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Há frases imbecis ditas em momentos históricos, que, ao serem registradas no papel ou em vídeo, se tornam acompanhantes eternos de quem as proferiu. Não só. Como mancha indelével marcam a entidade representada pelo falastrão do dia. O Fluminense tinha um caso assim, Agora, tem dois.
Em 1997, houve um escândalo na arbitragem brasileira, então comandada por Ivens Mendes. A CBF resolveu então que Bragantino e Fluminense, os últimos colocados, seriam poupados da degola. A turma de Bragança, na moita, deve ter comemorado com uma cervejinha e alguns sanduíches de linguiça.
Álvaro Barcelos, presidente do Fluminense, não poderia se contentar com tão pouco. Estourou um champanhe e posou para foto que estampou os jornais do dia seguinte. Não foi flagrado na comemoração indevida. Ele mesmo havia convocado os jornalistas para cobrirem sua alegria.
O fato serviu para que se solidificasse no imaginário popular a fama de Rei do Tapetão para o Fluminense. Seria um time dirigido por bacharéis, sempre prontos a buscar a melhor interpretação da Lei. A melhor, no caso, é aqueça que melhor servir aos meus interesses.
O atual presidente do Fluminense é o advogado Mattheus Montenegro. Foi ele que defendeu o ponto de vista do Fluminense na audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo Ministro Luís Fux para tratar do assunto apostas esportivas no Brasil, as Bets que patrocinavam a grande maioria, quase totalidade dos clubes brasileiros.
Montenegro defendeu uma tese controversa, uma falsa simetria. “O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai sofrer os efeitos do desemprego”, relativo ao fim das apostas. Ele argumenta que a perda dos patrocínios iria asfixiar os clubes de futebol, principalmente os de menor orçamento.
O primeiro ponto estranho em sua tese é falar em “família endividada”, como se fosse o único ponto da questão. Endividado você fica no mercadinho da esquina, no caso das bets é muito mais grave. Trata-se de uma doença que precisa ser tratada urgentemente, principalmente por estar causando suicídios.
Alexandre Padilha, Ministro da Saúde, falou sobre o tema. “Ouvi, com todo o respeito, um representante de time de futebol, falando que a briga dele é com o clube do futebol. A minha briga são as mulheres, 65% que têm vergonha de procurar o serviço de saúde, mesmo quando reconhecem quem tem vício, são pelas pessoas que se suicidam, que tem aumento de 15 vezes com as Bets.” Ele falou também dos profissionais de saúde, envolvidos em atendimento de uma doença nova, E explicou que o atendimento por ludopatia no SUS aumentou mais de 200% de 2018 a 2026. E, que dos 28 milhões de apostadores recentes, 11 milhões exibiram comportamento de risco.
O Ministro Padilha poderá sempre colocar seu discurso como exemplo de seu currículo e de seu trabalho à frente da Saúde. O presidente do Fluminense leva o seu como um exemplo de falsa simetria, uma tentativa de levar vantagem
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