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Rebeca Andrade venceu neste sábado (24) a final do salto do Mundial de Ginástica Artística, em Roterdã, na Holanda, e chegou ao terceiro título mundial da carreira no aparelho. Com média de 14,466 pontos, a brasileira superou as duas americanas da decisão, Claire Pease e Skye Blakely, prata com 14,233 e bronze com 14,166.
Vestida de azul, sua cor da sorte, Rebeca dispensou o Cheng, salto mais difícil do repertório, inédito nesta volta às competições. Pease levou o mesmo elemento à quadra e ainda assim terminou 233 milésimos atrás da campeã olímpica.
Feito fora do alcance de Biles
Rebeca é a segunda tricampeã mundial do salto na história, ao lado da chinesa Cheng Fei, e a primeira brasileira com três títulos na mesma prova. Nem Simone Biles, que parou em dois ouros mundiais na especialidade, chegou ao patamar.
São dez medalhas em Mundiais, quatro delas de ouro, três conquistadas no salto e uma no individual geral de 2022. À lista somam-se seis condecorações olímpicas, com dois ouros.
A décima medalha empata Rebeca com a soviética Yelena Shushunova entre as dez maiores medalhistas individuais do torneio, ambas na nona posição.
Precisão no lugar do salto principal
O formato da final prevê dois voos por ginasta, com a média das notas definindo o pódio. Rebeca combinou um Yurchenko com dupla pirueta e um Lopez, executados sempre acima de 9,300 pontos.
Pease foi a única das medalhistas a apresentar o Cheng, elemento que leva o nome da chinesa Cheng Fei. Blakely, dona do individual geral em Roterdã, usou os mesmos dois saltos de Rebeca e somou 14,166.
A sul-coreana Yeo Seojeong, bronze em Tóquio 2020, abriu a disputa com a maior nota em um voo único deste Mundial, 14,600. A queda no segundo salto derrubou a média para 13,716 e empurrou Yeo para o sétimo lugar.
A canadense Lia-Monica Fontaine, vice do salto no Pan-Americano, pagou com passos na chegada e parou em 14,083, de fora do pódio.
O camarote de Simone Biles
Convidada de honra do Mundial, a mais condecorada ginasta da história, com 30 medalhas em Mundiais e 11 olímpicas, viu Rebeca avançar a território que jamais alcançou, o terceiro ouro mundial no salto. Aos 29 anos, Simone Biles não compete desde Paris 2024 e ainda não definiu se estará em Los Angeles 2028.
Os Estados Unidos fecharam o Mundial com a prata na final por equipes e o título do individual geral, com Blakely. No salto, a última palavra foi brasileira.
O caminho até 2028
Rebeca ficou de fora do Mundial de 2025 e devolve o nome do Brasil ao topo do pódio após um ano longe das arenas. A pausa começou depois da campanha de quatro medalhas em Paris, entre elas o ouro no solo.
Na final por equipes, o conjunto feminino terminou em quinto lugar. No individual geral, Flávia Saraiva e Lorrane Oliveira caíram na trave e ficaram fora das dez primeiras.
Nadia Comaneci, autora da primeira nota 10 dos Jogos, em Montreal 1976, rendeu-se à apresentação 50 anos depois. “Execução perfeita”, avaliou a romena.
Rebeca deixa Roterdã com a melhor média entre as finalistas e sem precisar mostrar o Cheng. A arma mais afiada do salto segue guardada para Los Angeles 2028.