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Iúri Leitão vai descansar, mas pouco: "Não consigo ficar três semanas sem andar de bicicleta..."

Iúri Leitão viveu um 2026 de sonho, juntando o título mundial e europeu no omnium à sua melhor época na estrada, com o campeão olímpico a parar agora "duas semanas, no máximo" antes de definir os objetivos para o próximo ano.

"Aquilo que fiz foi o máximo que eu podia, nas condições em que eu estava este ano. Consegui preparar-me bem para o Campeonato da Europa. Fizemos duas medalhas nas duas modalidades olímpicas. Consegui manter uma regularidade muito grande na estrada. Três vitórias, o máximo de pontos UCI [União Ciclista Internacional] que eu já fiz na minha vida", começou por enumerar, em entrevista à agência Lusa.

O vianense de 28 anos abriu a época com a conquista do primeiro título europeu de elites para Portugal em disciplinas olímpicas, sagrando-se campeão no omnium um dia antes de alcançar a prata no madison ao lado de Diogo Narciso.

Na estrada, venceu a clássica Loire Atlantique, a segunda etapa no Grande Prémio Anicolor e a última do Tour de Qinghai.

"E termino a época com o título mundial e uma medalha de prata no madison com o Ivo [Oliveira]. Eu acho que é uma época de sonho. Se me dissessem na pré-época passada que ia ser assim, eu assinava logo, sobrescrevia que estava extremamente satisfatório. Então, acho que posso terminar esta época com o sentido de dever cumprido e motivado para, na próxima época, tentar repetir ou fazer algo melhor", afirmou.

Leitão ri-se quando questionado pela Lusa sobre se já perdoou a sua equipa, a Caja Rural, por não o ter levado à Volta a França.

"Nunca tive nenhum problema com isso, especialmente pelas circunstâncias que foram. Eu fazia parte da long list dos atletas que estavam pré-selecionados para o Tour. Dos oito que foram, eu acho que estávamos 10 ou 11 ciclistas pré-selecionados. E eu tive uma queda grave ali no meio/fim de maio, que me fez estar uns 20 dias sem andar de bicicleta", recordou.

Quando regressou aos treinos, já tinha os colegas a estagiar em altitude, pelo que considera que seria "completamente inviável e irresponsável" se a formação espanhola o tivesse levado à Volta a França.

"Fiquei em casa muito contente de vê-los, apoiá-los desde casa com muito desejo de lá estar, mas sabendo que não era viável eu estar no Tour", completou.

O campeão olímpico de madison - com Rui Oliveira - renovou contrato com a Caja Rural até 2028, com a equipa do segundo escalão do ciclismo mundial a destacar no momento do anúncio o facto de o vianense ir defender o título como seu ciclista em Los Angeles'2028.

"A Caja Rural já teve ciclistas de pista no passado, mas é todo um processo para uma equipa ter essa visão de que a pista pode ser benéfica. E agora também com a nova regra do sistema de pontos a equipa vai ter algum benefício da minha participação em provas importantes na pista. [...] Isso também acaba por ser uma motivação à equipa a valorizar um pouco mais, a acompanhar mais e a dar-me um pouco mais de liberdade", afirmou.

Leitão garante que os espanhóis "não têm falhado" em nada no apoio à sua carreira de pista, contando que a preparação para os próximos Jogos Olímpicos foi um dos pontos abordados na altura da renovação.

"Sei que posso contar com o apoio deles e com todo o acompanhamento deles também nesse processo. Tenho essa liberdade de poder, às vezes, não competir e deixar a equipa um pouco desfalcada. Provavelmente, eles quereriam que eu estivesse disponível, mas eles fazem esse esforço de me deixar livre para eu poder preparar as provas de pista", elogiou.

Descanso de duas semanas, "no máximo"

Agora, o multimedalhado pistard vai descansar "umas duas semanas, no máximo". "Pelo professor Gabriel [Mendes, selecionador de pista] seriam três, mas eu acho que não consigo ficar três semanas sem andar de bicicleta", assumiu com um sorriso.

"Pelo menos, uma semaninha de tranquilidade, e depois na segunda semaninha talvez em casa, com alguns afazeres que ficam pendentes durante o ano, porque o Iúri Leitão ciclista não tem tempo de cumprir com muitas coisas. Mas é basicamente isso: descansar um pouco a cabeça, passar tempo com a família e com a esposa, e recarregar baterias para a temporada que vem", descreveu.

Após as férias, iniciará a preparação para 2027, com o Campeonato da Europa de pista a ser o seu primeiro grande objetivo, numa temporada que, na estrada, começará provavelmente em meados de janeiro.

"Depois, a partir daí, dependendo daquilo que for o meu calendário de estrada, vamos redesenhando objetivos", antecipou.

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