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Os Pirenéus decidirão, em teoria, a 114ª Volta a França em bicicleta, que quase triplicou o número de quilómetros de contrarrelógio individual e ‘abdicou’ dos seus ‘gigantes’, mantendo apenas o Tourmalet num percurso que inclui novamente a subida a Montmartre.
“Se queres encontrar novas subidas, é preciso aceitar que, em determinado momento, não podemos ter sistematicamente as mais conhecidas. […] Há anos em que não há nem o Galibier, nem o Tourmalet, o Alpe d’Huez ou o [Mont] Ventoux. No percurso, teremos as subidas do futuro, que também são terríveis. E teremos o Tourmalet”, salientou o diretor da prova, Christian Prudhomme.
O ‘gigante’ dos Pirenéus será atravessado na 18ª etapa, a ‘rainha’ da próxima edição, que inclui ainda o col de Soulor, Hourquette d'Ancizan e o Col du Portet (em Saint-Lary-Soulan), onde a meta, instalada no teto deste Tour a 2.215 metros de altitude, coloca um ponto final numa jornada com 5400 metros de desnível acumulado.
“É a primeira vez que associamos o Tourmalet ao Portet, dois monstros. E, no dia seguinte, teremos novamente percentagens terríveis com o regresso das subidas bascas de Burdincurutcheta e Bagargui. Sim, os Pirenéus são mais duros do que os Alpes”, defendeu, referindo-se às tiradas de 22 e 23 de julho e à escolha daquela cordilheira para decidir a 114ª Grande Boucle.
Numa edição menos montanhosa – são seis etapas de alta montanha, com apenas três chegadas em alto -, é definitivamente o ‘proibitivo’ número de quilómetros de contrarrelógio, o maior desde 2012 (71), o grande destaque do percurso hoje apresentado no Palácio dos Congressos, em Paris.
Depois de no ano passado ter havido um único contrarrelógio individual, com modestos 26,1 quilómetros, os organizadores do Tour resolveram quase triplicar o número, uma notícia que será particularmente apreciada pelo belga Remco Evenepoel, vice-campeão da última edição atrás de Tadej Pogačar e vigente tetracampeão mundial e campeão olímpico da especialidade.
O primeiro ‘crono’ aparece logo à sétima etapa, e será certamente o primeiro momento definidor da classificação geral, com os ciclistas a percorrerem 38 quilómetros “totalmente planos” entre Blois e Chambord.
Após o terceiro dia de descanso – há um extra devido à partida do Reino Unido -, a 16ª etapa propõe mais 33 quilómetros de exercício individual, com a aliciante da subida à côte de Pech David.
Tudo começará em 2 de julho, em Edimburgo, cidade que acolhe o 28º ‘Grand Départ’ do estrangeiro da Volta a França.
Vinte anos depois do enorme sucesso que foi o arranque em Londres e 13 anos após o banho de massas registado em Leeds, o Tour volta a partir do Reino Unido, com as três primeiras etapas a percorrerem três das quatro nações constituintes do país, nomeadamente Escócia, Inglaterra e País de Gales.
A entrada em França acontece em 6 de julho, com três jornadas descritas como ‘acidentadas’ – são seis no total - a antecederem o primeiro ‘crono’.
A alta montanha só aparece à nona etapa, que acaba no Grand Colombier, o ‘gigante’ da cordilheira do Jura que antecede duas etapas nos Alpes após o segundo dia de descanso.
Estas incluem uma dupla ascensão a Domancy (10.ª) e uma chegada a Les Saisies, que não ocultam a ausência de nomes incontornáveis como os míticos Galibier, Izoard ou Alpe d'Huez.
Seguem-se duas etapas planas – são sete nesta edição – antes de uma tirada de montanha atípica (14ª), entre Montpellier e Mende, com 4300 metros de desnível acumulado.
Caberá aos Pirenéus decidir a classificação geral final, que ficará resolvida à 19ª etapa, já que a organização resolveu abdicar das tradicionais jornadas montanhosas na véspera do final para dar uma derradeira oportunidade aos sprinters, novamente privados da gloriosa chegada aos Campos Elísios.
Apesar dos rumores dos últimos dias, a organização decidiu mesmo manter a subida à Butte Montmartre, um extraordinário sucesso nas duas últimas edições, que encerrará a 114ª edição, em 25 de julho.