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Abel faz forte desabafo sobre arbitragem e punições no Palmeiras: "Só me prejudiquei"

O técnico Abel Ferreira fez um longo desabafo sobre a arbitragem brasileira e as punições recebidas ao longo de sua passagem pelo Palmeiras. Após a vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, neste domingo, no Nubank Parque, pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil, o português afirmou que prejudicou a própria imagem ao reclamar de decisões dos árbitros e prometeu mudar sua postura para evitar novas suspensões.

Abel foi questionado sobre um possível pênalti para o Vasco, após a bola tocar no braço do zagueiro Barboza dentro da área, no segundo tempo. O árbitro Anderson Daronco não assinalou a infração, decisão que gerou reclamações dos visitantes.

"Não tenho que falar sobre isso. Entendo a sua pergunta. Do mesmo modo como você está fazendo essa pergunta, poderia me perguntar sobre o Lucas [Evangelista], que levou uma braçada no rosto. Vou deixar para vocês criarem conteúdos, vocês que precisam muito de cliques e conteúdos. Acho que são dois bons lances para vocês fazerem conteúdos", declarou em coletiva.

Posteriormente, ao ser novamente questionado sobre a arbitragem e as reclamações do Vasco, Abel ampliou a resposta e refletiu sobre seu comportamento à beira do campo. "Eu só me prejudiquei ao defender o Palmeiras. Só me prejudiquei. Prejudiquei a minha imagem, prejudiquei o meu nome", desabafou.

Abel questiona punições e reconhece excessos

O treinador também mencionou as suspensões aplicadas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e afirmou que o Palmeiras já precisou disputar diversas partidas sem sua presença no banco de reservas.

"Eu sou responsável pelos resultados esportivos. Mas, em relação aos árbitros, não vou falar mais. Sei o país onde estou e sei que eles precisam de condições para trabalhar", afirmou.

Abel reconheceu que sua competitividade e a sensação de injustiça durante as partidas já provocaram reações inadequadas.

"O meu espírito competitivo e, às vezes, a injustiça que sinto diante daquilo que estou vendo fazem com que eu tenha comportamentos que não são condizentes com o meu lugar. Eu não posso ficar assim. Aliás, tenho que ficar quieto e calado depois das punições que me deram", admitiu.

O português também questionou a proporção das penalidades recebidas e citou outros treinadores conhecidos do futebol brasileiro.

"Alguém fala que, no Brasileirão, o Palmeiras ficou sem treinador por nove jogos? Alguém fala disso? Vocês vão me dizer, com todo o respeito pelo Muricy, com todo o respeito pelo meu grande amigo Scolari, alguém fez alguma coisa? Ou estão esperando usar o Abel como um Cristo? É isso que querem?", questionou.

"Alguém já pegou nas contas e disse: 'Realmente, esse treinador é sempre expulso no segundo tempo'? Não tem nada a ver com o resultado, porque, das 15 expulsões, em 14 estávamos ganhando. Normalmente, acontece de três em três meses. O que isso significa?", disse.

Treinador promete mudar postura

Apesar das críticas, Abel fez questão de reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de arbitragem no Brasil. O treinador comparou o desgaste dos árbitros ao de jogadores e técnicos, questionando a frequência com que são escalados para trabalhar.

"O Daronco apitou hoje. Vai apitar daqui a quanto tempo? Daqui a três dias está apitando outra vez. Vocês dizem: 'Você não acha que a sua equipe está cansada? Você não acha que o desgaste emocional afeta os seus jogadores? Por que não roda o elenco?'. E os treinadores? Os árbitros deveriam ter mais condições. Deveria haver mais árbitros para que, assim como se revezam as equipes e os treinadores, os árbitros também pudessem ser revezados. Não deve ser fácil ser árbitro aqui no Brasil", avaliou.

Abel ainda criticou a influência de questões políticas na organização do futebol brasileiro, embora não tenha relacionado diretamente essa avaliação ao lance contestado pelo Vasco.

"Quando o futebol deixar de ser mais político e forem os clubes a liderar o futebol, como foi antes de 1987, acredito que as coisas possam melhorar", declarou.

Por fim, o treinador garantiu que pretende adotar uma postura diferente diante de decisões controversas. Abel reconheceu que já foi beneficiado e prejudicado por erros de arbitragem e afirmou que precisa aprender a lidar melhor com essas situações.

"Prometi a mim mesmo fazer um esforço, mais do que nunca, para respeitar os árbitros. Eles têm família, como eu. Mais do que nunca, fazer uma autoanálise. Mais do que nunca, deixar esse tipo de situação, se é pênalti ou não, se é expulsão ou não, para vocês", disse.

"Já fui prejudicado, já fui beneficiado. E tenho que acreditar, senão não posso estar aqui, que os erros acontecem porque todos nós cometemos erros. Portanto, não vou falar mais dos árbitros. Vou fazer um esforço muito grande para não falar mais dos árbitros", concluiu.

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