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Resumo
Após Kylian Mbappé chamar Mao Tsé-Tung de "ditador" em um podcast, o atleta e o Real Madrid pediram desculpas públicas à China diante da forte repercussão. A fala gerou sanções imediatas no país: marcas locais romperam contratos com o jogador, a TV estatal suspendeu a transmissão da liga espanhola e produtos com seu nome sumiram das lojas. Mbappé ainda teve perfis bloqueados em redes chinesas e foi alvo de ataques racistas, embora Pequim tenha aceitado formalmente a retratação.
O capitão da seleção francesa, que possui grande visibilidade na China, foi criticado por se referir a Mao Tsé-Tung como "ditador" no podcast "The Bridge", de Aurélien Tchouaméni, seu companheiro de equipe no Real Madrid e na seleção francesa.
A declaração polêmica foi dita no momento em que os dois conversavam sobre memes envolvendo Mbappé. O astro dos merengues conta que aquele que mais o fez rir é um que associa sua imagem à de um homem que ele descreve como "um ditador chinês", em referência a montagens que inserem o rosto do jogador em fotos de Mao Tsé-Tung.
O trecho chegou a ser removido posteriormente do podcast, mas o corte com a declaração já havia viralizado nas redes sociais, inclusive nas chinesas.
Diante da repercussão negativa, o Real Madrid divulgou um comunicado apresentando "suas desculpas ao povo chinês pelo desconforto" causado pelas declarações, reiterando seu "respeito pela China (...) bem como pelos milhões de torcedores chineses" do clube espanhol.
No dia anterior, Kylian Mbappé já havia se desculpado por meio de um comunicado divulgado em francês, inglês e mandarim.
"Levamos a sério as desculpas apresentadas pela pessoa em questão", declarou, nesta quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, durante uma coletiva de imprensa.
Mao Tsé-Tung é uma figura central na história chinesa, sempre descrito oficialmente como um herói, apesar de capítulos muito sombrios e dos milhões de mortes que historiadores associam ao seu exercício do poder.
A polêmica teve consequências contratuais para Mbappé, bem como para o futebol espanhol, onde ele atua. Na terça-feira (27), três grandes empresas chinesas anunciaram, o rompimento de sua cooperação com a estrela do Real Madrid, e a televisão estatal suspendeu a transmissão dos jogos do campeonato espanhol.
As declarações iniciais de Kylian Mbappé não foram publicadas — ou foram removidas — nas redes sociais chinesas, que estão sujeitas a uma vigilância rigorosa. Os meios de comunicação estatais também omitem qualquer referência a Mao Tsé-Tung, relatando apenas que o jogador de futebol fez "comentários inadequados sobre a China".
Ainda assim, as críticas continuaram a viralizar nas plataformas chinesas, incluindo comentários racistas que comparavam o jogador a "um chimpanzé de músculos poderosos, mas de mente simples".
"Suas palavras foram ofensivas para a China e para o povo chinês; por isso, não podem ser traduzidas", escreveu um usuário na rede social Weibo.
Agora, é impossível seguir as contas da estrela do Real Madrid nas plataformas Weibo e Xiaohongshu (também conhecida como "RedNote"), nas quais ele reúne, ao todo, mais de dois milhões de seguidores.
Além das redes sociais, o nome de Mbappé também está desaparecendo das lojas. Na principal loja da Adidas na capital chinesa, jornalistas da AFP viram camisas do Real Madrid à venda, mas nenhuma delas com o nome de Mbappé. Por outro lado, ainda é possível encontrar produtos não oficiais com a imagem do jogador no aplicativo Taobao.
Kylian Mbappé é extremamente popular na China. Ele é, inclusive, carinhosamente apelidado de "Guigui" ("tartaruga"), devido à sua aparição em um antigo meme envolvendo as Tartarugas Ninja.
RFI com agências
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