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Com apenas três partidas pelo time principal do Santos, Matheus Oliveira precisou percorrer um longo caminho até encontrar o lugar onde conseguiu se firmar no futebol. Hoje, aos olhos da torcida do Anyang, da Coreia do Sul, o ex-Menino da Vila virou ídolo, artilheiro histórico do clube e uma das principais referências da equipe.
O sucesso é tão grande que até rende uma comparação bem-humorada dentro de casa.
“Meus amigos acham que é exagero, mas eu falo que é surreal. Aqui me chamam de “Matequim”. Minha esposa brinca que, em Anyang, eu sou mais famoso do que o Neymar em Santos (risos)”, contou Matheus ao ge.
O brasileiro defende o Anyang desde 2024 e participou diretamente de um dos momentos mais importantes da curta história do clube, fundado em 2013.
Matheus foi destaque na campanha do título da segunda divisão sul-coreana e no acesso à elite. Terminou a competição como líder de assistências, com 11 passes para gol, entrou na seleção do campeonato e ainda foi eleito o melhor jogador da disputa.
Em 2026, manteve o bom desempenho. Com 12 gols, aparece entre os principais artilheiros do Campeonato Sul-Coreano. Recentemente, também alcançou a marca de 100 partidas e 29 gols pelo clube.
A identificação com a torcida ultrapassou os gramados.
“Às vezes vou buscar meu filho na escola e as pessoas param o carro para tirar foto. No shopping acontece a mesma coisa. Eu saio na rua e começam a gritar “Matequim”. Meu filho e minha esposa já entram na onda. É um carinho muito grande, e isso é muito gratificante.”
Matheus chegou ao Santos em 2013 para integrar o Sub-17, depois de passagem pelo Pão de Açúcar, atual Osasco Audax.
Mesmo sem conseguir sequência no profissional, guarda enorme carinho pelo Peixe.
“O Santos me ajudou muito. Consegui tirar minha família da comunidade onde eu morava, e eu brinco com meus pais que o Santos nos deu tudo. Mesmo sem ter jogado muito no profissional, mudou a nossa vida. Aprendi demais ali.”
Promovido por Dorival Júnior em 2017, Matheus admite que hoje enxerga sua passagem pelo profissional de maneira diferente.
“Talvez tenha faltado virar a chave e pensar mais em competir por espaço. Eu trabalhava, mas hoje vejo que podia ter acreditado mais que também tinha condição de jogar.”
Antes de chegar à Coreia do Sul, Matheus passou por clubes como Guarani, Ponte Preta, Atlético-GO, Remo, Água Santa, Mirassol e São Bernardo.
A adaptação ao futebol asiático exigiu tempo, especialmente pelo frio, pela diferença cultural e pela distância da família. Depois da chegada da esposa e dos filhos, porém, o desempenho mudou.
Agora consolidado no Anyang, o jogador revela que já recebeu sondagens de clubes das Séries A e B, mas não pensa em retornar imediatamente.
“Eu quero voltar ao Brasil um dia, claro. Jogar em casa tem um valor muito grande. Mas, neste momento, penso em seguir mais um tempo por aqui e depois ver o que acontece.”
Enquanto o retorno não acontece, o ex-Santos segue construindo do outro lado do mundo uma história que não conseguiu desenvolver na Vila Belmiro.