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O Estudiantes eliminou o Flamengo na semifinal da Libertadores e chegou à tão sonhada final das Américas - mas o Rubro-Negro não aceitou de cara o resultado. A classificação do Estudiantes para a final da Copa Libertadores de 2026 ainda é alvo de uma disputa nos tribunais.
Eliminado pela equipe argentina nos pênaltis, na última quinta-feira, 22, o Flamengo tenta reverter o resultado da semifinal por meio de uma reclamação sobre a escalação do zagueiro Marcos Rojo, cuja participação foi autorizada provisoriamente pela Corte Arbitral do Esporte (CAS).
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O clube carioca sustenta que o jogador foi inscrito irregularmente e busca obter os pontos da partida, enquanto os argentinos afirmam não correr risco de perder a vaga na decisão contra o Palmeiras.
A controvérsia começou antes do confronto no Maracanã, quando a Conmebol recusou a inscrição de Rojo por considerar que sua transferência havia ocorrido depois do encerramento da janela de registros na Argentina.
O Estudiantes recorreu ao CAS e conseguiu uma autorização cautelar para utilizar o defensor, mas a decisão não encerrou a discussão sobre sua elegibilidade.
Agora, com a final marcada para 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai, o Flamengo espera que a situação seja resolvida antes da partida. O Estudiantes, por outro lado, demonstra confiança na manutenção da classificação e aguarda a decisão definitiva do tribunal.
A origem da disputa está na contratação do zagueiro pelo Estudiantes. Rojo defendia o Racing, da Argentina, e foi negociado com a equipe de La Plata após um período de desgaste com a direção do antigo clube, presidida por Diego Milito.
O Estudiantes buscava reforçar seu sistema defensivo depois de perder dois titulares, Pírez e Tomás Palacios, suspensos para a primeira partida da semifinal da Libertadores.
Para concretizar a transferência, o clube desembolsou US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões. O acordo também previa bônus de US$ 250 mil, cerca de R$ 1,2 milhão, em caso de classificação à final, e outros US$ 450 mil, equivalentes a R$ 2,2 milhões, se a equipe conquistasse o título.
O problema surgiu porque a janela de transferências argentina havia sido encerrada em 2 de setembro, enquanto Rojo ainda disputou partidas oficiais pelo Racing até 27 daquele mês.
A Associação de Futebol Argentino (AFA) permitiu que o defensor fosse registrado para competições nacionais como substituto do lesionado Gabriel Neves. A autorização, entretanto, não foi suficiente para garantir sua inscrição na Libertadores.
Em 9 de outubro, o Estudiantes solicitou à Conmebol a inclusão do zagueiro na lista de atletas habilitados para a semifinal. Após consultar a Fifa, a confederação recusou o pedido em 14 de outubro e manteve a decisão no dia seguinte.
Segundo o comunicado divulgado pelo Flamengo, a Fifa esclareceu que as regras relativas aos períodos de inscrição também devem ser observadas em transferências nacionais, sem exceções além das expressamente previstas no regulamento.
Diante das negativas da Conmebol, o Estudiantes recorreu à Corte Arbitral do Esporte e conseguiu uma decisão provisória favorável à participação de Rojo. Em 21 de outubro, um dia antes do confronto de volta da semifinal, o CAS autorizou o zagueiro a atuar contra o Flamengo.
A decisão, assinada por Antonio de Quesada, considerou que impedir sua participação poderia comprometer uma oportunidade esportiva relevante, que talvez não voltasse a ocorrer.
O tribunal também avaliou que, naquele momento, permitir a escalação não representaria necessariamente um prejuízo à integridade da competição, especialmente diante das dúvidas apresentadas sobre a aplicação das normas.
Entretanto, a autorização foi parcial. O CAS rejeitou um segundo pedido do Estudiantes, que pretendia obter uma garantia antecipada de que a utilização do defensor não poderia resultar em punições esportivas ou disciplinares.
Esse ponto se tornou central na disputa entre os clubes. O documento ressalta que a rejeição do pedido não significa reconhecer que uma eventual punição seja cabível, e também não representa uma decisão antecipada sobre a legalidade da escalação.
O tribunal esclareceu apenas que não poderia se pronunciar preventivamente sobre sanções hipotéticas e que caberia ao Estudiantes e ao jogador avaliar os riscos de uma decisão definitiva desfavorável.
Assim, Rojo entrou em campo amparado por uma autorização judicial provisória, mas sem uma conclusão definitiva sobre a controvérsia regulatória.
No sábado, 24, dois dias após a eliminação, o Flamengo divulgou uma nota oficial para explicar sua participação na disputa jurídica.
O clube afirmou que não foi responsável por iniciar o processo no CAS. Segundo a versão rubro-negra, foi o próprio Estudiantes que incluiu o Flamengo como parte da ação, em 16 de outubro, por ser o adversário da semifinal.
A direção carioca também declarou que havia informado antecipadamente ao tribunal e à equipe argentina que apresentaria uma reclamação formal caso Rojo fosse utilizado na partida.
Depois da classificação do Estudiantes, o Flamengo protocolou o pedido dentro do prazo previsto no artigo 24.1.b do Código Disciplinar da Conmebol. "Chamado a integrar um processo que não iniciou, o Flamengo agiu apenas para preservar seus direitos", afirmou o clube.
No comunicado, o Rubro-Negro destacou que o Estudiantes tinha conhecimento da possibilidade de questionamento antes de escalar o zagueiro.
"Não se trata de buscar resultado fora de campo. Trata-se de garantir que as regras de uma competição internacional valham igualmente para todos os clubes, de todos os países", acrescentou.
O Flamengo solicitou que a situação seja resolvida antes da final, argumentando que o julgamento poderá ter consequências diretas sobre a definição do representante sul-americano na decisão continental.
A estratégia jurídica do Flamengo também considera casos anteriores de punições aplicadas pela Conmebol a clubes brasileiros por escalação irregular de jogadores.
Um dos episódios utilizados como referência aconteceu na Libertadores de 2018, quando o Santos enfrentou o Independiente, da Argentina, pelas oitavas de final.
Na ocasião, a equipe paulista foi punida pela utilização do meia Carlos Sánchez, considerado irregular. A Conmebol alterou o resultado da partida de ida para uma derrota santista por 3 a 0, o que teve impacto decisivo na eliminação.
Outro precedente envolve a Chapecoense, que perdeu pontos por ter escalado o zagueiro Luiz Otávio sem condições regulamentares de jogo, comprometendo suas chances de avançar na fase de grupos.
O Flamengo também se apoia no artigo 19 do Código Disciplinar da Conmebol. A norma prevê que uma equipe responsabilizada pela escalação indevida de um atleta seja considerada derrotada por 3 a 0.
A direção rubro-negra entende que, caso a irregularidade de Rojo seja reconhecida, a aplicação dessa regra poderia alterar o resultado do confronto de volta e, consequentemente, a classificação à final.
A questão, porém, depende da interpretação jurídica sobre os efeitos da autorização provisória concedida pelo CAS e do julgamento definitivo sobre a elegibilidade do jogador.
Enquanto o Flamengo tenta reverter a eliminação, o Estudiantes sustenta que tomou as medidas necessárias antes de utilizar Marcos Rojo. Presidente do clube argentino, o ex-jogador Juan Sebastián Verón afirmou, em entrevista à Rádio La Red, que a diretoria buscou orientação jurídica antes de apresentar o recurso.
Segundo ele, o advogado Ariel Reck analisou a situação e indicou que havia fundamentos para defender a inscrição do zagueiro. "Em um primeiro momento, com o tema de Marcos, nos assessoramos com Ariel Reck para saber onde estávamos parados e também sabendo primeiro que não queríamos ter nenhum problema", disse.
"Se ele tivesse nos dito que isso não era válido, não teríamos feito nada", declarou. Verón ressaltou que o CAS autorizou a participação do atleta e afirmou não acreditar que a equipe corra o risco de perder a classificação.
"Estamos à espera da resolução definitiva do CAS, não sabemos quando será realizado, se antes ou depois da final. O importante é que ele foi habilitado pelo CAS. E sobre o que se defina para frente, nós não corremos riscos de não jogar a final", afirmou.
A declaração contrasta com a interpretação apresentada pelo Flamengo, que considera possível uma punição esportiva ao Estudiantes. Apesar da confiança do dirigente argentino, a decisão definitiva do tribunal ainda não foi divulgada.
O assunto também chegou à comissão técnica rubro-negra, e depois da vitória do Flamengo por 3 a 2 sobre o Atlético-MG, pelo Campeonato Brasileiro, na última segunda-feira, 26, o treinador Leonardo Jardim foi questionado sobre a possibilidade de disputar a final da Libertadores.
O português afirmou acreditar em uma solução favorável ao clube, mas evitou aprofundar a discussão: "Eu acredito que é possível, mas essa situação está no departamento jurídico e eu não vou me alongar".
Nos bastidores, a expectativa da direção rubro-negra está concentrada no julgamento do CAS e em seus possíveis desdobramentos na Conmebol. Já o Estudiantes mantém o planejamento para enfrentar o Palmeiras e não demonstra preocupação pública com uma eventual mudança na classificação.
A disputa envolve duas questões relacionadas, mas distintas: a validade da inscrição de Marcos Rojo na Libertadores e a possibilidade de aplicação de consequências esportivas pela utilização do defensor.
A decisão cautelar do CAS permitiu que o jogador participasse da semifinal, mas não solucionou definitivamente a controvérsia.
Caso o tribunal conclua que Rojo estava regularmente habilitado, o principal argumento da reclamação rubro-negra perderá força.
Se a decisão final considerar a inscrição irregular, a discussão poderá avançar para a aplicação das punições previstas no regulamento da Conmebol, incluindo o pedido de alteração do resultado apresentado pelo Flamengo.
A possibilidade de uma punição, entretanto, não é automática. O próprio documento do CAS ressalta que a ausência de proteção antecipada contra sanções não representa reconhecimento de que elas sejam juridicamente cabíveis.
A data do julgamento definitivo ainda não foi anunciada. Por enquanto, o Estudiantes permanece oficialmente classificado para enfrentar o Palmeiras na final da Libertadores, marcada para 28 de novembro, em Montevidéu.
O Flamengo continua eliminado pelo resultado de campo, mas mantém uma reclamação jurídica em andamento na tentativa de alterar o desfecho da semifinal.