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Em Portugal, o cenário é radicalmente diferente: o FC Porto soma vitórias atrás de vitórias e mantém um registo perfeito. Mas convém olhar para lá dos números. Marítimo, Benfica, Alverca, Moreirense, Casa Pia e Torreense são exemplos de jogos em que os azuis e brancos venceram com muitas dificuldades. Inclusive a qualidade futebolística foi pouco diferente daquela apresentada na Europa. A equipa de Farioli também teve dificuldades no último terço, concedeu oportunidades e viveu demasiado do físico e das bolas paradas.
A diferença é que, no campeonato, há outros fatores que ajudam a disfarçar estas limitações – truques e regras próprias decidem a maior parte dos jogos. Contra o PSV, foi quase desconcertante ver Pietuszewski e Alberto Costa protestarem por os seus mergulhos não lhes valerem a falta habitual. Também se nota mais na Europa que a equipa portista parece uma avenida e um caos defensivo por não conseguir estar sempre a parar todos os lances em falta na transição defensiva já que sabem que vão ver amarelos que cá nunca aparecem.
Por outro lado, a agressividade e as tentativas de condicionar a arbitragem parecem ter limites diferentes na Liga dos Campeões. Farioli tentou fazê-lo nos dois primeiros jogos e foi rapidamente admoestado. Cá seria impossível. Como também não devem haver imagens nas cabines dos árbitros a condicioná-los.
No fundo, a questão é simples: o FC Porto pode continuar invicto no campeonato, mas isso não transforma uma equipa pouco convincente numa potência europeia. Quando o contexto deixa de proteger, o futebol que sobra é demasiado pobre para os discursos de grandeza que se ouviram no início da época. E, perante aquilo a que temos assistido, fica a dúvida sobre se o registo perfeito em Portugal reflete a qualidade do FC Porto ou também as condições muito particulares em que tem conseguido vencer.
Visão do Leitor: Vicente Dias