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"Entrei nos 23 da melhor maneira. Talvez ainda não tenha caído a ficha"
Ana Nogueira
Ana Nogueira

Ana Nogueira marcou e o 23.º aniversário ficou ligado à primeira vitória da equipa do Racing Power esta temporada

Ana Nogueira fez 23 anos e o Racing Power ganhou. Melhor ainda: foi dela o golo que decidiu o encontro diante do Valadares. Um cabeceamento ao primeiro poste, três pontos e uma prenda de aniversário com assinatura própria. A vantagem resistiu até ao apito final e valeu ao Racing Power a primeira vitória na Liga BPI. No fim, Ana Nogueira não quis ficar com os louros. O golo foi seu, mas a vitória, essa, pertenceu a todas. É essa ideia de grupo que a portuguesa leva do encontro e que quer transportar para uma época em que encontra um Racing Power mais experiente, com novas soluções e margem para crescer.

Depois da derrota com o Benfica, era importante dar uma resposta? Que significado têm estes primeiros três pontos?

-Sabíamos que era importante para nós pontuar nesta jornada. Trabalhámos durante a semana com esse intuito, sabendo que seria um jogo bastante difícil, mas competitivo dos dois lados. Fomos com os nossos objetivos bem definidos e, no fim, os três pontos ficaram em casa.

Foi um jogo de poucos espaços e muito equilíbrio. O que fez a diferença para o Racing Power sair por cima?

-Sobretudo perante as adversidades que o jogo trouxe, acho que soubemos ser uma equipa unida nesses momentos. Senti que, ali, corríamos umas pelas outras, defendíamos umas pelas outras e atacávamos umas pelas outras.

O golo surgiu numa altura em que o Valadares teve mais iniciativa. Sentiram que esse momento podia mudar o jogo?

-Acho que, sem dúvida, foi um prémio por todo o esforço coletivo. Sabíamos que era importante entrar em vantagem numa partida destas, causar ansiedade e nervosismo ao adversário. Conseguimos ter controlo sobre a partida, sobretudo emocional, e soubemos geri-lo bem. Mas, como é óbvio, ainda nada estava ganho e sempre estivemos cientes disso.

Depois veio uma segunda parte de resistência. O que foi preciso para segurar o resultado?

-Espírito de equipa. Acho que, num jogo como este, em que as duas equipas procuram ganhar, o esforço coletivo faz toda a diferença. Sabíamos que o Valadares ia responder forte e assim o fez. Mas falo por mim e penso que também pelas minhas colegas: perder nunca foi hipótese. Trabalhámos durante a semana de maneira a responder bem a qualquer tipo de adversidade ou desconforto que o Valadares nos pudesse criar. Estávamos bem cientes do que tínhamos de fazer.

E chegamos ao momento que lhe pertence. O canto da Joana, o ataque ao primeiro poste e a bola dentro da baliza. O que viu naquele instante?

-É algo que treinamos durante a semana, temos tudo muito bem definido. Sabia que aquela bola vinha na minha direção, ataquei o meu espaço e, felizmente, estava no sítio certo à hora certa. Tudo se tornou mais fácil com a bola da Joana.

E tudo isto no dia em que fazia 23 anos. Melhor prenda era difícil, não?

-Sem dúvida, um aniversário especial. Acho que melhor era impossível. Sinto que foi uma prenda coletiva. Entrei nos 23 da melhor maneira possível. Talvez ainda não tenha caído a ficha, foi um sentimento único. Mas mais feliz e satisfeita fiquei pelo resultado em si. Fui eu, mas podia ter sido outra colega. O importante aqui foram os três pontos, por tudo o que a equipa fez durante os 90 minutos.

O golo e a vitória dão também um empurrão extra à confiança?

-Sinto-me confiante, não só pela vitória e pelo golo, que dá sempre um "boost" extra, mas, sim, pela forma como trabalhamos diariamente. Temos de aproveitar este bom momento para ganhar balanço e continuar com a corrente de bons resultados.

Este Racing Power sofreu várias mudanças no verão. O que encontra de diferente nesta equipa?

-Temos uma equipa mais experiente, sem dúvida. Diferentes características, mais diversidade. Muitas mudanças, é verdade, mas que vieram acrescentar ao que ficou. Foi apenas o segundo jogo, ainda há muito para disputar, muito para melhorar. Portanto, daqui para a frente, só temos margem para evoluir.

Há uma meta definida ou a palavra de ordem é mesmo jogo a jogo?

-Preferimos pensar jogo a jogo. Trabalhar em volta do adversário semana após semana, mas, é claro, sempre com o mesmo objetivo em mente, que são os três pontos. Respeitamos qualquer adversário da mesma maneira, encarando cada jogo com a máxima seriedade.

Que Liga BPI espera encontrar ao longo dos próximos meses?

-Espero encontrar um campeonato bastante competitivo. Acho que cada equipa, dentro das suas possibilidades e limitações, foi capaz de se reforçar com o intuito de fazer melhor do que na época passada. Acho que haverá muitas surpresas, muitas revelações e, sobretudo, muito entretenimento e espetáculo.

Voz e liderança como armas

Ana Nogueira coloca o coletivo à frente de qualquer objetivo pessoal. "Ajudar a equipa o máximo possível. Muitos dos objetivos individuais que temos são, de facto, reflexo do trabalho diário de uma equipa, não só de jogadoras, mas também do staff. Portanto, enquanto conseguir ajudar, o resto virá por acréscimo", diz a defesa, numa época em que também assume responsabilidades dentro de campo. A voz e a liderança, explica, são duas das características que procura colocar ao serviço do Racing Power, sobretudo pela posição que ocupa. "Basicamente, características da minha posição. Acho que é esse o meu papel principal quando estou no campo", resume.

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