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Bruno Fernandes pode deixar de ser capitão do Manchester United? Carrick não foi claro

Treinador dos 'red devils' deixou longa mensagem antes de ser confrontado com qualquer pergunta na conferência de imprensa

Bruno Fernandes pode deixar de ser capitão do Manchester United? Carrick não foi claro

A viver um momento de forte pressão e incerteza quanto ao seu futuro em Old Trafford, Michael Carrick garantiu de forma convicta que o balneário do Manchester United não está dividido, demonstrando total confiança na capacidade de inverter o rumo dos acontecimentos.

Numa conferência de imprensa que arrancou com um discurso emotivo de mais de cinco minutos, antes mesmo de qualquer pergunta, o técnico admitiu que a equipa se perdeu e apelou ao respeito pelo clube. O Manchester United atravessa a sua pior série de resultados desde 2015, somando sete encontros consecutivos sem vencer. O mau momento transbordou para fora das quatro linhas nas últimas duas semanas, com o capitão Bruno Fernandes e Lisandro Martínez a tornarem públicas as suas frustrações.

O médio internacional português questionou abertamente as opções táticas da equipa técnica na pesada derrota por 4-1 diante do Como, a contar para a Liga dos Campeões — uma postura que mereceu duras críticas por parte de antigos jogadores do clube. Confrontado sobre uma eventual fratura no grupo de trabalho, Carrick foi perentório: «Não está dividido. Só precisamos de voltar a fazer o que fazemos de melhor. E vamos fazê-lo.»

Questionado sobre uma possível punição a Bruno Fernandes, quer através da perda da braçadeira de capitão quer por via do afastamento da equipa, o treinador esquivou-se a medidas diretas: «O mais importante para mim é a equipa e a dinâmica do plantel. O que importa é o clube de futebol. Seja qual for a situação, farei sempre o que for melhor para o clube.»

Sem confirmar se manteve uma conversa privada com o camisola 8, Carrick falou também do assalto à mansão do jogador, precisamente quando a equipa jogava em Itália: «É algo horrível de ouvir, alguém passar por isso. Estamos a dar apoio ao Bruno e à família. Felizmente não foram diretamente afetados, mas não deixa de ser uma situação horrível.»

De regresso ao tema da crise de resultados, o técnico revelou ter reunido com a administração, ciente da apreensão crescente da estrutura diretiva.

«É bastante óbvio o que todos estamos a sentir», assumiu o técnico dos red devils. «A responsabilidade por estar nesta posição é liderar. O que acontece no relvado é da minha responsabilidade. Segurarei o guarda-chuva para me molhar e deixar que todos os outros fiquem secos. Essa é a posição privilegiada em que me encontro.»

Na introdução à conferência de imprensa, o treinador detalhou a situação delicada que o clube atravessa.

«Vou começar eu hoje. Quero apenas dizer algumas coisas, verdadeiramente. É importante. Ultimamente não temos tido um bom período, isso é bastante óbvio. Aceito totalmente aquilo por que estamos a passar neste momento. Tivemos cinco meses de relativo sucesso, numa fase em que estava satisfeito com muitas coisas que via e que fazíamos enquanto equipa.»

«Não estivemos suficientemente bem nos últimos tempos, é óbvio dizê-lo, e tivemos um período com o qual não estamos nada contentes. Quarta-feira foi uma noite má, foi uma noite má por várias razões e que doeu muito. Doeu-me ver-nos a jogar daquela forma, ver como o jogo se desenrolou. Como disse, após a partida, foi realmente inaceitável jogar assim e estar assim. Os adeptos são uma enorme parte deste clube; vê-los a fazer o esforço, a gastar tempo e dinheiro para nos apoiar na quarta-feira e sair com aquele sentimento após o jogo, tal como todos nós sentimos, foi um momento duro. É bastante evidente», acrescentou, na antevisão do jogo com o Bournemouth, agendado para domingo.

Carrick manifestou a importância de recuperar «a ligação, o vigor, intensidade, prazer e paixão». «É algo a que precisamos de regressar e a que vamos regressar. Acredito plenamente nisso, mas é fundamental reconhecermos que não o temos feito», reforçou.

«A fundação e os valores deste clube foram estabelecidos e gravados há muitos anos e compreendo perfeitamente cada um deles. Tudo se resume a humildade, a ser humilde, a trabalhar no duro e ter orgulho em trabalhar no duro e em viver de acordo com esses valores. Há uma resiliência neste clube que foi demonstrada ao longo de muito tempo. Seja a recuperar de adversidades, reviravoltas, golos tardios, sucesso ou sustentar o sucesso, há uma resiliência neste clube que é muito profunda», vincou Carrick, lembrando que o clube está acima de tudo.

«Vi isso com os meus próprios olhos, senti-o, conheço de perto algumas das pessoas que foram uma grande parte dessa história. Disse-o após o jogo: o Manchester United é sempre maior, sempre foi e sempre será maior do que qualquer indivíduo isolado. Maior do que eu, maior do que qualquer um dos jogadores, e sempre assim foi», afirmou, entre referências a lendas dos red devils.

«Tenho a sorte de conhecer alguns jogadores pessoalmente e de ter jogado com alguns — Ryan Giggs, indiscutivelmente um dos maiores a jogar por este clube de futebol. Nunca foi sobre Ryan Giggs, foi sobre o Manchester United. Wayne Rooney foi o melhor marcador deste clube de futebol. A sua maior virtude era jogar pela equipa, sacrificar-se pela equipa e pelo que era bom para o Manchester United. Sir Alex Ferguson, o melhor treinador de todos os tempos, o maior para mim e com quem trabalhei, a sua principal prioridade era o Manchester United. Recuando a Sir Matt Busby, Sir Bobby Charlton, a resiliência que demonstraram e a forma como reconstruíram este clube esteve para lá do imaginável.»

A receita para o sucesso passa, assim, pela entreajuda e pelo compromisso total: «Estou plenamente consciente disso: exige trabalho árduo, exige muito sacrifício. É preciso investirmo-nos no clube de futebol e fazer muitas coisas que talvez não sejam tão agradáveis, mas temos de o fazer uns pelos outros e temos de vencer. É importante que estejamos à altura disso, é importante para mim promover esses valores e é importante que os nossos adeptos sintam isso. Olhando em frente, já tivemos isso, perdemos um pouco o rumo, se for totalmente honesto, e vamos recuperá-lo. Estou totalmente confiante de que o vamos recuperar. Respeitem este clube de futebol, respeitem o que isso exige, porque é muito, muito importante para mim.»

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