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Resumo
A TV estatal chinesa CCTV manteve o veto às transmissões de LaLiga após Kylian Mbappé chamar Mao Tsé-Tung de ditador ao citar um meme. A emissora e marcas locais, que romperam contratos com o atacante, consideraram insuficientes as justificativas do atleta e do Real Madrid, exigindo uma retratação adequada. Apesar do pedido de desculpas da presidência da liga espanhola, a imprensa oficial da China alertou que o acesso ao mercado do país exige respeito estrito às suas sensibilidades políticas.
A CCTV, televisão estatal chinesa, confirmou nesta quarta-feira (28) que manterá a suspensão das transmissões de LaLiga após a polêmica envolvendo Kylian Mbappé, atacante do Real Madrid. A emissora rejeitou as explicações apresentadas pelo clube espanhol e pelo jogador e afirmou que só discutirá uma possível reversão da medida depois de receber um pedido de desculpas considerado satisfatório.
A emissora anunciou a suspensão na segunda-feira (26). A medida abrange as transmissões do Campeonato Espanhol, os jogos relacionados a Mbappé e os anúncios publicitários protagonizados pelo francês.
Além disso, empresas chinesas decidiram rever seus vínculos comerciais com o jogador. Entre elas estão o grupo de bebidas Dongpeng e a gigante do setor de laticínios Mengniu, que anunciaram o encerramento de parcerias com Mbappé.
Um porta-voz do Centro de Desporto e Juventude do Grupo de Media da China (CMG) contestou a alegação do Real Madrid de que o jogador não teve a intenção de ofender os chineses. Segundo o representante, as declarações ultrapassaram os limites, e a entidade não vê espaço para negociações enquanto não houver uma retratação adequada.
"O meu comentário foi algo não pensado e compreendo que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas em todo o mundo", afirmou Mbappé em seu pedido de desculpas.
A polêmica começou após a divulgação de uma entrevista na qual Mbappé comentou qual meme mais o fazia rir. O atacante mencionou uma montagem que sobrepunha seu rosto ao de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China. Ao explicar a imagem, o jogador descreveu Mao como "um tipo que penso ser um ditador chinês".
Diante da repercussão, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, enviou uma carta à emissora chinesa na terça-feira (27). No documento, o dirigente condenou o comportamento do atacante, classificou a atitude como "inaceitável" e pediu desculpas pela ofensa causada.
Também nesta quarta-feira, o 'Global Times', jornal ligado ao 'Diário do Povo', órgão oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial sobre o caso. O veículo, aliás, advertiu celebridades internacionais de que o interesse comercial no mercado chinês exige respeito às sensibilidades nacionais.
"Respeitar não é opcional. Ninguém pode lucrar com a China enquanto a desrespeita", escreveu o jornal.
O editorial, inclusive, também defendeu a inclusão de cláusulas mais claras sobre a conduta pública de personalidades internacionais nos contratos comerciais. A proposta sinaliza uma pressão por regras mais explícitas para empresas e figuras públicas que mantêm relações comerciais com o país.
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