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Associação Nacional de Treinadores de Futebol alerta para instabilidade após a saída de 10 treinadores nos campeonatos profissionais
A Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) manifestou esta quarta-feira preocupação com a saída de 10 treinadores dos dois principais campeonatos nacionais ao fim de apenas oito jornadas (sete, no segundo escalão), alertando para a instabilidade nas equipas técnicas.
"Ao fim de apenas oito jornadas, a saída de 10 treinadores nos dois principais campeonatos nacionais constitui um sinal de instabilidade, que merece uma reflexão séria por parte de todos os agentes do futebol português", lê-se num comunicado.
Para a ANTF, "a mudança de treinador não pode continuar a ser encarada como resposta imediata aos resultados menos positivos", defendendo que a construção de equipas competitivas exige tempo, planeamento, confiança e continuidade.
Sem colocar em causa a autonomia dos clubes, a associação defendeu que a avaliação do desempenho dos treinadores deve ter em conta o contexto, os recursos disponíveis e as decisões estratégicas das estruturas diretivas, não se limitando aos resultados imediatos.
A ANTF considerou ainda que a responsabilidade pelas dificuldades deve ser analisada de forma global, evitando que o treinador seja sistematicamente o primeiro e único alvo. "A responsabilidade deve ser analisada de forma global, evitando que o treinador seja, sistematicamente, o primeiro e único alvo perante as dificuldades", sublinhou aquele organismo.
A associação defendeu uma cultura de maior estabilidade, rigor e responsabilidade na gestão desportiva, ressalvando que "a estabilidade não significa permanência a qualquer custo", mas antes decisões ponderadas, projetos coerentes e condições para avaliar devidamente o trabalho desenvolvido.
A ANTF reafirmou o compromisso com a valorização e a dignificação da profissão de treinador e apelou aos clubes para que privilegiem o planeamento e a continuidade, em detrimento de decisões precipitadas.
Na terça-feira, foram confirmadas as saídas do espanhol Carlos Vicens, do Braga, e de Alexandre Santos, do Nacional, juntando-se à de Carlos Carvalhal, que deixou o Famalicão por mútuo acordo, um dia antes.
No Braga, Franclim Carvalho já começou a trabalhar e tem estreia prevista para quinta-feira, na Liga Conferência, enquanto, no Nacional, Bruno Abreu deverá orientar a equipa frente aos bracarenses, no domingo.
A presente edição da I Liga arrancou em 7 de agosto e, em pouco mais de dois meses, já registou seis mudanças nos comandos técnicos. Vasco Matos tinha deixado o Estoril após a oitava jornada, a última disputada da I Liga, numa altura em que os canarinhos ocupam o último lugar, sem qualquer vitória, com dois empates e seis derrotas.
Antes, o grego Sotiris Silaidopoulos tinha sido afastado do comando técnico do Rio Ave, após somar um triunfo nas primeiras sete jornadas, deixando a equipa vila-condense no 16.º lugar, tendo sido rendido por Vasco Seabra, que deixou o comando técnico do Arouca para rumar a Vila do Conde.
O primeiro treinador a sair nesta edição da I Liga foi João Gião, que deixou o Nacional após a quarta jornada, quando os madeirenses ocupavam o nono lugar, com quatro pontos. Bruno Abreu ainda orientou os insulares interinamente na visita ao Sporting, antes de Alexandre Santos assumir o comando técnico a partir da sexta ronda.
Na II Liga, o Amarante também mudou de treinador, com Jorge Pinto a deixar o clube após oito jogos, na sequência da derrota por 2-0 frente ao Portimonense. Na terça-feira, anunciou o regresso de Renato Coimbra, que já tinha orientado o clube entre 2022 e 2024.