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O comentário de Mbappé sobre o fundador da República Popular da China, Mao Tsé-Tung, continua a gerar ondas de protestos e indignação no país asiático. Além da escalada que o caso já teve, com a imagem do futebolista do Real Madrid proibida na China e as transmissões de LaLiga suspensas, a população também está contra o jogador. Agora, a pressão aumenta sobre o Real Madrid. Meios estatais e plataformas governamentais mostraram indignação e incompreensão pela demora do clube merengue a pedir oficialmente desculpa, quase 48 horas depois do incidente ter lugar, e por fazê-lo, no seu entendimento, sem assumir qualquer tipo de responsabilidade.
Segundo meios chineses, o Real Madrid primeiro, na noite do caso, publicou um vídeo do golo 100 de Mbappé pelo clube. Depois transmitiu aos meios espanhóis que o jogador tinha falado a título pessoal e que a sua relação com os patrocinadores chineses se mantinha inalterada, e só no dia seguinte pediu desculpas, manifestando "pesar pelo incómodo causado ao povo chinês". Acrescentam que Mbappé, que já foi vítima de discriminação, devia dar mais importância ao respeito.
Da China referem que o Real Madrid "deveria refletir sobre mais do que um incidente de comentários inadequados", falam em "superficialidade" e um suposto "duplo padrão", considerando a voz ativa contra a discriminação relacionada com Vinícius Júnior, recorrendo depois ao silêncio "para que o tempo apague a memória pública".
Vários chineses filmaram-se a queimar camisolas de Mbappé, cartazes com o francês foram vandalizados, a sua cara foi cortada ou tapada em produtos à venda.
"Fico extremamente exasperado por ter ouvido isto. Quero que se imponha um boicote total contra ele, e nunca lhe perdoarei. O boicote vai começar agora!", afirmou um cidadão chinês após queimar uma camisola da seleção francesa.
A situação gerada pela polémica reação de Kylian Mbappé a um meme que o comparava a um "ditador chinês", Mao Tsé-Tung, continua a escalar. O jogador pediu desculpa, o Real Madrid também, a LaLiga reuniu com responsáveis da Embaixada da China em Espanha, mas o rombo financeiro para os antes mencionados continua sem travão à vista.
Agora, rótulos de produtos que tinham a cara e nome de Mbappé estão a ser arrancados e nas publicidades, a sua cara está a ser tapada. Foi proibida a sua imagem em ações de marketing e produtos, perderam-se patrocínios e as transmissões do campeonato espanhol foram suspensas.
A Dongpeng Beverage Group, gigante chinesa de bebidas, pôs fim à parceria comercial com Kylian Mbappé, jogador do Real Madrid, na sequência da polémica em torno de um meme que o compara a Mao Zedong. A empresa invocou uma política de "tolerância zero perante comportamentos que firam os sentimentos nacionais", sem esclarecer diretamente os motivos da decisão.
Um porta-voz do Centro de Desporto e Juventude do Grupo de Media da China (CMG) afirmou que a estação não aceita a posição atribuída ao Real Madrid, segundo a qual Mbappé não teve intenção de ofender ninguém e tem direito a expressar as suas opiniões.
O organismo confirmou que, a 26 de outubro, suspendeu as transmissões da Liga espanhola, os conteúdos relacionados com os jogos do futebolista e os anúncios publicitários protagonizados pelo avançado. A decisão tinha sido anunciada na segunda-feira e mantém-se em vigor.
A posição da emissora é clara: enquanto o clube espanhol não apresentar um pedido de desculpas considerado adequado, não haverá margem para novas conversações. "Não há nada a discutir", declarou o representante do CMG.
O conflito começou após a divulgação de uma entrevista em que Mbappé foi questionado sobre o meme da Internet que mais o fazia rir. O jogador referiu uma montagem que sobrepunha o seu rosto ao de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China.
Sem identificar Mao pelo nome, o internacional francês descreveu a figura como "um tipo que penso ser um ditador chinês" e acrescentou que costumava partilhar a imagem com os amigos.
A reação também chegou ao universo digital chinês. A Dongqiudi, plataforma de notícias e comunidade dedicada ao futebol, anunciou que não iria traduzir a entrevista, justificando a decisão com o entendimento de que as palavras do jogador feriam os sentimentos dos adeptos e do povo chinês.