Voltar
e a China ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 28. O grupo estatal China Media Group (CMG), responsável pela emissora CCTV, confirmou a suspensão das transmissões da no país e rejeitou as explicações atribuídas ao clube espanhol após a polêmica envolvendo uma declaração do atacante francês sobre um meme com Mao Tsé-Tung, líder histórico chinês.
Em comunicado, um porta-voz do CMG afirmou que as palavras do jogador ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e que o Real Madrid não pode se eximir de responsabilidade pelo episódio. A entidade também reiterou que não pretende retomar as transmissões enquanto não houver um pedido de desculpas considerado satisfatório.
A manifestação ocorreu depois que Mbappé e o Real Madrid se pronunciaram sobre o caso. O atacante havia pedido desculpas publicamente na terça-feira, 27, reconhecendo que seus comentários foram imprudentes e que magoaram pessoas na China e em comunidades chinesas pelo mundo.
, entrou em contato com representantes chineses para tentar conter os efeitos da crise. Na terça-feira, ele se reuniu com o embaixador da China na Espanha, Yao Jing, e a liga apresentou desculpas pela ofensa provocada entre torcedores chineses. Tebas também enviou uma carta à CCTV em uma tentativa de preservar a relação com o país e evitar que a controvérsia comprometesse a transmissão do campeonato.
Nesta quarta, o Real Madrid também divulgou uma declaração de desculpas ao povo chinês. Apesar das manifestações, a suspensão das transmissões continua em vigor. A medida inclui partidas da liga espanhola, jogos relacionados a Mbappé e anúncios publicitários protagonizados pelo jogador.
A polêmica começou após a circulação de um trecho de entrevista de Mbappé ao programa , publicado no YouTube. Ao comentar memes sobre si mesmo, o atacante disse que uma das montagens que mais o faziam rir era aquela que o associava a um ditador chinês, em referência a imagens que combinam seu rosto com o de Mao Tsé-Tung.
A declaração provocou reação negativa nas redes sociais chinesas. Mao liderou a China entre 1949 e 1976 e é uma figura histórica de enorme relevância no país, o que contribuiu para a repercussão do comentário.
Em sua retratação, Mbappé afirmou que não teve a intenção de ofender e declarou ter profundo respeito pelo povo chinês e por sua história. O Real Madrid também manifestou respeito à China, à sua cultura e aos torcedores do clube no país.
As explicações, porém, não foram suficientes para encerrar a crise. O CMG contestou a versão de que o jogador não pretendia ofender e sustentou que o clube, como empregador do atleta, não pode se afastar da responsabilidade pelo ocorrido.
A suspensão das transmissões representa um impacto para a presença comercial do futebol espanhol no mercado chinês. Além da interrupção dos jogos, a emissora estatal também suspendeu conteúdos relacionados a Mbappé e anúncios com a imagem do atacante.
A crise já provocou consequências comerciais para o francês. Empresas chinesas como Dongpeng, Mengniu e Milkground encerraram suas parcerias com o jogador após a repercussão das declarações.
O episódio também preocupa o Real Madrid e a LaLiga pela relação com torcedores, emissoras e marcas de um mercado importante para o futebol internacional. O clube possui acordos comerciais com empresas chinesas, enquanto a liga depende da distribuição internacional de seus direitos de transmissão para ampliar sua audiência e suas receitas.