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Ricardo Carvalho concedeu uma entrevista ao 'La Vanguardia' depois de ter estado quase quatro anos a trabalhar na Seleção Nacional como adjunto de Roberto Martínez e revelou os seus planos para o futuro.
"Foi um prazer trabalhar com Roberto Martínez, um privilégio. Neste momento estou com tempo para me formar. Falta-me o diploma UEFA Pro e quero que a minha próxima etapa como treinador seja ainda melhor. Tenho três filhos e também quero compensar o tempo perdido quando era futebolista, estando com eles", começou por dizer.
A personalidade de José Mourinho e o discurso na final da Liga dos Campeões em 2004
O antigo internacional português é o jogador que mais anos trabalhou com José Mourinho e mais jogos fez sob a orientação do mesmo - 293. Trabalhou com o compatriota no FC Porto, Chelsea e Real Madrid e garantiu que o técnico tem mau perder.
"Ele está mais maduro, moderado e pacificador, mas não sabe lidar com a derrota. Se as coisas não correrem bem, ele vai chatear-se. Aprendi muito com ele e sei que o melhor é aceitar a sua personalidade. Como jogador, pensas que ele quer o melhor para a equipa, não há nada pessoal com ninguém, ele quer o máximo. Não te podes chatear com ele, fará tudo o que for possível para ganhar", explicou.
Nos dragões, venceram a Liga dos Campeões em 2004 e Ricardo Carvalho recordou o discurso de Mourinho antes da final frente ao Monaco, que o FC Porto venceu por 3-0.
"Insistiu na ideia de ganhar e não apenas de jogar. Explicou que ninguém ali sabia ao certo se voltaria a ter aquela oportunidade. Crescemos pessoal e profissionalmente com ele nesse momento", revelou.
Messi, o falso nove impossível de travar e os limites ultrapassados no Real Madrid
Mais tarde, quando esteve no Real Madrid de 2010 a 2013, a rivalidade com o Barcelona estava no auge e os clássicos eram jogados no limite.
"É preciso ter limites e houve vezes em que, nesses clássicos, passávamos esse limite. Também é compreensível porque é o jogo que toda a gente no mundo quer ver. Divertes-te porque sabes que jogas por um dos dois dos melhores clubes do mundo", afirmou antes de revelar o avançado mais difícil que já defrontou.
"Messi, obviamente, quando jogava como falso nove, é algo diferente para um central. Um jogador que se movimenta tão bem entrelinhas e é tão bom no um-contra-um... Não dava para travá-lo. Outro diferente era o Iniesta, era um prazer vê-lo jogar", elogiou o ex-jogador natural de Amarante.
Mbappé, o "melhor da formação" do Monaco e as diferenças para Cristiano Ronaldo
De 2013 a 2016, Ricardo Carvalho esteve no Monaco e coincidiu com o início da carreira de Kylian Mbappé.
"Futebolisticamente notava-se que era diferente, sabia que era o melhor da formação. E ele queria que o respeitassem. Queria sempre mais. Tinha fome de fazer muitas coisas e de ser cada vez mais conhecido. Tem essa arrogância que se vê, mas para ser tão bom tens de ser arrogante", argumentou, fazendo uma comparação com Cristiano Ronaldo.
"O Mbappé adorava o Cristiano. É normal que veja as coisas de forma parecida. Mas o Mbappé quando começou era diferente. O Cristiano sempre sentiu e teve esse ego desde o início. O Mbappé cresceu e foi moldando o ego", concluiu.