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Cristiano Ronaldo comunicou diretamente a Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que não se sentia emocionalmente capaz de permanecer ao serviço da Seleção Nacional. A informação consta do acórdão do Conselho de Disciplina divulgado esta segunda-feira, que fundamenta o castigo aplicado ao capitão português por ter abandonado o estágio da equipa das quinas sem autorização prévia.
Segundo o documento, o avançado do Al Nassr contactou telefonicamente o responsável federativo depois de sair do Estádio Parken, em Copenhaga, no passado dia 30 de setembro. Durante a conversa, explicou que “não se encontrava em condições anímicas para continuar integrado no estágio da seleção nacional”.
O acórdão esclarece, contudo, que o “arguido não comunicou nem justificou previamente, perante o responsável da FPF ou da seleção nacional masculina, a sua intenção de deixar o estádio e o estágio”, pode ler-se na decisão.
A saída de Ronaldo aconteceu durante o estágio que preparava os encontros frente à Dinamarca e à Noruega, depois das vitórias de Portugal sobre o País de Gales, por 1-0, e a seleção norueguesa, por 2-1.
O acórdão considera que a elevada exposição mediática do caso agrava as exigências de punição, sublinhando que Cristiano Ronaldo deveria ter um "especial dever de contenºão na escolha do momento e do modo de manifestar o seu descontentamento", sobretudo pela responsabilidade exercida na estrutura da equipa, "designadamente enquanto capitão da Seleção Nacional A Masculina".
A decisão disciplinar enumera as atividades em que Cristiano Ronaldo deixou de participar após abandonar o estágio, incluindo refeições, palestras, treinos, conferências de imprensa e jogos previstos no programa da equipa nacional, até 4 de outubro, data do último encontro desta janela de quatro partidas.
O capitão português tinha sido titular frente ao País de Gales e não saiu do banco na visita à Noruega, apesar de ter aquecido durante grande parte da segunda parte. No final desse jogo, em Oslo, abandonou o relvado aparentemente insatisfeito e não se juntou aos restantes internacionais nos agradecimentos aos adeptos portugueses.
Posteriormente, Ronaldo explicou publicamente a sua decisão através de uma mensagem escrita, na qual acusou o selecionador de não ter cumprido a palavra em mais do que uma ocasião. A saída do estágio ocorreu na sequência da conferência de imprensa de antevisão ao encontro com a Dinamarca.
Na avaliação do comportamento do jogador, o Conselho de Disciplina considera que Ronaldo atuou de “forma livre, consciente e voluntária, bem sabendo que se encontrava regularmente convocado e que o seu comportamento era proibido e sancionado pelos regulamentos aplicáveis, e, ainda assim, consciente da natureza ilícita da sua conduta, não se absteve de a cometer".
O órgão disciplinar entendeu também que as razões apresentadas pelo futebolista, tanto na conversa com o presidente da FPF como nas declarações públicas posteriores, não constituíam uma justificação válida para abandonar os trabalhos da Seleção.
Cristiano Ronaldo foi castigado esta segunda-feira com 30 dias de suspensão e uma multa de 255 euros. No entanto, terá apenas 11 dias de suspensão por cumprir, uma vez que os restantes 19 foram contabilizados através da suspensão preventiva aplicada anteriormente.