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Jogadores da seleção paraguaia divulgaram um comunicado dirigido à população do país, lamentando a crise financeira que atinge o Paraguai após a intervenção no Ueno Bank. Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção paraguaia, Bobadilla, do São Paulo, e Balbuena, do Grêmio, estão entre os atletas que compartilharam a nota.
No comunicado, os jogadores lamentam os impactos da crise financeira sobre a população paraguaia e afirmam que também foram afetados pela situação. Os atletas se apresentam como "filhos desta terra que amamos".
Isso nos dói profundamente. Dói ver milhares de famílias passando por angústia, incerteza e preocupação. Ver nossa gente preocupada em conseguir chegar ao fim do mês, com o trabalho e com o futuro de seus filhos. Por trás de cada número, há pessoas, famílias, sonhos e uma vida inteira de esforço que merece respeito.
Trecho do comunicado dos jogadores da seleção paraguaia.
Os atletas também afirmam ter sido vítimas da crise e manifestam indignação com a situação enfrentada pelo país.
Queremos que saibam de algo com clareza: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afeta tantos compatriotas.
Trecho do comunicado dos jogadores da seleção paraguaia.
A nota cobra providências do governo e da Justiça do Paraguai e exige uma "resposta contundente" diante da crise.
Exigimos firmemente que o governo e a Justiça atuem de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente. Não se pode hesitar quando estão em jogo o esforço de pessoas honestas.
Trecho do comunicado dos jogadores da seleção paraguaia.
O posicionamento foi compartilhado por atletas da seleção paraguaia, incluindo jogadores que atuam no futebol brasileiro. A maioria divulgou a nota nos stories do Instagram, enquanto Gustavo Gómez, do Palmeiras, publicou o comunicado no feed de seu perfil.
O Paraguai enfrenta uma grave crise financeira após a intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais e principais emissores de cartões de crédito do país.
A crise deixou milhões de clientes do Ueno Bank sem acesso ao próprio dinheiro e levou à renúncia do presidente do BCP, Carlos Carvallo, a pedido do presidente paraguaio, Santiago Peña. Antes de assumir o Banco Central, em 2023, Carvallo havia comandado a financeira Ueno e enfrentava questionamentos sobre a fiscalização do banco.
Quase metade da população paraguaia possui conta no Ueno Bank. São cerca de 2,9 milhões de clientes em um país de aproximadamente 6,4 milhões de habitantes. Após o anúncio da intervenção, correntistas formaram filas em frente às agências na tentativa de recuperar suas economias. A situação também provocou protestos em Assunção, capital do país.
Leia a íntegra do comunicado dos jogadores da seleção paraguaia:
Ao povo paraguaio:
Somos jogadores da seleção paraguaia de futebol, mas, acima de tudo, somos paraguaios. Filhos desta terra que amamos.
E hoje, como paraguaios antes de sermos jogadores de futebol, sentimos a necessidade de falar com vocês de coração aberto e sem rodeios, diante da crise financeira que está atingindo nosso país.
Isso nos dói profundamente. Dói ver milhares de famílias passando por angústia, incerteza e preocupação. Ver nossa gente preocupada em conseguir chegar ao fim do mês, com o trabalho e com o futuro de seus filhos. Por trás de cada número, há pessoas, famílias, sonhos e uma vida inteira de esforço que merece respeito.
Queremos que saibam de algo com clareza: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como muitas famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afeta tantos compatriotas.
Mas, neste momento, nossa maior preocupação não somos nós mesmos.
Nossa prioridade absoluta deve ser a população trabalhadora. Aqueles que tinham as economias de uma vida inteira investidas ali. As pessoas de poucos recursos que hoje estão em situação de total vulnerabilidade. São elas que mais precisam de apoio e devem estar em primeiro lugar em qualquer medida que seja tomada.
Por isso, hoje não falamos de futebol. Hoje falamos como povo.