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Abel Ferreira volta a falar do calendário do futebol brasileiro e defende gramado sintético
Técnico do Palmeiras argumenta que 'tapetes' permitem melhor recuperação dos jogadores em relação a campos ruins. Crédito: TV Palmeiras
Gerando resumo
O Remo disputa a Série A depois de 32 anos, mas tem menos de 1% de chance de permanecer na elite do futebol brasileiro. Na 19ª colocação, o time paraense vive um calvário em sua jornada para permanecer na primeira divisão.
Adversário do vice-líder Palmeiras nesta quinta-feira, no Nubank Parque, o Remo luta contra o rebaixamento quase que desde o início do campeonato. O sofrimento azulino é resultado de uma campanha muito instável, que incluiu uma série de 12 jogos sem vitória, encerrada recentemente, depois de 94 dias.
A equipe de Belém passou quase todo o primeiro turno presa na zona de rebaixamento. Figurou fora dela em apenas duas rodadas e hoje, com 29 pontos, nove a menos que o Inter, o primeiro fora do Z4, tem 99% de probabilidade de ser rebaixado, segundo o departamento de estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
“A gente sabia desde o início que era um campeonato duro. Acho que faltou um pouco a questão do planejamento no início do ano. Começamos o campeonato e depois tivemos que trocar a roda do carro com o carro andando”, diz ao Estadão o executivo de futebol Luís Vagner Vivian.
O dirigente usa a metáfora para se referir às profundas mudanças no elenco. Foram, segundo Luís Vagner, que foi contratado em janeiro, mais de 20 saídas de jogadores e 12 reforços sob a sua gestão, além de três treinadores: Juan Carlos Osório, Léo Condé e Thiago Carpini, o atual técnico.
“É um custo alto para o clube. Esses jogadores que tu tem que tirar são jogadores que tu deixa de trazer. É dinheiro que poderia ter sido melhor investido”, reconhece o executivo. “Vejo que o clube sofreu um pouco com isso em termos de investimentos, não só no elenco, mas também com estrutura, processos profissionais”.
Vejo que o clube sofreu um pouco com isso em termos de investimentos, não só no elenco, mas também com estrutura, processos profissionais.
Luís Vagner Vivian
Com a menor receita anual entre todos os 20 clubes da Série A e a segunda folha salarial mais baixa, o Remo usou a criatividade e conseguiu encontrar algumas alternativas sem onerar os cofres. Achou, por exemplo, Duplex Tchamba, um zagueiro camaronês de 28 anos que passou por França, Noruega, Dinamarca e Portugal.
“Tivemos que sair um pouco da caixinha por necessidade financeira”, ressalta. “Mas vejo que o mercado exige cada vez mais que o clube busque um perfil de jogador, não um nome. Então, a gente tentou ir por esse caminho: entender bem o perfil, fazer um filtro, um apanhado grande dentro, lógico, das limitações financeiras”.
Tchamba fez bons jogos e entrou para a história do Remo como o primeiro jogador do clube a ser convocado para uma seleção principal enquanto defendia a equipe. Ele foi chamado para defender a seleção camaronesa em compromissos da Copa Africana de Nações em setembro.
Neste ano, o clube paraense começou a profissionalizar processos internos, como a criação de um setor estruturado de análise de mercado e inteligência, e costurou contratos longos com a maioria dos atletas para que consiga ter uma base em 2027 e, assim, não seja necessário fazer uma nova reformulação no plantel.
Aproximadamente metade do elenco tem contrato até o fim de 2027 e outros têm a permanência pro ano que vem a ser definida pelo clube, caso seja exercida a cláusula contratual. A ideia é não perder tantos jogadores como aconteceu no início do ano e ter que reconstruir o elenco, estando na Série A ou na Série B.
Quase todo time titular tem contratos longos, caso de Jajá, por exemplo, artilheiro do Remo no Brasileirão, com nove gols. O atacante está vinculado ao clube paraense até dezembro de 2028 despertou interesse de Botafogo, Cruzeiro, Athletico-PR e Krasnodar, da Rússia.
“É importante esse legado que a gente vai tentar deixar sempre nos clubes por onde passa: deixar um elenco organizado pro próximo ano, indiferente da divisão em que o clube esteja, vai ter uma base de elenco”, afirma Luís Vagner.