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A morte do atacante Jesús de Miguel, do Tenerife, após um choque com o goleiro Jesús Owono, do Andorra, trouxe à tona uma tragédia semelhante que marcou o futebol espanhol há 40 anos. Em 1986, uma disputa de bola entre o atacante brasileiro Baltazar, do Celta de Vigo, e o goleiro José Antonio Gallardo, do Málaga, terminou em tragédia O episódio aconteceu durante uma partida do Campeonato Espanhol e deixou uma lembrança dolorosa.
O acidente ocorreu em 21 de dezembro de 1986, no Estádio Balaídos, em Vigo. Na ocasião, Celta e Málaga se enfrentavam pela 19ª rodada da competição. Aos 18 minutos do primeiro tempo, um zagueiro recuou a bola para Gallardo, que saiu do gol para fazer a defesa. Baltazar, porém, acompanhou a jogada e avançou. Os dois se chocaram violentamente e o arqueiro foi atingido por uma joelhada acidental na cabeça.
Gallardo ficou desacordado e precisou ser encaminhado ao Hospital Geral de Vigo, onde permaneceu em observação. Os exames identificaram três fissuras no osso parietal esquerdo, mas não apontaram, naquele primeiro momento, uma lesão de maior gravidade.
Na véspera de Natal, em 24 de dezembro, Gallardo retornou a Málaga. Apesar de apresentar paralisia facial e problemas de memória, o goleiro demonstrava sinais de recuperação. No entanto, o quadro mudou drasticamente em janeiro. No dia 7, os médicos o internaram às pressas no Hospital Carlos Haya, onde identificaram uma hemorragia cerebral. A equipe médica realizou uma cirurgia de emergência, mas o jogador permaneceu em coma profundo.
Gallardo morreu em 15 de janeiro de 1987, aos 25 anos, depois de sofrer uma parada cardíaca. Ele passou oito dias na UTI após a intervenção cirúrgica.
A história de Gallardo também ganhou um reconhecimento permanente em Málaga. Em 2017, o clube fez uma homenagem ao goleiro no portão 13 do estádio La Rosaleda, que passou a levar seu nome. Familiares, ex-companheiros e representantes da equipe participaram da cerimônia de inauguração de um enorme mural.
O episódio também deixou marcas na vida de Baltazar. O atacante, que no Brasil defendeu Grêmio, Palmeiras, Flamengo e Botafogo, teve de conviver com o peso emocional de ter participado da trágica jogada, embora não tenha provocado o choque de maneira intencional. Em entrevista ao portal A la Contra, em 2020, o ex-jogador falou sobre o sofrimento que enfrentou.
“Foi um dos piores momentos da minha vida, passei muito mal. Foi difícil aquela situação, mas Deus me consolou e me fortaleceu para que eu pudesse suportar aquilo. É muito difícil que uma pessoa morra em um choque involuntário, mas aconteceu. Fiquei muito preocupado, mas segui em frente porque não tive nenhuma culpa naquele choque fortuito. Deus me ajudou”, disse.