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1.O treinador do Sporting acumula até ao momento 18 jogos na Liga dos Campeões, chegou aos quartos-de-final da prova na época passada (o que lhe terá custado, provavelmente, o campeonato, aliás, como chegou a dizer Frederico Varandas, criticando a gestão do seu treinador na abordagem às duas provas) e, neste momento, sem esquecer que na sua estreia na Champions foi eliminado pelo Borussia Dortmund (com um total de 0-3) no respetivo ‘playoff’, regista 44,4% de vitórias, entre as quais o triunfo, já em Janeiro deste ano, frente ao PSG, que já ostentava na altura o título de campeão europeu conquistado em 24-25 e revalidado em 25-26.
2.Rui Borges não é um treinador consensual em Alvalade, porque tem ido do céu ao inferno muito facilmente. Agarra-se e bem, valorizando-a, a ‘dobradinha’ que conquistou há duas temporadas, depois de substituir João Pereira, após o ‘período de ouro’ de Ruben Amorim, durante o qual conquistou cinco títulos para o Sporting (2 campeonatos, 2 Taças da Liga e uma Supertaça), devolvendo aos ‘leões’ uma dinâmica de vitória que não conhecia há 19 anos.
3.Quando Rui Borges, oriundo do Vitória, chegou a Alvalade, o Sporting estava a 1 ponto atrás do Benfica, mas Amorim tinha deixado os ‘leões’ com 6 pontos de vantagem sobre o FC Porto e 8 sobre o Benfica, vantagem essa que João Pereira desperdiçou, com 4 desaires consecutivos (na Champions e na Liga), que determinaram então a decisão de Frederico Varandas (crente na solução João Pereira) em substituí-lo por Rui Borges.
4.O ‘pereirismo’ durou pouco, porque era algo, como dizer?, escanifobético, um choque de conceitos, entre aquilo que era a marca impressiva do futebol de Ruben Amorim e a tentativa de João Pereira de introduzir algumas variantes que pudessem fazer luzir a marca de um treinador sem experiência alguma nestas andanças, e, na altura, Rui Borges teve a inteligência de puxar a fita atrás, recuperar algumas das dinâmicas que haviam tido êxito e, só depois de recuperar a lógica de sucesso, arriscar a colocar a sua própria ‘marca’ no futebol do Sporting.
5.Não é uma marca ‘impressiva’, porque o Sporting alterna bons jogos com maus jogos e uma equipa que quer ser dominante no campeonato português não pode perder 6 pontos em 8 jornadas, sobretudo com adversários de menor valia, como o são o Est. Amadora, o Famalicão e o Arouca (em casa). Três empates em jogos em que Rui Borges esteve a ganhar e perdeu a vantagem, sendo que na partida com o Estrela e com o Arouca chegou a estar a ganhar por 2-0 e o treinador ficou completamente ‘nas covas’, como se costuma dizer. Houve, por isso, ‘lenços brancos’ em Alvalade e neste último jogo com o Lask Linz o Sporting voltou a estar em vantagem mas perdeu-a, porque Rui Borges não estudou bem a equipa austríaca (ou pelo menos não soube passar aos jogadores a forma como o Lask habitualmente joga, muito na pressão) e só conseguiu um último fôlego nos minutos finais, que lhe valeu reduzir o 1-3 para o 2-3 final, deixando em carne viva muitas insuficiências, sobretudo no momento das transições defensivas, para além do facto de ter mexido muito tarde na equipa.
6.Rui Borges voltou a mostrar que não é líder. Não estão em causa a sua honestidade intelectual e a humildade que vai mostrando aqui e ali, com alguns assomos de defesa da honra que habitualmente lhe saem mal, como se viu recentemente; está em causa o discurso pobre, a falta de determinação em tudo aquilo em que se envolve, seja na forma como lida com os inêxitos da equipa, seja pela forma como (não) comunica.
7.O Sporting não tem um líder no banco, não tem um líder dentro do campo, nem na baliza, nem na defesa propriamente dita, nem no ‘miolo’, nem mesmo no ataque. O Sporting chegou a ter Coates (que saiu em 2024), perdeu um líder de um carisma raro já este ano (Hjulmand), que aliás sucedeu ao central uruguaio. O último jogador português que, no (co)mando, fazia sentir a sua influência dentro do campo foi Bruno Fernandes, que tem confirmado, aliás, as suas características de líder.
8.Repare-se no plantel atual: Rui Silva não é líder, nem Eduardo Quaresma nem Gonçalo Inácio têm perfil de autênticos líderes, no meio-campo Altimira tem características mais próximas de um ‘patrão’ mas não as assume (nem verbalmente) e, na frente, Luís Suárez é muito competitivo, mas está demasiado virado para si próprio, é um excelente jogador, mas não só já desrespeitou gravemente o Sporting como é um atleta demasiado ríspido e rude na sua relação com os adversários e com as equipas de arbitragem e, quando assim é, afasta-se da condição de líder. Acredito que, pela sua bonomia, Rui Borges possa conhecer aquela tolerância mínima junto de um balneário muito jovem e, quando teve de lidar com uma situação potencialmente fraturante, com Luís Suárez, preferiu uma atitude conservadora. Recuperou o jogador, é certo, mas não sei até que ponto, num balneário mais maduro, recuperaria o respeito dos seus comandados.
9.Rui Borges pode queixar-se de uma transformação profunda no plantel do Sporting. É um facto. Perdeu (para além de Quenda, que já era perda adquirida) Hjulmand, Francisco Trincão, Diomande, Pedro Gonçalves, Morita e Daniel Bragança, mas a SAD fez um esforço apreciável para lhe dar jogadores capazes de constituir uma equipa competitiva e ganhadora. O Sporting contratou Zalazar por um valor que continuo a achar absurdo (30M€), foi buscar Altimira que é um atleta interessante mas não é um Palhinha; e adquiriu Ibrahima Ba (lesionado) para a defesa, Issa Doumbia para o meio-campo, assim como Silas Andersen e Pedro Lima e, para o ataque, Irankunda e Jesse Derry (emprestado pelo Chelsea), sem esquecer Kaique para fazer concorrência ao guarda-redes Rui Silva, a oscilar tanto como a própria equipa no seu todo. Na pré-época, nos jogos particulares, vi Doumbia, Altimira, Silas Andersen e Zalazar praticarem um futebol muito interessante e com um grau de entrosamento muito raro para quem acabara de se encontrar. Essa manifestação de qualidade criou a ilusão de que as saídas haviam sido compensadas. Hoje, a visão é outra. Os jogadores são bons (estes quatro, pelo menos, têm qualidade para jogar mais e melhor) mas já tenho muitas dúvidas de que algum dos reforços seja melhor do que aqueles que saíram. Uma coisa é certa: Doumbia está muito mal aproveitado, Altimira pode dar muito mais, assim como Silas Andersen e Zalazar. Irankunda é uma boa surpresa, mas o que se está a fazer com Flávio Gonçalves (que potencial!) também ninguém entende. Está a jogar bem? Sai.
10.… E voltamos ao tema da falta de liderança de Rui Borges. Há um défice de andamento, os jogadores têm de ser mais determinados nos duelos, a intensidade tem
de subir os níveis, a pressão tem de ser maior, nomeadamente sobre o portador da bola adversário e, numa palavra, Rui Borges tem de acordar. Esta coisa de parecer que no Sporting está tudo bem ou que é preciso melhorar parece coisa dos anos 80. Rui Borges precisa de refazer as suas lógicas e, se não o fizer, Frederico Varandas tem de fazer alguma coisa, se quer voltar a ser campeão. Ou também vai ficar agarrado à ideia dos ‘ciclos’ e que ganhar não é tudo?!…
EXAME
IURI LEITÂO
19
Segundo titulo mundial do ciclista de pista. Grande atleta!
VICENS
7
Sai de Braga sem história
FARIOLI
6
Incrível como viu jogar o PSV e ainda achou que a sua equipa esteve bem…
FPF
0
Castigo a Cristiano Ronaldo: a multa (255€) foi glosada em todo o Mundo…