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FC Porto arrasador na Assembleia Geral da FPF
AG da FPF
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A Federação Portuguesa de Futebol reuniu esta tarde em Assembleia-Geral para aprovar o relatório de atividades e contas relativo à última temporada. O FC Porto fez-se representar e, sabe O JOGO, aproveitou a ocasião para reforçar a sua posição em relação a Luciano Gonçalves, que considera que deveria suspender temporariamente as funções de presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, algo que ainda semana disse não estar a pensar fazer, questionou a independência e a transparência da APAF e apontou a Pedro Proença a responsabilidade política por uma reforma da arbitragem que considera fracassada.

O FC Porto, representado pelos vice-presidentes Tiago Madureira e João Borges, fez uma longa intervenção, voltando a dizer que Luciano Gonçalves deixou de reunir condições para continuar em funções, independentemente do desfecho da investigação criminal.

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"Já o afirmámos por diversas vezes e voltamos hoje a reforçá-lo: o Presidente do Conselho de Arbitragem deixou de reunir as condições mínimas para continuar em funções", referiu Tiago Madureira, que considerou que a permanência do dirigente da arbitragem "tornou-se um fator de descrédito e instabilidade para a arbitragem, os árbitros, as competições, a Federação Portuguesa de Futebol e todo o ecossistema do futebol português".

As principais críticas apontadas a Luciano Gonçalves, de acordo com o que o nosso jornal apurou, foram a crise de credibilidade da arbitragem, o reconhecimento, pelo próprio, em entrevista à RTP, de que a sua situação está a gerar um clima de desconfiança; o episódio referido no relatório do Conselho de Justiça, relativo à circulação antecipada, através de um terceiro, de informação sobre a nomeação de um árbitro quase duas semanas antes de um jogo decisivo; as sucessivas intervenções televisivas, inclusivamente em simultâneo com jogos importantes das competições nacionais; o facto de as suas intervenções públicas se concentrarem na situação patrimonial, créditos bancários, relações pessoais e suspeitas que sobre si recaem, em vez de assuntos relacionados com as funções para as quais foi eleito; a recusa em colocar o lugar à disposição, mesmo na eventualidade de vir a ser constituído arguido; e, finalmente, as dúvidas sobre a articulação das suas intervenções públicas com a estrutura de comunicação e a presidência da FPF. Perante isto, o FC Porto concluiu que "o futebol português parece ter desenvolvido uma extraordinária capacidade de normalizar o absurdo".

O FC Porto, como referimos, reiterou a defesa da suspensão temporária do mandato de Luciano Gonçalves, como medida de responsabilidade institucional e não como reconhecimento de culpa, e reforçou que nada nos Estatutos da FPF impede essa suspensão, contrariando a posição publicamente assumida pelo Presidente do Conselho de Arbitragem.

Depois, Tiago Madureira virou o foco para a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol e para o seu José Borges, criticando o silêncio daquele organismo perante a crise que envolve o Conselho de Arbitragem. "A APAF deveria existir para representar os árbitros. Aparentemente, é apenas uma caixa de ressonância do Conselho de Arbitragem, e José Borges, para além de seu sucessor, não passa de um representante do Presidente desse Conselho", acusou.

Foi, ainda, colocada em causa a autonomia da APAF, nomeadamente perante os apoios e subsídios que recebe da FPF e a eventual dependência financeira dos seus responsáveis. O FC Porto questionou também a transparência das contas da associação, salientando não ter encontrado publicamente os relatórios integrais recentes e respetivos pareceres.

Sobre este tema, o FC Porto deixou algumas perguntas na Assembleia Geral. "Que apoios recebe a APAF da FPF? Como são aplicados? Que remunerações foram aprovadas e por quem? Que mecanismos asseguram a independência perante as entidades que financiam o funcionamento da associação, nomeadamente o salário do seu presidente?".

Pedro Proença, presidente da FPF há 20 meses, também foi visado pelos dragões, criticando a ausência de uma resposta política e institucional à crise da arbitragem, considerando que a independência do Conselho de Arbitragem não afasta a responsabilidade de liderança do presidente da federação.

O FC Porto fez mesmo um balanço muito crítico do mandato, identificando problemas na Direção Técnica Nacional, alterações na distribuição de responsabilidades pela arbitragem dentro da Direção da FPF, contradições na comunicação institucional, saídas de vários responsáveis da área da arbitragem, uma crise de confiança que se agrava a cada semana e uma distância evidente entre as promessas eleitorais de reforma, profissionalização e credibilização da arbitragem e a realidade atual.

"A reforma da arbitragem foi anunciada como uma das bandeiras do seu manifesto eleitoral. Hoje é um dos maiores fracassos políticos da sua presidência", considerou o responsável portista que aproveitou a ocasião para fazer uma pergunta direta a Pedro Proença sobre Luciano Gonçalves. "Mantém, hoje, confiança política no Presidente do Conselho de Arbitragem que o senhor escolheu e recomendou que todos nós elegêssemos? Na realidade, não precisa de responder. Quem o conhece sabe a resposta", atirou, deixando um aviso.

"É tempo de a assumir publicamente, sob pena de esta história terminar ainda pior e de vossa excelência acabar arrastado por ela, não pelo que fez, mas pelo que, podendo e devendo fazer, escolheu não fazer".

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