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Pepa, treinador do E. Amadora, em declarações na conferência de imprensa após a derrota frente ao Casa Pia por 2-0, a contar para a nona jornada da Liga:
«Separo muito estes últimos dois jogos do campeonato, frente ao Arouca e ao Casa Pia, daquele encontro com o Académico de Viseu. Em termos práticos, os pontos são os mesmos, mas a verdade é que, nos últimos dois jogos, a equipa conseguiu ter volume ofensivo e criar oportunidades. O que nos está a acontecer é que, por vezes, é difícil identificar um problema e, quando isso acontece, nem sabemos onde devemos intervir. No nosso caso, identificámos algumas dificuldades perante equipas que jogam com um bloco mais baixo. Estamos a conseguir ter bola e criar, mas falta-nos critério no último passe, na decisão de rematar e paciência para circular a bola de um lado para o outro e encontrar espaços. Também nos estamos a expor demasiado nas transições. São várias situações que nos têm penalizado e custado pontos. Depois, tudo se torna uma bola de neve e acaba por afetar o equilíbrio mental da equipa, que também influencia o equilíbrio tático e a capacidade de tomar melhores decisões. Procurar o jogador livre e escolher a melhor solução no momento certo são aspetos em que estamos a ficar um pouco ansiosos, sobretudo no último terço.»
«Temos de melhorar. E atenção, isto também tem mérito do Casa Pia, algo que foi reconhecido pela própria equipa técnica. Foi uma equipa que baixou as linhas, esteve muito preparada nas bolas paradas e nas transições rápidas, à espera do momento do erro. A verdade é que acabámos por nos expor. Estamos a sentir dificuldades neste tipo de jogos e temos de crescer. É uma questão de maturidade da equipa. É preferível crescer com pontos e vitórias, mas temos de encarar o problema de frente, perceber onde estamos a falhar e corrigir. Já identificámos as dificuldades, ainda não estamos a conseguir resolvê-las, mas temos de insistir e melhorar.»
«No futebol, costumo dizer que o marcador acaba por ser justo. Da mesma forma que, frente ao Académico de Viseu, não tivemos argumentos, agora, tanto com o Arouca como neste jogo, a equipa produziu e tentou. Sei que não há vitórias morais, não há nada: são zero pontos. Precisamos de ter mais energia em alguns momentos após a perda da bola e no processo defensivo. Não passamos assim tanto tempo a defender, mas, quando temos de o fazer, precisamos de ser mais eficazes. Também temos de estar mais concentrados em momentos cruciais, sobretudo quando o adversário está em bloco baixo. Não podemos colocar um jogador de costas para o corredor da bola, porque fica mais fácil pressioná-lo. São pormenores que fazem a diferença. É diferente correr cinco metros para a frente depois de perder a bola ou ter de correr 50 metros para trás. São situações que acabam por criar instabilidade. Quando estamos por cima do jogo e sofremos um golo, uma equipa que já se sentia confortável com o empate e que passa para a frente do marcador fica ainda mais confortável. Há coisas que nos irritam, como o tempo que passa ou os adversários que ficam no chão, mas isso faz parte do jogo. Temos de saber lidar com isso. Não estou a dizer que haja perda de tempo, mas são situações que nos irritam. Temos de crescer, ganhar maturidade e não perder o foco naquilo que conseguimos controlar. Sobre o que não controlamos, não podemos fazer nada. Precisamos desse equilíbrio emocional para não nos desequilibrarmos nos aspetos que realmente contam: os quatro momentos do jogo e as bolas paradas.»