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Convocada para apreciação e votação, pela primeira vez, do relatório de gestão e das contas consolidadas e individuais, referentes ao exercício de 2025/26, a Assembleia Geral do Benfica, que prometia estender-se no tempo por permitir que fossem colocados todos os temas em cima da mesa da discussão, terminou durante a tarde com a aprovação por larga maioria, depois de várias horas em que o presidente Rui Costa respondeu a tudo e ainda disparou para longe, visando alvos... rivais.
Pouco antes das 20h00 ficou a saber-se que os 8190 votantes - a votação foi via eletrónica - deram luz verde às contas com 73,68 por cento de votos favoráveis, contra apenas 26,32 por cento, o que significa que a Direção liderada por Rui Costa superou mais este teste à sua gestão, apesar do rol de críticas que se centraram, além dos números do relatório, sobretudo na relação do clube com Pedro Proença (presidente da Federação Portuguesa de Futebol), na arbitragem e na centralização dos direitos televisivos.
Antes de dar resposta às questões que lhe foram colocadas, o líder dos encarnados defendeu que o relatório e contas apresentado é "um retrato fiel da atividade do Sport Lisboa e Benfica e expressa uma trajetória económica e financeira que cimenta a robustez do clube", recordando que "o resultado positivo consolidado ascendeu a quase 24 milhões de euros, um valor que permite, uma vez mais, reforçar os fundos patrimoniais, que se situam agora próximos dos 60 milhões de euros", sendo "um dos montantes mais elevados de sempre na história" do clube.
No discurso de abertura, o antigo camisola 10 voltou a reconhecer que a época passada foi "frustrante". "E digo-o sem rodeios: não basta ao clube terminar uma temporada apenas com uma Supertaça. Procurámos corrigir o que não correu tão bem na última época e estamos convictos de que as alterações efetuadas nos colocam no caminho certo, naquilo que é da nossa exclusiva responsabilidade e controlo".
Seguiu-se a centralização dos direitos televisivos, agradecendo "aos mais de 85 mil sócios, adeptos e cidadãos em geral que assinaram a petição lançada pelo Benfica em defesa do futebol português e pela revisão do atual modelo de centralização". "Vamos lutar até ao fim por uma causa que é justa e vamos, de forma intransigente, defender os interesses do Benfica. Foi mais um passo dado e agora outras ações e iniciativas irão ter lugar, porque não desistiremos da razão que nos assiste."
No período de respostas, Rui Costa destacou que "o facto de não se ter falado de jogadores e do plantel é um bom sinal". "É um sinal que estamos todos em conjunto otimistas perante aquilo que a equipa está a fazer, esperando que seja um ano onde possamos festejar o tão almejado 39", disse, depois de Pedro Proença ter "entrado" na AG pela mão de vários sócios que questionaram a relação do Benfica com o líder federativo.
"Em relação a Pedro Proença, nós temos toda a independência para atuar sobre o que quisermos fazer no futuro, porque não estamos e nunca estaremos amarrados a ninguém. Não estamos nem nunca vamos estar reféns de quem quer que seja porque a nossa defesa é do Benfica e não de qualquer outra entidade, presidente ou instituição. Tomaremos as decisões que teremos de tomar no futuro com a liberdade que nós enquanto Benfica temos de ter e teremos sempre, pelo menos enquanto eu aqui estiver", reagiu o presidente dos encarnados.
Quanto à arbitragem, considera Rui Costa ser este um tema que "preocupa a todos e não apenas de hoje". "Mais do que falar publicamente", os encarnados procuram "travar uma batalha nas instituições" e disparou. "Não sou um papagaio falante como muitos que andam aí no futebol português, que terão as respostas na altura certa e nos sítios certos e não diariamente. Nasci com uma cultura aqui dentro, somos um bocadinho superiores nesta matéria. Às vezes, poderemos dizer mais qualquer coisa, concordo com isso e não tenho problemas nenhuns a assumir essa responsabilidade e essa culpa, mas essencialmente o que precisamos de fazer é combater nas instituições para se mudar algo que está instalado há muitos e muitos anos", explicou, lembrando que o Benfica apresentou "um documento vasto para a reforma da arbitragem e é sobre estas matérias que é preciso trabalhar e é aqui que está a tolerância zero".
A centralização não ficou de fora da sua reação final, com Rui Costa a historiar o processo e a apontar que "o único que está a perder realmente é o Benfica. E por isso é o único que está nesta batalha". "Quando o processo avançar e perceber-se que estes valores não são reais e que vai haver mais clubes a perder, então o Benfica não estará sozinho nesta batalha. Mas até lá, e mesmo que esteja sozinho, vai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para defender os seus direitos. Jamais aceitaremos de ânimo leve, que o Benfica perca valor com a centralização dos direitos. E essa batalha vamos trabalhar em todas as instâncias", completou o presidente do emblema benfiquista.
Rui Costa apresentou o novo emblema dos encarnados que vai já surgir nos novos cartões de sócios, tendo sido um dos momentos em que foi mais aplaudido. Além de anunciar "a entrada de mais de 30 mil novos sócios na época passada e mais 11 mil novos sócios desde o dia 1 de julho até agora", o líder do clube deu a conhecer "o novo emblema que vai ao encontro do que ficou definido aquando da última revisão dos Estatutos e que vai constar nos novos cartões de sócio a serem entregues após a renumeração". Entre as mudanças, a águia volta a segurar a faixa do lema onde se lê "E pluribus unum" e o aro da roda da bicicleta passou a dourado em vez de branco.
Dirigente desvaloriza prejuízo da rádio e aponta a receitas "de 1 a 1,5 milhões de euros no prazo de quatro a cinco anos"
José Gandarez, vice-presidente do Benfica, fez ontem um ponto de situação da Benfica FM, rádio que funciona ainda de forma digital sete meses após o arranque do projeto, admitindo que os resultados negativos averbados (886 mil euros negativos) até agora são normais. "O plano de negócios prevê resultados progressivos. Não estão previstas receitas comerciais relevantes nos primeiros dois anos. Os resultados negativos merecem escrutínio, mas não podemos exigir resultados ao fim de alguns meses", sublinhou, destacando que a decisão desfavorável da Entidade Reguladora para a Comunicação Social impede a rádio de ir para o ar, mas isso não trava a colocação de metas ambiciosas, estimando atingir entre 1 e 1,5 milhões de euros em receitas publicitárias no prazo de quatro a cinco anos.
O Benfica District, projeto que irá revolucionar o Estádio da Luz e a sua zona envolvente, está na fase do processo de licenciamento, garantiu no sábado Nuno Catarino, vice-presidente do Benfica e CFO da SAD, durante a apresentação do Relatório e Contas consolidado na Assembleia Geral. "O Benfica District está nas últimas fases de licenciamento. É um projeto grande e importante para a cidade. Há o compromisso da Câmara Municipal de Lisboa para que o projeto aconteça. Acreditamos que a aprovação vai acontecer", assegurou, com confiança, o dirigente.
Ex-candidato à presidência do Benfica solicita que seja dado seguimento ao processo, que pode resultar na expulsão do antigo árbitro, "sem medo, nem politiquices"
Ex-candidato à presidência do Benfica, João Diogo Manteigas avançou contra Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, tendo entregue na Assembleia Geral um requerimento para a instauração de um processo disciplinar ao líder federativo, que é sócio dos encarnados, podendo resultar na sua expulsão, competindo à Direção aceitar ou recusar a sua abertura. "Entrego-lhe agora em mãos, à frente dos nossos consócios como testemunhas, uma participação disciplinar contra Pedro Proença, sócio 5172 do nosso clube e que foi subscrita por vários sócios do Sport Lisboa e Benfica", anunciou.
Na base desta iniciativa estão os áudios polémicos de Pedro Proença que viralizaram a 28 de julho e que, para Manteigas e seus seguidores, são "uma afronta inqualificável à dignidade e ao bom nome do Sport Lisboa e Benfica" e "uma pura violação" dos Estatutos. "Não podemos exigir aos outros respeito pelo Benfica se não formos os primeiros a fazê-lo respeitar. Por isso, solicito a V/ Exa. e à Direção que seja dado seguimento a esta queixa sem medo, nem politiquices! Não desiludam os sócios, pois já os deviam ter ouvido há muito tempo", referiu, deixando uma garantia a Rui Costa: "Prometo-lhe que em todas estas lutas contará comigo e com todos os benfiquistas, incluindo aqueles que não votaram em si. Porque acima de qualquer presidente, Direção ou divergência, estará sempre o Benfica".
Das contas à arbitragem e à centralização dos direitos de TV, dos resultados desportivos ao papel de Marco Silva, ouviu-se de tudo na AG. "No plano financeiro, salta à vista o perigo da falta de caixa, ou seja, dinheiro, bem como a diferença abissal entre o ativo e o passivo corrente das empresas do grupo Benfica", disse João Diogo Manteigas, que lembrou os maus resultados desportivos, por exemplo, no futebol, elogiando a contratação de Marco Silva, embora o ex-candidato à presidência deixe um alerta: "O treinador do Benfica não é o diretor de comunicação".
Também Mauro Xavier carregou nas críticas. "Os custos operacionais subiram mais de 4% e as receitas caíram cerca de 3%. Sem as transferências de jogadores e os 15 milhões de José Mourinho, o défice operacional rondaria os 75 milhões de euros. E esta época, fora da Champions, estima-se uma perda de 30 a 35 milhões". E visou a inércia no ataque ao "estado putrefacto" da arbitragem e à centralização dos direitos de TV, pois "é preciso liderar, construir maiorias e fazer valer o peso do Benfica".