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A inglesa venceu o Ladies Open at Vidago Palace, dois anos depois do primeiro triunfo no circuito europeu. No segundo lugar ficou Billie-Jo Smith, a mesma adversária que Gower tinha batido na estreia a vencer.
Ellie Gower chegou ao último dia do Super Bock Ladies Open at Vidago Palace longe da liderança. Saiu de lá com o troféu nas mãos, oito mil euros no bolso e uma vitória que valeu muito mais do que a subida na classificação. Aos 24 anos, a inglesa conquistou o segundo título no LET Access Series (LETAS), a segunda divisão do golfe profissional feminino europeu, depois de uma recuperação de seis pancadas.
A última volta fez a diferença. Gower assinou um cartão de 67 pancadas, cinco abaixo do Par, e fechou o torneio com um total de 208, oito abaixo do Par. Foi a única das 84 participantes a terminar as três voltas abaixo do Par.
"Isso significa muito, estou muito feliz", confessou, depois de confirmar uma vitória que não estava propriamente à vista no início do dia.
O segundo lugar ficou para a compatriota Billie-Jo Smith, a duas pancadas da vencedora. E é aqui que a história ganha um pormenor curioso: Smith foi também a adversária que Gower derrotou no *play-off* do Calatayud Ladies Open, em Espanha, em outubro de 2024, quando conquistou o primeiro título da carreira no circuito.
Ao fim de 36 buracos, Gower era sétima, com três pancadas abaixo do Par, e tinha seis pancadas de atraso em relação à escocesa Lorna McClymont. A líder não conseguiu segurar a vantagem na ronda decisiva e terminou no terceiro lugar, com cinco abaixo do Par.
Gower aproveitou a oportunidade com uma volta sem margem para hesitações. A checa Anna Ludvova, ainda amadora, também fez cinco abaixo do Par no último dia e terminou em quarto lugar, empatada com a norueguesa Silje Ohma, ambas com quatro abaixo do Par.
A inglesa não escondeu que acreditou na possibilidade de recuperar, embora sem saber o que acontecia com as adversárias. "Estava apenas a tentar subir o mais possível e ganhar foi um bónus", explicou.
O namorado, John, que também foi o seu caddie em Vidago, acompanhou os resultados durante a volta. Gower só percebeu que tinha vencido quando lhe perguntou como tinha corrido o torneio. A resposta foi uma surpresa: "É melhor ires aprender português, porque acho que ganhaste".
O triunfo em Vidago chegou depois de um período discreto. Desde a vitória em Espanha, em 2024, Gower não tinha conseguido qualquer lugar no top-10 nas temporadas de 2025 e 2026. Antes de chegar a Portugal, ocupava o 54.º lugar da Ordem de Mérito do LETAS.
Por isso, mais do que repetir uma conquista, a inglesa precisava de confirmar a si própria que podia voltar a ganhar.
"Ganhei há um par de anos, mas, desde então, não fiz muito, pelo que outra vitória diz-me que posso repetir a dose e não foi uma coisa de uma única vez", afirmou.
A presença da família tornou o momento ainda mais especial. Os pais acompanharam a prova e John voltou a estar ao seu lado, tal como tinha acontecido no primeiro título. O golfe faz parte da vida de Gower desde muito cedo: o pai, Brian, é treinador profissional e, aos 12 anos, ela já tinha sido caddie da inglesa Ellie Givens no Open de França de 2014.
A vitória também mudou a sua posição no ranking. Gower saltou do 54.º para o 20.º lugar da Ordem de Mérito, ficando dentro do grupo das 30 primeiras que evita a primeira fase da Escola de Qualificação para o Ladies European Tour, o principal circuito europeu.
A promoção direta continua mais distante, já que apenas as sete primeiras classificadas no final da temporada garantem essa passagem e faltam dois torneios. Ainda assim, a nova posição representa uma vantagem importante para a próxima etapa da carreira.
"Não vou mentir, não quero mesmo estar duas semanas seguidas a jogar a Escola", admitiu, aliviada.
O contraste com a edição anterior não podia ser maior. Em 2025, Gower terminou o torneio de Vidago no 50.º lugar, com seis pancadas acima do Par, e recebeu 273 euros. Desta vez, saiu de Chaves como campeã.
Sofia Barroso Sá foi a melhor portuguesa em prova e terminou no grupo das 47.ªs classificadas, com um total de 226 pancadas, dez acima do Par. A profissional de 22 anos fechou as três voltas com cartões de 71, 76 e 79 pancadas e recebeu 273,33 euros.
A jogadora de Belmonte, que treina na Quinta do Lago, passou o cut pela segunda prova consecutiva no LETAS. Na etapa francesa, disputada duas semanas antes, tinha alcançado a mesma classificação, com sete pancadas acima do Par.
"Tenho de dizer que é um balanço positivo, porque passei o cut, fiz uma volta abaixo do Par no primeiro dia, senti-me bem no campo e agora é continuar a trabalhar para os próximos torneios", afirmou.
Em Vidago, porém, o dia foi de Ellie Gower. Uma volta final de cinco pancadas abaixo do Par bastou para transformar uma desvantagem de seis pancadas numa vitória e devolver à inglesa a confiança de quem sabe que pode voltar a ganhar.