Voltar
Não precisam de uma classificação brilhante para encher o peito de orgulho e o estádio de gente. Precisam, sim, de uma equipa que honre a camisola e dê-lhes motivos para acreditar.
O 5-0 do Vitória ao Marítimo foi mais do que uma goleada. Foi o grito de alegria de um clube e de uma massa adepta que, após várias desilusões, já mereciam uma noite assim, poderosa e hipnótica como se estivéssemos a ouvir Marianne dos Fontaines. O triunfo não apaga tudo o que correu mal antes, mas também seria um erro olhar para este resultado como apenas mais um, é preciso saboreá-lo, porque em Guimarães ganhar tem um significado que vai muito além dos três pontos.
São adeptos especiais, pela exigência, entrega e forma como vivem o clube. Não precisam de uma classificação brilhante para encher o peito de orgulho e o estádio de gente. Precisam, sim, de uma equipa que honre a camisola e dê-lhes motivos para acreditar. Contra o Marítimo, houve golos, futebol e um ponta-de-lança a chamar a atenção: Jakupovic. Agora resta perceber se a goleada é um sinal de mudança ou somente uma pausa feliz numa época de dificuldades, sendo certo que o Vitória não pode, ou não devia, viver de entusiasmos ocasionais, precisa de continuidade, ambição e responsabilidade.
Os seus adeptos merecem e o futebol português também, aguardando-se há tanto tempo a chegada de mais uma equipa capaz de incomodar quem se habituou a mandar. A força das bancadas de Guimarães, um fenómeno bonito que se torna cativante nas deslocações, não encontra muitos paralelos e tem responsabilidades no facto de cada vez mais jovens gostarem do clube da sua cidade e não engrossarem as fileiras dos grandes exércitos. O verdadeiro adepto não exige títulos à sua equipa, exige honra e compromisso. E Guimarães é muito isso.