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Dois dias após a reeleição do presidente Lula (PT), a Frimesa, uma das maiores cooperativas agroindustriais do Brasil, anunciou um pacote de cortes de gastos que inclui a suspensão de festas de fim de ano, viagens de trabalho, patrocínios e doações.
Com mais de 13 mil funcionários e faturamento de R$ 7,04 bilhões em 2025, a empresa, sediada em Medianeira, no Paraná, justificou a decisão citando um cenário considerado “preocupante para a economia brasileira nos próximos meses”.
As medidas constam em um comunicado interno assinado pelo presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek, que começou a circular nas redes sociais na noite de terça-feira (27). A cooperativa confirmou a autenticidade do documento ao jornal O Globo.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mãoA decisão chama a atenção pelo tamanho da cooperativa e pelos planos de crescimento anunciados ao longo de 2026.
A Frimesa é a quarta maior empresa do setor de carne suína do Brasil e também atua na produção de derivados de leite. Em 2025, registrou receita de R$ 7,04 bilhões, um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.
Em março, o presidente executivo Elias José Zydek afirmou que a meta era mais que dobrar o faturamento, chegando a R$ 15 bilhões até 2032.
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Em comunicado, Frimesa anuncia contenção de gastos e suspende festas de fim de ano, viagens e patrocínios - Divulgação/Frimesa
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Frimesa é uma das maiores empresas de carne suína do Brasil e emprega mais de 13 mil pessoas - Divulgação/Frimesa
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Com faturamento de R$ 7,04 bilhões em 2025, Frimesa anunciou suspensão de despesas para preservar a estabilidade financeira e manter investimentos até 2032 - Divulgação/Frimesa
O planejamento incluía aumentar a participação da cooperativa no mercado brasileiro de carne suína de 8,5% para aproximadamente 14%, além de ampliar sua presença comercial em São Paulo e outras regiões.
Na ocasião, porém, Zydek já havia relatado dificuldades. As vendas dos primeiros meses de 2026 estavam cerca de 6% abaixo do previsto, em meio ao consumo enfraquecido e ao aumento dos custos.
A empresa também planejava investir outros R$ 650 milhões em sua principal estrutura frigorífica até o fim da década, após já ter aplicado R$ 1,35 bilhão na unidade.
Outra dúvida envolve os contratos comerciais da cooperativa. Em janeiro, a Frimesa renovou seu patrocínio ao Corinthians até o fim de 2026.
Segundo o portal AgFeed, a companhia também havia previsto cerca de R$ 120 milhões para ações de comunicação, embalagens e marketing, além de inaugurar um escritório comercial em São Paulo.
Ainda não está claro se a suspensão de patrocínios anunciada agora afetará contratos já firmados, incluindo o acordo com o clube paulista.
Em resposta à imprensa, a cooperativa confirmou as medidas, mas afirmou que a contenção de despesas não representa uma mudança em seus planos de expansão.
Segundo a empresa, a decisão busca reorganizar o planejamento estratégico de 2026, garantir o cumprimento das metas e manter os investimentos previstos até 2032.
A Frimesa também assegurou que a qualidade, a segurança e o fornecimento de seus produtos não serão afetados.
Em nota, a cooperativa chamou a iniciativa de parte de uma gestão voltada à eficiência e à otimização de recursos, mantendo os compromissos com funcionários, parceiros e produtores associados.
Fundada em 13 de dezembro de 1977, em Francisco Beltrão, no Paraná, a Frimesa surgiu da união de cooperativas agrícolas que buscavam industrializar a produção de carne e leite e ampliar a renda dos produtores rurais.
Inicialmente chamada de Sudcoop (Cooperativa Central Agropecuária do Sudoeste), a organização passou por uma transformação em 1979, quando incorporou o Frigorífico Medianeira S.A., que havia falido.
Foi dessa aquisição que surgiu o nome Frimesa. A sede também foi transferida para Medianeira, no Oeste do Paraná, onde permanece até hoje.
Atualmente, a cooperativa reúne mais de 13 mil colaboradores diretos, atua nos mercados de carnes suínas e lácteos e está entre as maiores empresas agroindustriais do país.