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Aos 15 anos, enquanto conciliava os estudos com uma rotina intensa de treinamentos, uma aluna do Colégio Militar de Curitiba alcançou um feito incomum no esporte brasileiro: conquistou o Campeonato Brasileiro Adulto de Pentatlo Moderno, superando atletas mais velhas e experientes. A vitória, obtida em Recife (PE), em 2025, foi apontada pelo Exército Brasileiro como um marco histórico da modalidade. Hoje, aos 16 anos, a estudante integra o projeto PentaCMC, compete em eventos internacionais e trabalha para alcançar um objetivo ainda maior: buscar a classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Sua trajetória demonstra como a formação escolar, o apoio familiar e o treinamento especializado podem contribuir para o desenvolvimento de jovens atletas.
A atleta é Nicole Herdy Faria, identificada em competições de pentatlo como Nicole Faria. O nome completo consta de publicações da Confederação Brasileira de Atletismo, enquanto a Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno (CBPM) e a federação internacional usam a forma abreviada. Assim, as duas identificações encontradas no material do Exército se referem à mesma estudante do Colégio Militar de Curitiba (CMC).
Em 14 de dezembro de 2025, Nicole conquistou o Campeonato Brasileiro Adulto no Centro Esportivo Santos Dumont, em Recife (PE). Segundo a Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno, a vitória fez dela a mais jovem campeã brasileira adulta da história da competição. A estudante disputou a categoria principal contra adversárias de maior idade e experiência, apesar de ainda integrar as categorias de base.
A conquista exigiu recuperação na parte final. Nicole saiu para a etapa combinada de tiro e corrida, o laser-run, na quinta posição, com 32 segundos de desvantagem para a líder. A melhora ao longo da corrida e das séries de tiro permitiu assumir a primeira colocação somente na última passagem pelo estande de tiro, superando Alice Peroni, do Colégio Militar de Belo Horizonte. Ana Clara Bezerra completou o pódio.
O resultado ganha dimensão especial porque, segundo a CBPM, a estudante enfrentou também dificuldade de deslocamento: um voo cancelado em São Paulo fez com que chegasse a Recife poucas horas antes da prova. Mesmo assim, completou a competição com o título nacional. A atleta atribuiu publicamente a conquista ao trabalho conjunto de familiares, treinadores e da comunidade do colégio, sem apresentar o resultado como um esforço exclusivamente individual.
O pentatlo moderno reúne cinco disciplinas em quatro provas: esgrima, natação, corrida de obstáculos e o laser-run, que combina corrida e tiro esportivo com equipamento a laser. A corrida de obstáculos substituiu o hipismo no formato olímpico atual. O resultado exige reunir capacidades físicas e técnicas diferentes, incluindo resistência, velocidade, coordenação, concentração e precisão nas provas de tiro.
O desempenho de Nicole no laser-run ajuda a explicar sua recuperação no Campeonato Brasileiro. Como a classificação parcial condiciona a largada para a etapa decisiva, uma boa combinação entre corrida e tiro pode alterar a ordem das competidoras. A vitória confirma o rendimento naquela prova, mas não garante resultados futuros em competições internacionais, nas quais o nível técnico e os adversários mudam.
Em 2026, Nicole cursa o 1º ano do Ensino Médio no Colégio Militar de Curitiba e integra o projeto PentaCMC. Segundo a reportagem institucional do Exército Brasileiro, ela está em seu quinto ano de prática da modalidade. O interesse inicial surgiu da busca por atividade física e melhora do condicionamento, antes de se transformar em rotina de treinamento e participação em campeonatos.
O CMC disponibiliza espaços e acompanhamento técnico para a preparação dos alunos, combinando ensino regular e atividades esportivas. Nicole complementa o treinamento em clubes e centros esportivos de Curitiba nas disciplinas de atletismo, esgrima e natação. Conforme a publicação do Exército, a corrida de obstáculos é treinada integralmente na pista específica do colégio, que constitui parte relevante da estrutura local para a modalidade.
A preparação de uma pentatleta exige administrar tempo entre aulas, estudos, atividades físicas e viagens. Para uma estudante do Ensino Médio, esse desafio envolve também organização pessoal, suporte de treinadores e da família e atenção à recuperação física. O modelo apresentado pelo Colégio Militar procura integrar a educação formal e o desenvolvimento esportivo, mas a trajetória de Nicole não deve ser tomada como resultado garantido para todos os alunos que participam do programa.
Além da estrutura escolar, a atleta participa de iniciativas esportivas da cidade. Em julho de 2026, a Prefeitura de Curitiba informou que Nicole, apoiada pelo Programa Municipal de Incentivo ao Esporte, havia conquistado prata por equipes no Campeonato Pan-Americano Sênior de Pentatlo Moderno, em Lima, no Peru, além de terminar em décimo lugar na classificação individual do Pan-Americano e quarto entre as sul-americanas.
A prefeitura também citou o trabalho da Associação de Pais e Mestres do Colégio Militar de Curitiba e do treinador Darvin Machado dos Santos Junior. Esses dados mostram uma rede de apoio composta por escola, família, entidades esportivas e poder público municipal. O desempenho esportivo alcançado não pode ser atribuído exclusivamente a uma única instituição.
Nicole também concilia o pentatlo moderno com provas de atletismo. A Confederação Brasileira de Atletismo registra resultados da estudante nos 1.500 metros e nos 3.000 metros com obstáculos, incluindo medalhas internacionais em categorias de base. O treinamento de corrida contribui para seu repertório esportivo, embora o pentatlo exija resultados equilibrados em todas as disciplinas.
A atuação internacional é outro eixo da trajetória da estudante. Em agosto de 2026, Nicole representou o Brasil no Campeonato Mundial Sub-19 de Pentatlo Moderno, em Madri, ao lado de outros atletas das categorias de base. No revezamento misto, formou dupla com Jhon Xavier, ex-aluno do Colégio Militar de Recife, e alcançou o quarto lugar, com 1.318 pontos, ficando uma posição atrás do pódio.
Segundo a CBPM, Coreia do Sul, Alemanha e Suíça terminaram à frente da dupla brasileira. O resultado foi obtido no revezamento misto, e não na disputa individual feminina. Na fase classificatória individual, Nicole terminou na 19ª posição de sua série, outro dado que reforça a necessidade de identificar corretamente a prova à qual cada colocação se refere.
A delegação de base também incluiu estudantes do Colégio Militar de Curitiba e do Colégio Militar de Belo Horizonte, além de atletas de outros centros de treinamento. A competição ofereceu contato com adversários de alto nível e experiência internacional aos representantes brasileiros. O quarto lugar de Nicole e Jhon demonstra resultado expressivo em uma prova específica, sem significar classificação automática para eventos olímpicos futuros.
A história do pentatlo brasileiro possui uma referência importante na pernambucana Yane Marques, ex-terceiro-sargento do Exército Brasileiro e medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. A atleta integrou o Programa de Atletas de Alto Rendimento do Exército, que oferece apoio à preparação esportiva de militares em modalidades olímpicas. Sua medalha permanece como uma das principais conquistas brasileiras do pentatlo moderno.
Yane também conquistou ouro nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e posteriormente passou a exercer funções de gestão esportiva. Sua trajetória mostra a ligação histórica entre o Exército e o desenvolvimento de atletas brasileiros. Esse precedente pode servir de inspiração à nova geração, mas não implica que Nicole já tenha uma carreira militar ou vínculo profissional equivalente ao da ex-sargento.
O objetivo anunciado por Nicole é buscar uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, quando deverá estar no terceiro ano do Ensino Médio. A participação depende dos critérios de classificação estabelecidos pela modalidade e dos resultados obtidos ao longo do ciclo internacional. Não existe, nas informações consultadas, confirmação de vaga olímpica já assegurada para a estudante.
A trajetória esportiva já reúne um título brasileiro adulto histórico, resultados de destaque em eventos internacionais e experiência em pentatlo e atletismo. Para o Colégio Militar de Curitiba, o caso evidencia o potencial de uma formação que combina educação e apoio técnico esportivo. Para Nicole, o desafio é transformar a evolução registrada em competições nacionais e juvenis em desempenho suficiente para disputar a classificação olímpica.
Aos 16 anos, Nicole Herdy Faria já conquistou um título adulto inédito para sua idade e representou o Brasil em competições internacionais. O passo seguinte permanece aberto: continuar sua formação escolar e esportiva enquanto busca, sem garantia antecipada, um lugar entre as atletas que disputarão os Jogos Olímpicos de 2028.