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Há vida para Infantino. Volte-face muda tudo nas eleições da FIFA

AFC volta atrás e junta-se a CONMEBOL, CAF e OFC no apoio a Gianni Infantino. UEFA e CONCACAF mantêm o bloqueio e procuram outro candidato, mas podem não ter força suficiente para impedirem a reeleição como presidente da FIFA.

Há vida para Infantino. Volte-face muda tudo nas eleições da FIFACréditos:Getty Images

A AFC (Confederação Asiática de Futebol) protagonizou, esta sexta-feira, um autêntico volte-face, ao declarar o apoio à recondução de Gianni Infantino na presidência da FIFA, tendo em vista as eleições que estão agendadas para 18 de março do próximo ano civil de 2027, em Rabat, Marrocos.

O organismo assinara, há menos de três meses, uma carta conjunta com a UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) e a CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), na qual expressara uma "quebra fundamental de confiança" no ítalo-suíço, por conta das polémicas que se seguiram ao Mundial.

No entanto, no congresso extraordinário levado a cabo em Tóquio, no Japão, o seu líder máximo, Salman bin Ibrahim Al Khalifa, recuou na palavra e 'aliou-se' ao advogado: "Reafirmamos o nosso total compromisso em apoiá-lo a si e à sua liderança na busca de um novo mandato como presidente da FIFA".

"Penso que visitou muitos países na Ásia. Falei com muitos membros neste continente. Conheço o vosso sentimento. E penso que o vosso compromisso também é claro. O vosso apoio a Gianni é muito claro (...). O meu sentimento é, estou certo, o sentimento da maioria dos meus membros. E já lhes disse isso", acrescentou.

Quem está com Gianni Infantino? E quem está contra?

Além da AFC, também a CONMEBOL (Confederação Sul-Americana de Futebol) declarou, em agosto, o apoio a Gianni Infantino, pela voz do seu presidente, Alejandro Domínguez: "Estamos a trabalhar firmemente pela saúde do futebol, por tudo aquilo em que se tem transformado o futebol. Temos de ser sinceros, temos um líder para essa transformação".

"O Campeonato do Mundo de 48 seleções foi um êxito, mais do que eu esperava, pessoalmente. Esse presidente é Infantino. Temos de reconhecer esse grande trabalho, entre muitos outros", apontou. Mais tarde, em outubro, foi a vez de a CAF (Confederação Africana de Futebol) seguir o exemplo.

"Existe uma decisão unânime das 54 associações-membro da CAF de apoiar incondicionalmente Gianni como presidente da FIFA", referiu o seu líder máximo, Patrice Motsepe, durante uma conferência que teve como objetivo discutir o estado do futebol do continente, realizada em Cabo Verde.

Pelo meio, a OFC (Confederação de Futebol da Oceânia) aplaudiu o recuo do projeto da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que teria como objetivo vender parte da vertente comercial das provas que organiza (entre elas, o Campeonato do Mundo) a investidores privados e teceu rasgados elogios ao trabalho levado a cabo por Gianni Infantino.

"O desenvolvimento do futebol permanece a prioridade da OFC. A confederação vai continuar a apoiar iniciativas que fortaleçam o jogo e criem oportunidades significativas e sustentáveis para o desenvolvimento do futebol ao longo da Oceânia e do mundo", sublinhou, em comunicado.

Como está a divisão dos votos

Tendo em conta que os regulamentos da FIFA prevêem que as eleições sejam decididas por maioria mínima, bastará a Gianni Infantino reunir 106 dos votos das 210 federações-membro com direito de voto (a do Nepal seria a 211.ª, mas está suspensa, por interferência governamental), e as atuais circunstâncias são-lhe favoráveis.

Isto porque, juntas, AFC, CONMEBOL, CAF e OFC representam 120, contra os 90 de UEFA e CONCACAF. No entanto, é preciso referir, tudo pode acontecer, até porque não faltam casos de federações-membro 'dissidentes', como é o caso do México (votará a favor da reeleição, contra a indicação da CONCACAF) ou da Nova Zelândia (votará contra, apesar do posicionamento da OFC).

Até ao momento, Ramón Vega, antigo internacional suíço, é o único candidato assumido contra Gianni Infantino, nas eleições para a presidência da FIFA. Nos 'bastidores', continua a procura por uma alternativa forte, sendo que Aleksandr Ceferin e Victor Montagliani, líderes máximos, respetivamente, de UEFA e CONCACAF, continuam a ser apontados como hipóteses a ter em conta.

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