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Cristiano Ronaldo considera que a Liga da Arábia Saudita é melhor do que a Ligue 1. Nathan Zézé, defesa francês do NEOM, não concorda com o astro português
Nathan Zézé, jovem defesa francês, de 21 anos, que joga na Arábia Saudita, ao serviço do Neom, desde 2025, explicou esta terça-feira o porquê de ter decidido rumar ao Médio Oriente numa idade tão jovem, tendo deixado na altura o seu clube de formação, o Nantes, por 20 milhões de euros.
Em entrevista ao portal "Transfermarkt", Zézé admitiu que "o aspeto financeiro teve influência", mas enumerou outros fatores que o levaram a aceitar a proposta do atual quinto classificado da Liga saudita no ano passado.
"Também não queria vir para aqui para me perder. Houve muitos fatores que influenciaram a minha decisão, nomeadamente o treinador Christophe Galtier, com quem falei ao telefone antes de assinar. O facto de ser francês e de haver vários outros jogadores francófonos na equipa [Alexandre Lacazette, Saïd Benrahma, Amadou Koné e o ex-FC Porto Malang Sarr] facilita a comunicação. Isso ajuda-me a evoluir", apontou.
Zézé referiu ainda que foi surpreendido pela positiva com a qualidade do campeonato saudita, assumindo que achava que seria bem mais inferior à realidade a que estava habituado em França.
"Para ser sincero, esperava encontrar um nível mais baixo. Mas, quando jogas contra as dez ou 12 primeiras equipas, é realmente semelhante à Ligue 1. Muitos jogadores sauditas teriam qualidade para jogar na Europa. Surpreenderam-me pela positiva. Permitem-nos ter uma equipa competitiva e é preciso estar cá para ver. Na Europa, as pessoas não acompanham necessariamente os jogos, por isso é fácil dizerem que os jogadores só estão aqui por dinheiro. É verdade que o aspeto financeiro conta. Mas, em termos de qualidade, também é bom. As condições são boas e permitem-te evoluir, que é precisamente o que estou a fazer. Por isso, não me arrependo minimamente da minha decisão", vincou.
Apesar desse elogio, Nathan Zézé não considera, ao contrário de Cristiano Ronaldo, que a Liga saudita tenha uma qualidade superior à da Ligue 1.
"Não me parece. A Ligue 1 está, ainda assim, um patamar acima. A intensidade é sempre elevada, ao contrário do que acontece aqui, embora a diferença não seja assim tão grande. Quando jogas contra as equipas dos últimos lugares, é mais complicado e há pouco público. Eu, que joguei no Nantes, sei bem qual é a importância dos adeptos. Aqui, o entusiasmo é menor, porque o futebol está menos desenvolvido do que em França. Esse é um dos pontos negativos. Há alguns estádios onde o ambiente não é grande coisa, mas, quando jogamos contra as grandes equipas, os adeptos estão presentes", comparou, antes de recordar como foi defrontar o astro português do Al Nassr.
"Ainda não tenho bem consciência disso. Sou adepto do Real Madrid, por isso cresci a vê-lo jogar. Defrontá-lo e ter a responsabilidade de o marcar é algo extraordinário. Penso que só me vou aperceber verdadeiramente disso mais tarde, quando tiver filhos e lhes contar. Para já, ainda não tenho bem noção do que vivi", referiu.
De resto, o jovem defesa fez mais uma comparação entre o futebol francês e saudita. "Nós, franceses, crescemos em centros de formação onde tudo funciona muito bem. Vamos à escola, os horários são adaptados, etc. Aqui, como o futebol está menos desenvolvido, nem todos os jogadores têm essa disciplina e essa mentalidade de trabalhar para melhorar. Isso não está enraizado neles, pelo que é mais difícil aperceberem-se das suas próprias lacunas a esse nível", refletiu.