Voltar
Humberto Coelho não esconde a desilusão com a crise que levou Cristiano Ronaldo a abandonar o estágio da Seleção Nacional e critica a forma como a situação foi gerida. O antigo capitão, selecionador e vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) garante que, se estivesse no lugar de Jorge Jesus ou dos jogadores, o episódio não teria acontecido.
“Eu sei é que se eu fosse selecionador, isto não acontecia. Isto com certeza. E se fosse jogador também penso que não, porque fui capitão da seleção e acho que não deveria acontecer”, afirmou Humberto Coelho, em entrevista ao programa Bola Branca, da Renascença.
O antigo internacional português, que foi vice-presidente da FPF entre 2011 e fevereiro de 2025, considera que a polémica prejudicou tanto Cristiano Ronaldo como a própria Federação.
“Ninguém ganhou. Ninguém ganhou e ninguém vai ganhar. Isto foi, de facto, um período muito, muito complicado, muito negro. Não só para o Cristiano Ronaldo, mas também para a federação”, lamentou.
Humberto Coelho recordou ainda o contributo do jogador para o futebol português, sublinhando que se trata de “um jogador extraordinário e que fez muito pela seleção nacional e por Portugal”.
Com Pedro Proença e Jorge Jesus a admitirem a possibilidade de um regresso de Cristiano Ronaldo, uma das questões que se coloca é saber se o avançado deverá recuperar a braçadeira de capitão.
Para Humberto Coelho, a resposta não depende apenas do selecionador ou da Federação, mas também do próprio balneário.
“Isso depende tudo dos jogadores, não é? Porque há uma coisa que é importante, é me parece que os jogadores hoje estão com o Jorge Jesus”, observou.
Ainda assim, o antigo capitão não tem dúvidas sobre quem deveria usar a braçadeira caso Ronaldo regresse.
“Eu acho que ele é de facto o capitão. A gente esteve 20 anos com o Cristiano Ronaldo a apoiar e a andar com a seleção às costas”, defendeu.
Humberto Coelho gostaria de voltar a ver Cristiano Ronaldo representar Portugal, mas considera fundamental que o eventual regresso seja preparado com cuidado e com o compromisso de todos os envolvidos.
“Eu gostava que ele voltasse, não é? Mas que voltasse não para haver mais situações como esta. Tinha de estar tudo de acordo e isso compete ao selecionador, ao presidente e ao Cristiano”, afirmou.
O antigo dirigente insiste que é necessário definir responsabilidades antes de qualquer decisão.
“Tem de haver um entendimento, mas um entendimento que seja bom. E que as pessoas se responsabilizem. Porque se o regresso não for bem delineado e bem preparado, com responsabilidade, não adianta. Porque aí pode haver outra vez problemas graves”, alertou.
Quanto ao castigo aplicado a Cristiano Ronaldo por ter abandonado o estágio da Seleção, Humberto Coelho concorda com a suspensão, mas critica o valor da multa.
“Era importante que, de facto, ele fosse suspenso. Isso é uma coisa. Agora, dar uma multa de 255 euros... acho isso um bocado fora do contexto, não ajuda nada”, considerou.
Humberto Coelho conhece bem a realidade da Seleção Nacional: foi capitão durante uma década, entre 1973 e 1983, tendo usado a braçadeira em 63 jogos. Mais tarde, assumiu funções de selecionador, embaixador e vice-presidente da Federação, cargo que ocupou durante 14 anos.
Foi precisamente enquanto dirigente federativo que acompanhou grande parte do percurso de Cristiano Ronaldo na equipa das Quinas.