Voltar
Gerry Cardinale, proprietário do AC Milan, concedeu uma extensa entrevista à edição desta sexta-feira do jornal italiano Gazzetta dello Sport, na qual garantiu que mantém "plena confiança" em Ruben Amorim, pese embora a desconfiança que este continua a gerar, junto da 'feroz' opinião pública.
"No final do 'Top Gun', o 'meu' filme, há uma grande deixa. 'Não abandono o meu parceiro', diz Tom Cruise. E eu não abandono o Ruben. Não está em perigo, de todo. Vou manter-me do lado dele. Não vou cometer os erros que cometi, nos últimos anos. É o meu treinador, e continuaremos a trabalhar juntos, até conseguirmos dar esse salto de qualidade", começou por afirmar.
"Não é possível vencer se passamos continuamente de um treinador para outro. Fui eu que escolhi Amorim. Se tivesse cometido um erro, admitia, mas não penso ter cometido. Ele aprendeu muito com aquilo que aconteceu, no Manchester United, e eu contratei-o porque ele me explicou os erros que cometeu", prosseguiu.
"Tem a cultura certa, é um líder, um gestor e um treinador preparado. Em Milanello, respira-se um ar diferente dos últimos quatro anos. O mérito é dele. Ele está a aprender as coisas, e a equipa deve encontrar a sua própria coesão, percebendo como é possível rodar os jogadores continuando a marcar muitos golos e a vencer. Para mim, um empate é uma derrota", completou.
O empresário ítalo-americano explicou, de seguida, como se tem vindo a coordenar com o treinador português: "Nos dias anteriores a cada jogo, ligo-lhe e pergunto 'Como é que posso ajudar-te? Do que é que precisas?', e ele tranquiliza-me, dizendo 'Eu trato disso, eu trato disso'. Ele sabe que estou lá, mas também sabe fazer o seu trabalho".
"Não precisa que eu caia em cima dele, tem tudo sob controlo e é um verdadeiro profissional, que faz crescer as pessoas. Está a gerir os rapazes e a orientar bem o grupo. Não me parece que iss acontecesse, antes. Acendeu-se-me uma luz quando o Ibra [Zlatan Ibrahimovic, antigo diretor desportivo], há uns meses, me perguntou 'O que é que representa o AC Milan?'", apontou.
"Desde aí, penso praticamente todos os dias nessas palavras, em tudo aquilo que fazemos. Eu gosto deste grupo, no qual toda a gente se apoia e não há jogos de poder no balneário. Todos estão a dar tudo para vencer. Para perceber isso, basta olhar-lhes nos olhos. Nos anos anteriores, perguntava a mim mesmo 'Por que é que sou eu quem fica mais incomodado se não vencemos?'. Agora, já não sinto isso, os rapazes e o 'staff' ficam tão incomodados quanto eu", acrescentou.
A terminar, o milionário assumiu vislumbrar um futuro radiante ao lado do ex-Sporting: "Eu nunca estou satisfeito. Vou explicar melhor. Fico satisfeito quando ganhamos um jogo, mas isso não significa nada. Perguntem-se se estou satisfeito quando erguer um troféu ou conquistar um título. Neste momento, estou verdadeiramente satisfeito".
"Ainda temos muito trabalho por fazer, e, além disso, ultimamente, houve algumas lesões que me preocuparam. Agora, estou preocupado e constantemente concentrado naquilo que podemos melhorar. Há trabalho a fazer, e não vou parar até alcançarmos aquilo que queremos. Quem me conhece e trabalhou comigo, sabe que estou sempre insatisfeito enquanto não cumprir o objetivo", concluiu.