Voltar
O ambiente nos bastidores do Atlético-GO vive o momento de maior distanciamento e desgaste entre o elenco profissional e a diretoria rubro-negra na temporada de 2026. Se dentro de campo a equipe despencou para o 8º lugar da Série B após quatro rodadas sem vitórias e viu suas chances de classificação aos play-offs despencarem para 15,3%, fora das quatro linhas o clima é de isolamento e frieza institucional.
A ruptura silenciosa entre vestiário e cúpula diretiva não aconteceu do dia para a noite. Ela foi construída por uma escalada de episódios públicos que envolveu desgaste direto com lideranças, cobrança salarial nas redes sociais e troca de indiretas em comunicados oficiais.
O afastamento começou a ganhar contornos visíveis ainda antes da sequência recente de tropeços. O atrito envolvendo o goleiro e o presidente Adson Batista nos bastidores gerou o primeiro mal-estar de grandes proporções no grupo. A exposição da divergência abriu fissuras na relação de confiança entre a gestão e os atletas, criando uma sensação de desproteção interna que logo se alastrou para os demais líderes do elenco.
O ponto alto da crise institucional ocorreu na última semana, quando os jogadores decidiram romper os canais internos de diálogo. Por meio de uma nota conjunta divulgada nas redes sociais, o plantel expôs publicamente os atrasos de salários (CLT), direitos de imagem, recolhimento de FGTS, férias e 13º salário.
Como forma de protesto, os atletas decretaram “greve” de entrevistas e declarações à imprensa. A atitude pegou Adson Batista de surpresa, gerando incômodo na presidência, que mesmo após viabilizar um aporte financeiro de R$ 6 milhões para regularizar as pendências contratuais, manteve a rotina de portões fechados no CT e coletivas canceladas. O pagamento aliviou o passivo financeiro, mas não cicatrizou o desgaste pessoal entre as partes.
O capítulo mais recente desse distanciamento ocorreu logo após a derrota por 1 a 0 para o Novorizontino, no Estádio Antônio Accioly. Poucas horas depois do tropeço que tirou o time do G-6, Adson Batista compartilhou em suas redes sociais a “Nota Oficial do Torcedor Atleticano”.
O manifesto utilizava a mesma identidade visual e formatação gráfica do comunicado publicado dias antes pelos jogadores, trazendo duras cobranças ao grupo de atletas pelo “atraso de futebol” e apontando falta de competitividade e atitude nos tropeços recentes contra CRB, Sport, Ponte Preta e Novorizontino. Para o vestiário, o compartilhamento feito pelo mandatário soou como uma resposta direta e um aval institucional às críticas públicas direcionadas ao rendimento dos atletas.
Com o canal de diálogo profundamente fragilizado, a equipe comandada por Roger Silva tenta se isolar dos ruídos institucionais para encarar o que o treinador classificou como a “última cartada” do ano: o duelo diante do invicto Fortaleza na Arena Castelão.
Sem margem para novos erros a três rodadas do fim, o Atlético-GO viaja para a capital cearense precisando vencer para manter viva a matemática do acesso, enquanto tenta administrar um ambiente interno marcado pelo distanciamento e pela desconfiança mútua.