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O Flamengo voltou a cair em uma disputa de pênaltis e deixou a Libertadores na semifinal, na quinta-feira (22), diante do Estudiantes, no Maracanã. Depois de dois empates sem gols no confronto, o Rubro-Negro perdeu por 3 a 2 nas cobranças e viu a vaga na decisão escapar. Paquetá, Jorginho e Bruno Henrique desperdiçaram suas tentativas em uma noite que reforçou um problema recorrente na trajetória recente do clube.
Desde 2016, o Flamengo disputou 17 decisões por pênaltis. Venceu 6 e perdeu 11, um aproveitamento de apenas 35% em classificações ou títulos decididos na marca da cal. O retrospecto mostra que a eliminação diante dos argentinos não é um caso isolado: em pouco mais de uma década, o time acumulou mais derrotas do que vitórias nesse tipo de desempate.
O dado chama a atenção, principalmente, pelo peso dos compromissos envolvidos. A lista inclui finais, confrontos eliminatórios de Copa do Brasil e Libertadores e, mais recentemente, a decisão do Mundial de Clubes de 2025 contra o Paris Saint-Germain. Em diferentes competições e contextos, o Flamengo voltou a encontrar dificuldades quando a classificação ou o título dependeram das cobranças.
A eliminação para o Estudiantes expõe novamente o problema. Em uma semifinal continental, diante de um Maracanã cheio, o Flamengo teve a oportunidade de garantir a vaga na final, mas não conseguiu converter as cobranças necessárias. Paquetá, Jorginho e Bruno Henrique desperdiçaram seus pênaltis, e o time argentino aproveitou a vantagem para avançar.
O cenário guarda semelhanças com o que aconteceu em dezembro de 2025. Na final da Copa Intercontinental, o Flamengo empatou por 1 a 1 com o PSG e acabou derrotado por 2 a 1 nas penalidades. Na ocasião, o Rubro-Negro também ficou pelo caminho em uma decisão de enorme peso, encerrando a campanha sem o título mundial.
As duas eliminações, em competições diferentes, ajudam a dimensionar o impacto esportivo dessas derrotas. Não se trata de comparar diretamente os adversários ou as circunstâncias de cada jogo, mas de reconhecer que o Rubro-Negro voltou a falhar em um momento no qual a margem para erro era mínima.
Os números gerais reforçam o alerta. Desde 2016, o Flamengo cobrou 93 pênaltis nas 17 disputas, converteu 60 e desperdiçou 33. O aproveitamento nas cobranças é de aproximadamente 65%. Do outro lado, os adversários converteram 77 dos 93 pênaltis enfrentados pelo Rubro-Negro, enquanto os goleiros flamenguistas defenderam 16, cerca de 17% do total.
Esses dados, isoladamente, não explicam todas as eliminações. Disputas por pênaltis envolvem pressão, execução técnica e uma dose de imprevisibilidade. Ainda assim, a frequência das derrotas e o aproveitamento nas cobranças mostram por que o assunto merece atenção.
O retrospecto também tem capítulos positivos. O Flamengo venceu o Vasco na final do Campeonato Carioca de 2019, eliminou o Emelec na Libertadores daquele ano, superou Palmeiras e Corinthians em decisões por pênaltis e avançou contra o Estudiantes nas quartas de final da Libertadores de 2025. Em 2026, também levou a melhor sobre o Fluminense na final do Carioca. O histórico, portanto, não é de fracasso absoluto, mas de um desempenho que deixa o clube mais vezes pelo caminho do que em vantagem.
O problema é que as derrotas recentes têm um peso difícil de ignorar. A eliminação para o Atlético-MG na Copa do Brasil de 2025, a derrota para o PSG no Mundial e, agora, a queda diante do Estudiantes compõem uma sequência de frustrações em confrontos decisivos. O Flamengo teve oportunidades de avançar, mas não conseguiu transformar as cobranças em classificação.
É claro que não se pode reduzir a eliminação na Libertadores aos pênaltis. O Rubro-Negro também precisa responder pelo que apresentou nos 180 minutos contra o Estudiantes, em uma semifinal na qual passou longe de convencer ofensivamente. Mas, depois de dois empates sem gols, a classificação foi decidida na marca da cal, e, mais uma vez, o Flamengo não teve competência suficiente para prevalecer.
Retrospecto: 17 disputas, 6 vitórias e 11 derrotas.