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Clarence Seedorf voltou a limitar as perguntas dos jornalistas durante uma entrevista coletiva do Corinthians. Nesta terça-feira, o treinador interrompeu Memphis Depay quando o atacante se preparava para responder a um questionamento sobre quem estaria prejudicando o clube.
A pergunta fazia referência a uma declaração de Memphis após a conquista da Copa do Brasil de 2025. Na ocasião, o holandês afirmou que quem quisesse prejudicar o Corinthians deveria deixar o clube.
Entretanto, Seedorf não permitiu que o assunto avançasse. O treinador pediu que os jornalistas deixassem os questionamentos sobre o passado para outro momento e concentrou a entrevista no compromisso desta quarta-feira.
Ao perceber que Memphis responderia ao questionamento, Seedorf interveio novamente. Além disso, lembrou que já havia explicado sua posição na entrevista anterior.
“Eu já falei semana passada, eu espero que vocês aprendam. A gente está focado para um jogo amanhã. Se vocês querem falar sobre o passado, esperem que o ano acabe e façam entrevista individual com ele”, declarou.
Em seguida, o treinador reforçou que não queria transformar a coletiva em uma discussão sobre episódios anteriores.
“Não é uma coisa pessoal, mas eu vou me repetir. Eu quero que este grupo fique focado sobre nosso jogo de amanhã. Toda coisa que tem a ver com o passado, ele já respondeu. Já deu”, completou.
A situação ficou mais tensa quando outro repórter pediu respeito ao trabalho da imprensa. O profissional ressaltou que os jornalistas têm liberdade para fazer perguntas, enquanto os entrevistados podem escolher como responder.
No entanto, Seedorf voltou a interromper o questionamento. Dessa vez, o treinador afirmou que o Corinthians não tem obrigação de responder a todas as perguntas e classificou os jornalistas como hóspedes no CT Joaquim Grava.
“A gente não tem obrigação nenhuma de responder todas as perguntas que vocês fazem. Então, respeito que, se eu faço uma intervenção… A gente convidou vocês. Vocês são hóspedes aqui”, afirmou.
Além disso, o holandês explicou que pretende manter um ambiente positivo nas entrevistas e evitar assuntos que, na visão dele, possam tirar o foco da equipe.
“A gente quer fazer papo bom, positivo, com vocês. Se tem intenção de ficar falando do passado, a gente não quer. Não é uma coisa pessoal por ninguém aqui. A gente tem uma missão, que não é a sua, então a gente vai proteger tudo que a gente tem para manter o foco”, concluiu.
As novas restrições acontecem em meio a uma estratégia de comunicação adotada pelo Corinthians nos últimos dias. O departamento responsável intensificou a agenda de entrevistas e atividades abertas à imprensa para administrar a crise institucional.
A intenção é ampliar o controle sobre as informações divulgadas e reduzir os vazamentos dos bastidores. Dessa forma, o clube acredita que uma presença mais constante diante dos jornalistas pode diminuir o espaço ocupado por notícias negativas.
Além disso, Seedorf já havia adotado postura semelhante em uma entrevista na Neo Química Arena, na semana passada. Na ocasião, barrou uma pergunta sobre o retrospecto negativo da equipe em casa e tentou impedir um questionamento sobre o comportamento de Garro.
Entretanto, outro jornalista insistiu no assunto. Como resultado, o meio-campista argentino acabou se manifestando publicamente sobre os atritos internos e afirmou que havia pessoas dentro do clube que talvez quisessem seu mal.
Enquanto tenta administrar a crise fora de campo, o Corinthians tem um compromisso importante pelo Campeonato Brasileiro. Nesta quarta-feira, às 21h30, a equipe enfrenta o São Paulo, na Vila Belmiro, pela 34ª rodada.
O Timão ocupa a 17ª colocação, com 36 pontos, e está dentro da zona de rebaixamento. Já o Mirassol aparece em 16º lugar, com 37 pontos, sendo o primeiro clube fora do Z-4.
Portanto, o clássico ganha caráter decisivo para as pretensões corintianas. Além de tentar encerrar a sequência negativa, a equipe precisa pontuar para deixar a zona de rebaixamento e aliviar a pressão sobre o elenco e a comissão técnica.