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Resumo
Após ser eliminado nos pênaltis na Libertadores, o Flamengo acionou a Conmebol para reverter a derrota contra o Estudiantes, pleiteando vitória por 3 a 0 pela escalação de Marcos Rojo. O clube argentino jogou sob autorização provisória do TAS, mas os brasileiros sustentam que a medida não afasta sanções e pressionam por um veredito antes da grande final. Embora a contestação seja regulamentar, a reversão é incerta e a classificação segue mantida para os argentinos.
O Flamengo transformou a eliminação na Copa Libertadores da América em uma batalha jurídica. Depois de perder para o Estudiantes nos pênaltis, no Maracanã, o clube acionou a Conmebol para contestar a escalação de Marcos Rojo e pediu que o adversário fosse declarado perdedor por 3 a 0.
A iniciativa tem fundamento regulamentar e não pode ser descartada como simples inconformismo. A Conmebol havia rejeitado duas vezes a inscrição do zagueiro, contratado pelo Estudiantes após o encerramento da janela de transferências argentina.
O problema está na expectativa rubro-negra de converter a contestação em uma nova oportunidade de disputar o título. O direito de recorrer é legítimo, mas não torna a classificação uma consequência automática nem transforma a interpretação do clube em decisão definitiva.
O Estudiantes recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) e conseguiu autorização provisória para utilizar Rojo na partida de volta, em 22 de outubro. O Flamengo contestou a liberação e avisou que apresentaria uma reclamação caso o jogador fosse escalado.
A equipe argentina avançou após vencer a disputa por pênaltis por 3 a 2. No dia seguinte, o Flamengo formalizou o pedido para que o resultado fosse alterado administrativamente.
O argumento central é que a autorização provisória não eliminou o risco de sanções posteriores. O próprio TAS deixou essa possibilidade em aberto, sem decidir definitivamente se a inscrição do defensor era regular. Isso sustenta a discussão, mas não garante que o pedido rubro-negro será acolhido.
O Flamengo quer que o caso seja resolvido antes da decisão continental, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu. A pressa interessa diretamente ao clube: uma eventual mudança no resultado poderia reabrir sua disputa pelo título.
É justamente nesse ponto que a atuação nos bastidores merece crítica. A urgência esportiva não pode substituir a análise jurídica, muito menos servir de atalho para uma classificação. Se há uma possível infração, ela precisa ser examinada; se há uma autorização judicial provisória, seu alcance também precisa ser considerado.
O Estudiantes sustenta que utilizou o jogador respaldado pela decisão do TAS. O Flamengo, por sua vez, argumenta que a medida não garantiu ao clube argentino imunidade contra eventuais consequências esportivas ou disciplinares.
Os dois lados têm interesses opostos, e a controvérsia exige uma decisão fundamentada, não uma conclusão antecipada pela pressão de qualquer dirigente.
Até 27 de outubro, o tribunal ainda não havia marcado audiência. Flamengo e Conmebol buscaram acelerar o procedimento, mas o Estudiantes não concordou com as condições propostas para uma decisão antes da final.
Há, portanto, uma questão regulamentar real, mas também uma disputa de interesses evidente. O Flamengo tem o direito de defender sua posição, embora a confiança nos bastidores não deva ser confundida com uma vitória encaminhada.
A ironia é que, depois de não conseguir superar o Estudiantes nas cobranças de pênaltis, o Flamengo agora depende de uma interpretação jurídica para tentar voltar à decisão. O recurso faz parte do jogo institucional. O que não cabe é tratar a possibilidade de reversão como se ela já fosse um resultado.
Por enquanto, o Estudiantes continua na final contra o Palmeiras, e o Flamengo segue eliminado. A palavra final pertence às instâncias competentes — não à expectativa rubro-negra.