dificuldades de lidar com os responsáveis do futebol chinês. O antigo jogador e treinador do Real Madrid recordou o episódio que marcou o final da sua passagem pela seleção asiática. Segundo contou, a Federação chegou mesmo a comunicar-lhe a renovação do contrato, mas mudou de posição poucos dias depois. "Disseram-me que o meu contrato tinha sido prolongado e, uma semana mais tarde, nem sequer quiseram pagar-me o bilhete de regresso", revelou o técnico, atualmente com 71 anos.
O despedimento aconteceu em junho de 2013, na sequência de uma derrota pesada e histórica frente à Tailândia, por 1-5. O resultado provocou uma onda de contestação e foi acompanhado por rumores de possível manipulação do encontro. A situação tornou-se ainda mais insólita quando, de acordo com Camacho, a própria Federação chinesa lhe sugeriu que avançasse com um processo judicial para reclamar os valores em dívida. "Foram eles próprios que me disseram que os devia processar, porque não podiam simplesmente admitir que me tinham despedido e pagar a indemnização a que tinha direito", contou.
O treinador acabou por recorrer à FIFA e conseguiu obter uma decisão favorável, garantindo o pagamento das compensações que lhe eram devidas. Na análise à atual polémica envolvendo Mbappé, Camacho considera que a postura chinesa também poderá estar relacionada com uma mudança de prioridades na forma como o país encara o futebol e a exposição mediática. "Investiram muito no futebol, na publicidade e em tudo o que estava relacionado com isso, mas agora já não querem tanta exposição mediática. É assim que funcionam", concluiu.