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Embora não tivesse o Morumbis à disposição, o São Paulo tinha o cenário ideal para sair da Vila Belmiro com uma vitória de peso nesta quarta-feira. Diante de um Corinthians pressionado na reta final do Brasileirão, jogando em casa e com um homem a mais nos minutos decisivos, o Tricolor paulista tinha a chance de afundar o rival na tabela, mas desperdiçou a oportunidade ao ficar apenas no empate sem gols, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, e deixou o campo sob vaias e gritos de "time pipoqueiro" da torcida. Mais uma vez, a equipe são-paulina decepcionou sua torcida, que se mobilizou para descer a Serra e colocou quase 13 mil pessoas na Vila.
O técnico Dorival Júnior surpreendeu na escalação, deixando Calleri no banco de reservas para promover o retorno de Artur, de volta após se recuperar de um trauma na região lombar. Na zaga, Tolói substitui Sabino, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, pelo lado esquerdo, enquanto no meio-campo, quem ganha a vaga de Marcos Antônio é Djhordney. Por fim, na ala esquerda, Iago também retornou ao time titular após cumprir suspensão. O treinador, assim, optou por um trio ofensivo de bastante mobilidade, com possibilidade de alternância com o decorrer do jogo. Newton, diferente do previsto inicialmente, se alternou entre as funções de zagueiro e volante.
O clássico começou bastante equilibrado na Vila Belmiro. Foi o São Paulo, como mandante e com o apoio de sua torcida, que começou tomando a iniciativa da partida, que transcorreu sob forte chuva. O Tricolor paulista iniciou exercendo uma pressão na saída de bola corintiana, tentando roubar a bola principalmente pelo lado esquerdo, com Artur muito ativo na marcação e criando uma chance clara logo com dois minutos. Já com 10 minutos, porém, o time deixou o rival começar a ameaçar nas bolas aéreas.
Uma arma que poderia ter sido mais utilizada pelo São Paulo foram os lançamentos em profundidade nas costas da zaga do Corinthians para jogadores de velocidade, como Lucas e Artur. Com zagueiros mais lentos, o Timão poderia ter mais dificuldade em acompanhar as investidas. Ainda assim, o Tricolor paulista levava perigo quando pisava na área do rival, seja em finalizações ou em cruzamentos rasteiros. Defensivamente, a equipe tricolor se portou bem nos primeiros 15 minutos. Rafael foi trabalhar pela primeira vez com 17 minutos, em lance cara a cara com Yuri Alberto, que praticamente recuou para o goleiro são-paulino.
O campo molhado na Vila Belmiro prejudicou o andamento do jogo, impedindo uma troca de passes e criação de jogadas. Nisso, a defesa do São Paulo começou a arriscar muitos lançamentos, sem fazer a jogada passar pelos seus meio-campistas. O duelo começou a ficar pior para o Tricolor paulista, que perdia muitas segundas bolas, viu o rival crescer na partida e chegar mais à área. O gramado escorregadio também não facilitou a vida são-paulina, mas Rafael fez boa defesa em dois tempos. O que se via na Vila era um jogo lá e cá, com boas chances para ambos os lados.
Na reta final do primeiro tempo, o São Paulo voltou a melhorar um pouco no clássico, conseguindo faltas próximas à área do rival e atacando o gol do Corinthians. Em suma, os dois times tiveram bons e maus momentos na etapa inicial. O Tricolor paulista começou melhor, mas viu o rival equilibrar o jogo com o aumento da chuva com os espaços cedidos pelo lados do campo, com Bidu e Kaio César, junto das transições rápidas, que deixaram a zaga tricolor perdida na marcação. A melhor chance do duelo, inclusive, foi do Timão. Perto do fim, o time são-paulino tentou esboçar reação, mas acumulou muitos erros técnicos, de passe, e terminou pior que o rival.
A ausência de Calleri também muito foi sentida no primeiro tempo pelo lado do São Paulo. Em muitos momentos, os chutões e lançamentos tentados pelos defensores poderiam ser transformados, ao menos, em posse para o Tricolor com os pivôs do argentino. No entanto, a equipe não conseguia segurar muito a posse no ataque, perdendo a bola facilmente para os zagueiros do Corinthians. De maneira geral, o time são-paulino não conseguiu ser melhor que o adversário.
Insatisfeito com o primeiro tempo ruim do time, o técnico Dorival Júnior mexeu já no intervalo. Artur e Djhordney deixaram o campo para as entradas de Calleri e Pablo Maia. O São Paulo, ainda assim, apresentou algumas dificuldades defensivas. Ofensivamente, porém, houve melhora. Em um dos poucos lançamentos que não foram cortados pela defesa corintiana, Luciano invadiu a área e tentou a cavadinha, mas colocou muita força e mandou por cima do gol. Minutos depois, foi a vez de Calleri quase marcar.
O Tricolor paulista passou a ganhar as segundas bolas, o que raramente ocorreu no primeiro tempo, e voltou a exercer uma pressão maior na saída de bola alvinegra. A chuva também deu uma trégua, o que melhorou o nível do jogo entre as duas equipes. Com 17 minutos, o Corinthians chegou a abrir o placar, mas teve o gol anulado por impedimento. Mesmo assim, chamou a atenção a fragilidade do São Paulo nas bolas aéreas, uma fraqueza que Dorival Jr. parece não conseguir corrigir.
Por volta dos 22 minutos, o São Paulo fez alterações novamente. Lucas deu lugar a Ferreirinha para trazer fôlego novo ao ataque tricolor. O Tricolor paulista viu o rival se encolher, com medo de sofrer um gol, e encontrou uma oportunidade de crescer no jogo. Foi aí que o time tricolor começou a empilhar chances. A equipe de Dorival Júnior se aproveitou das mudanças do Corinthians, que pioraram o time, e passou a criar mais. Em uma das oportunidades, a mais clara do segundo tempo, Pedro Lima tirou Hugo Souza e finalizou com o gol aberto, mas o chute foi fraco e Angileri salvou em cima da linha.
Com 36 minutos, o São Paulo, que já vinha melhor em campo, se viu em uma situação ainda mais favorável. Yuri Alberto acertou Ferreira com um carrinho no meio-campo e, após revisão no VAR, Raphael Claus puxou o cartão vermelho. Com isso, o Tricolor paulista ficou com um jogador a mais para buscar a vitória. Diante deste cenário, a comissão técnica do São Paulo promoveu mais duas mudanças para deixar o time mais ofensivo: entraram Pedro Ferreira e Gustavo Santana nas vagas de Luciano e Bobadilla.
Ficar com um a mais em campo deveria facilitar a vida do São Paulo, mas isso não aconteceu. Pelo contrário. O Tricolor paulista não conseguiu aproveitar a vantagem de um homem a mais e não transformou a posse em chances reais, diferente do que vinha fazendo momentos antes. Não à toa, o time saiu de campo vaiado e ainda ouviu gritos merecidos de "time pipoqueiro", pois perdeu a oportunidade de afundar o rival mais uma vez, relembrando o Paulista de 2004.
No fim das contas, o empate saiu com gosto de derrota para o São Paulo, que não pôde dar uma única alegria ao seu torcedor na temporada. Agora, a torcida, que saiu da Vila Belmiro decepcionada mais uma vez, só torce para que o ano se encerre o mais rápido possível.
Com o resultado, o São Paulo amargou o segundo consecutivo sem vitória no Brasileirão, com uma derrota e um empate. O Tricolor paulista aparece na décima colocação, com 44 pontos, e já vê muito difícil uma classificação à Libertadores. O primeiro clube no G5 é o Athletico-PR, com 54 pontos, dez a mais que o time são-paulino.
São Paulo x Fluminense (35ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 19/11 (quinta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)
Botafogo x São Paulo (36ª rodada do Campeonato Brasileiro)
Data e horário: 23/11 (quinta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)