Voltar
Bancada de memória: Aqui tiramos o pó às cadernetas e vamos ao baú recordar episódios caricatos e peripécias que marcaram para sempre o futebol português e internacional
Vamos recordar o dia em que um apanha-bolas marcou um golo nas Antas a favor do FC Porto. À entrada para a sétima jornada, em outubro de 1975, Sporting e FC Porto mediam forças ombro a ombro: seguiam no quinto lugar, a escasso um ponto do topo da tabela, onde um compacto quarteto formado por Benfica, Boavista, Belenenses e Braga ditava as leis.
Sob o nevoeiro cerrado das Antas, estalou um dos escândalos que até hoje alimenta discussões entre rivais. Ainda nestes tempos, paira um mistério, de tal ordem, com o caso, que bem se pode dizer que nem Sherlock Holmes conseguiria acabar com a dúvida.
Na altura, Alder Dante validou um golo ‘fantasma’ ao FC Porto e disparou a revolta verde e branca.
Tudo nasceu num cabeceamento do portista Fernando Gomes, que saiu pela linha de fundo, a roçar a rede exterior da baliza do sportinguista Vítor Damas.
Contudo, Alder Dante acabou por validar o golo. Sem visibilidade, o juiz caiu na armadilha do apanha-bolas, que de pronto anichou a bola no fundo da baliza.
Os jogadores do Sporting ficaram espantados com a decisão do árbitro e nem queriam acreditar. O árbitro Alder Dante ainda conversou com o árbitro assistente Baptista Fernandes, que confirmou a sentença de Dante.
O Sporting até entrou a rasgar e adiantou-se cedo com dois golos, por Chico e Manuel Fernandes. No entanto, o FC Porto reduziu aos 18 minutos para 1×2. Contudo, o prato forte da história estava reservado para o segundo tempo.
Assim, aos 57 minutos, Gomes cabeceou ao lado e ficou desolado. Porém, para espanto geral, o bandeirinha correu para o meio-campo e validou o tento. Enquanto o estádio tentava perceber o que se passara, multiplicavam-se os protestos leoninos: a bola entrara por fora e tinha sido o apanha-bolas a empurrá-la para o fundo da rede.
Mas a equipa de arbitragem validou o golo e atribuiu a Fernando Gomes. Naquela altura, o jogo ficou empatado a duas bolas. Contudo, o técnico verde e branco Juca lançou Baltasar em campo e o atleta assinou o 2×3 final para os leões, aos 74 minutos.
Anos mais tarde, em entrevista à RTP, Alder Dante e José Matos, o alegado apanha-bolas, confirmaram o golo ‘fantasma’.
“Cá estamos com o amigo que me conseguiu passar a perna”, começou por dizer Dante, enquanto cumprimentava o apanha-bolas. “Ainda bem que apareceu quem lá a meteu. Foi mais esperto do que eu”, acrescentou Dante.
José Matos também confirmou a história do célebre golo ‘fantasma’ nas Antas no FC Porto-Sporting.