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Richarlison de Andrade, brasileiro, 29 anos, jogador de futebol em alto nível, vive momentos difíceis. Com uma baixa de rendimento após a Copa de 2022, foi pouco considerado no novo ciclo e ficou fora de 2026. É reserva no Tottenham e o treinador Roberto de Zerbi mandou que treinasse com o sub-21.
Na vida financeira, Richarlison também tem problemas. Ele acusou o senador Flávio Bolsonaro, candidato a Presidente, e o advogado Willer Thomas de o haverem enganado. Eles teriam, através de ações fraudulentas, ficado com uma ilha que ele havia comprado em Angra dos Reis. Alega haver gasto R$ 10 milhões e ficado sem nada.
As acusações foram feitas também nas redes sociais e Richarlison se viu abandonado por colegas de profissão. Nenhuma curtida, nenhum coraçãoziho, nenhum apoio por escrito. Ninguém veio a público defendê-lo. Nem falo de um apoio explícito, com argumentos dizendo que ele está certo em suas reclamações contra poderosos. Falo mesmo de uma ação corporativa: epa, mexeram com um dos meus, vou dar um apoio.
Nada parecido com casos escabrosos envolvendo jogadores de futebol. A Robinho, que está preso por haver cometido estupro na Itália, nunca faltou parceiro para um futevôlei no canal quatro em Santos. Diego estava lá. Uma presença, uma união que significa apoio diante de crime tão hediondo. Daniel Alves, que ficou preso por um ano na Espanha, também por estupro, Daniel Alves, que apresentou várias versões diferentes, recebeu apoio financeiro de Neymar para deixar a prisão. Hoje, virou pastou. Não duvido que jogdores passem a frequentar sua igreja.
Vinícius Jr, que se tornou um lutador de ponta contra o crime de racismo, que foi perseguido por tomar atitude corajosa, não teve apoio irrestrito de jogadores brasileiros. Um ou outro, vá lá, mais do que isso, falaram, mas a maioria se calou. Como o próprio Vinicius se calou no caso de Richarlisoní.
Não existe solidariedade de classe entre jogadores de futebol porque, me arrisco a dizer, eles se consideram de outra classe: a dos milionários. Aí, sim, pode ser que haja uma mobilização. No resto, é silêncio. Alguém ouviu alguma opinião a favor ou contra a proibição das betis no Brasil.
São poucos os jogadores brasileiros que se mantém atentos a milhões de brasileiros que eram pobres como eles e não conseguiram abrir, com dribles, finalizações, defesas ou desarmes, o seu caminho rumo ao sucesso. E ao dinheiro.
Raphinha, do Barcelona, é uma exceção. Compartilhou vídeos de comentários da jornalista Gabriela Prioli e do banqueiro Eduardo Moreira, com conteúdo social, falando sobre combate à fome, diversidade sexual e jornada de trabalho. Richarlison fez o mesmo, falando de valorização de estudantes, trabalhadores e ciência.
Se os dois preferiram tocar em pautas caras à candidatura Lula, sem citar o nome do candidato, Carlinha, goleira do São Paulo, foi além. Em meio à comemoração do título do Campeonato Brasileiro, soltou um “Bolsonaro nunca mais no poder”, um dia antes do primeiro turno. Outras jogadoras se manifestaram a favor de Lula.
No vôlei, Gabi Guimarães e Fernanda Garay explicaram, em vídeo ou em publicações, que estarão com Lula. Carol Solberg, do vôlei de praia, chegou a ser julgada por gritar ‘Fora, Bolsonaro”, após uma vitória no circuito.
A explicação talvez seja na importância muito maior que políticas do governo, como Bolsa-Atleta e Bolsa-Pódio têm na vida de atletas dos chamados esportes olímpicos do que no futebol. Sentem-se agradecidos e devedores, embora haja exemplos contrários. Diego Hipólito foi, com seu namorado da época, recebido por Jair Messias, presidente que nunca escondeu de ninguém sua homofobia.
Enfim, não se trata de pedir, muito menos exigir, que jogadores de futebol tomem atitude na eleição, apoiando um candidato que tem olhar preocupado para os pobres – como eles já foram um dia – , mas apenas um lamento e um registro da omissão geral.
Se, pelo menos, Richarlison tivesse atacado alguma mulher em algum clube noturno de Milão ou Barcelona…
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