Voltar
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) terá feito chegar ao Al Nassr um "carta oficial" dando conta da intenção de Jorge Jesus convocar Cristiano Ronaldo, João Félix e Samu Costa para as duas últimas jornadas da fase de grupos da Liga das Nações, de acordo com informações adiantadas, esta sexta-feira, pelo jornal saudita Arriyadiyah.
Um desenvolvimento que surge, precisamente, no dia em que termina o castigo de 30 dias de suspensão que a direção liderada por Pedro Proença atribuiu ao capitão, depois de este ter abandonado o estágio da principal seleção nacional, na véspera da vitória alcançada na deslocação ao Parken, sobre a Dinamarca, por 2-4.
O madeirense, recorde-se, foi, também, sancionado com uma multa no valor de 255 euros. Agora, tem caminho aberto para voltar a representar a equipa das quinas, nos embates com Dinamarca (a 14 de novembro, no Estádio Municipal de Braga) e País de Gales (três dias depois, no Cardiff City Stadium), numa altura em que o apuramento para os quartos de final está já matematicamente garantido.
Portugal ocupa a liderança isolada do Grupo 4, com 12 pontos conquistados em 12 possíveis, seguido da Dinamarca (com seis), País de Gales e Noruega (com três cada). Feitas as contas, basta-lhe um empate nos dois duelos que restam para selar o primeiro lugar, ou, ao invés, torcer para que a Dinamarca não vença, pelo menos, uma das partidas que lhe sobram.
Cristiano Ronaldo quebrou o silêncio a propósito desta polémica, no passado dia 6 de outubro, com um comunicado de cinco páginas, no qual acusou Jorge Jesus de ter "falhado com a sua palavra", ao tê-lo colocado a aquecer na segunda parte do triunfo sobre a Noruega, no Ullevaal Stadion, por 1-2, sem que o tivesse lançado em campo.
"No fim do jogo só queria que tudo acabasse com a vitória e ficar sozinho. Não fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido", escreveu.
O selecionador nacional teria, de seguida, prometido pedir-lhe "desculpa" publicamente, mediante a leitura de uma missiva de oito pontos, onde diria, entre outras coisas, que o madeirense era "exemplar, leal e profissional", que errou "ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo" e que o queria "na seleção nacional" ("Aliás, não quero poouco, quero muito").
"Era a segunda vez que me estava a faltar à palavra dada. Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade", completou, numa nota onde pedia, ainda, "desculpa" aos adeptos e aos "companheiros de seleção", pela maneira como agiu.
Menos de 24 horas depois, o próprio Jorge Jesus foi confrontado pelos jornalistas com a versão de Cristiano Ronaldo, mas recusou alongar-se em palavras: "Li o comunicado. E, agora, como faço todos os dias vou para a Federação trabalhar, pensar na equipa e na seleção portuguesa. Não tenho mais nada a dizer".