Voltar
O que parece consensual no Ocidente pode não sê-lo noutros pontos do globo. Foi isso que Kylian Mbappé aprendeu esta semana, ao classificar Mao Zedong de «ditador».
O avançado perdeu patrocínios de marcas chinesas e teve de pedir desculpa. A La Liga e também o Real Madrid emitiram comunicados, no fundo, a fazer um mea culpa. Apesar disso, mantiveram-se muitas das consequências - os jogos da La Liga deixaram de ser transmitidos na China.
Agora, foi José Mourinho, treinador do Real Madrid, a ser convidado a comentar o caso, durante uma conferência de imprensa de antevisão à deslocação a Santander.
«Estou tranquilo porque o meu clube é o Real Madrid e o meu jogador em questão é Kylian Mbappé. Tanto o Real Madrid quanto Mbappé tiveram a classe de ter uma reação imediata. Como treinador, me sinto muito representado tanto pelo meu clube quanto pelo meu jogador», começou por dizer.
«Mbappé é muito maduro. Tem classe. A forma como interpretou o Ballon d'Or é um exemplo de classe. O que aconteceu na China ilustra os perigos do mundo de hoje, em que, muitas vezes, o melhor é não abrir a boca. E pronto. A reação foi a adequada, com classe», completou.
José Mourinho comentou também os resultados da Bola de Ouro, em que Mbappé acabou em segundo lugar atrás de Harry Kane.
«Tive o privilégio de trabalhar com o Harry [no Tottenham]. É um grande jogador em todos os sentidos. Apesar da frustração por o meu jogador não ter ganho, estou feliz pelo Kane. Ele merece. Por outro lado, o Kylian é único. Todos os anos há uma Bola de Ouro, mas o melhor marcador da história dos Mundiais há apenas um. No que diz respeito à votação, fico de boca aberta ao ver o Bellingham em décimo primeiro lugar. No comments», afirmou.
O Real Madrid entra agora num ciclo de três partidas em sete dias. «Um presente», na ótica irónica de Mourinho. É terceiro classificado na Liga, com 24 pontos, menos quatro do que o líder Atlético Madrid, que tem mais um jogo.