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O Grande Prémio do México ficou marcada pelo facto de Kimi Antonelli se ter tornado no campeão do Mundo mais jovem da história... mas não só. A tensão que ameaçava instalar-se na Ferrari está pior do que nunca, depois um incidente logo na primeira volta ter acabado por condicionar a estratégia da escuderia italiana. Lewis Hamilton saiu da pole position, Charles Leclerc recuperou de terceiro para segundo e atacou o britânico à procura da liderança nas primeiras curvas. O monegasco teve de 'cortar caminho' para assumir a liderança e pagar uma penalização de 5 segundos, enquanto o sete vezes campeão do Mundo acabou até a ser ultrapassado por Max Verstappen no meio dessa confusão.
No rescaldo da corrida, Hamilton não poupou nas críticas a Leclerc. "Antes de entrar para esta equipa, quando estava na Mercedes, testemunhei o braço de ferro entre o Charles e o Carlos [Sainz]. Várias corridas em que lutavam tanto que o piloto da frente acabava por fugir, e eles tinham ritmo para vencer efetivamente a corrida. Uma coisa é isso acontecer em quarto e quinto lugar, outra é em primeiro e segundo, e perdes a vitória. Isso é significativo. Este tipo tem 28 anos, por isso não é uma questão de idade. Acho que é uma questão de mentalidade. É do tipo 'tudo ou nada'. Ou ganho eu ou nenhum de nós ganha, e não devia ser assim. Devíamos ter conseguido esta dobradinha, que continua a ser uma boa sensação. Em Silverstone, eu podia ter ido all-in de forma kamikaze e tê-lo tirado da pista, perdendo a vitória para nós, mas em vez disso havia uma dobradinha em cima da mesa, e penso que conseguimos uma dobradinha, ou terá sido um primeiro e terceiro lugares? Fico contente por a equipa ter vivido isso. Tenho esperança de que venhamos a trabalhar no sentido de alcançar um patamar melhor no futuro", disparou o veterano de 41 anos.
Fred Vasseur, chefe de equipa, também não poupou nas palavras para falar sobre o tema, mostrando-se muito irritado logo após a corrida. "Estou com dificuldades em engolir isto porque, sinceramente, acho que é uma falta de respeito. Uma falta de respeito pela marca, uma falta de respeito por todos os que trabalham aqui e por todos os esforços que fazemos. Demos um verdadeiro passo em frente em termos de desempenho, e acho que deitar fora uma vitória desta forma é difícil de aceitar. Neste momento, ainda não falei com eles. Teremos tempo para nos sentarmos e conversar cara a cara, mas, agora mesmo, está a custar-me muito a ultrapassar isto", começou por afirmar.
Estou com dificuldades em engolir isto porque, sinceramente, acho que é uma falta de respeito
Chefe de equipa da Ferrari
Questionado sobre se o culpado era Leclerc, Vasseur fugiu. "Não apontei o dedo a ninguém. Quero conversar com eles. Acho que o Lewis também alargou a trajetória, mas penso que também precisamos de ter em mente que representamos uma marca, representamos patrocinadores e temos 2.000 pessoas a trabalhar por trás de nós. Eles não estão a correr apenas para eles próprios, estão a correr para todas essas pessoas", acrescentou.
Já o próprio Leclerc deixou o tema em aberto. "Vou falar com o Lewis. Acho que ambos não fizemos a curva. Não sei se a ideia do Lewis era eu ficar com o P3, mas, ao menos tendo um Red Bull em segundo, achei que valia a pena manter a posição e ver o que acontecia. Foi o que fiz. Também podia ficar chateado com o quanto ele me empurrou para fora da pista na curva 1, mas acho que faz parte da corrida. Quando estás a lutar por uma vitória, é assim mesmo que deve ser", resumiu.