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Dez dias depois de ter se transformado em estrela da virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais, o deputado federal André Janones (Rede-MG) aposta em outra transformação, agora na tabela do Brasileirão.
Independentemente do Flamengo, Janones aposta que o Palmeiras pode terminar a campanha à frente do rubro-negro: "Minha experiência em viradas não vem das eleições. Aprendi com o Palmeiras."
Nascido em Ituiutaba, no pontal do Triângulo Mineiro, filho de pai atleticano e criado por um cruzeirense, Janones conta que se tornou palmeirense aos 9 anos de idade. Abaixo, explica por que acredita na virada:
PVC - Eu li que você era palmeirense, por sua relação com Uberlândia, mas você é Ituiutaba. Como virou palmeirense?
JANONES - Eu nunca morei em Uberlândia. Sou de Ituiutaba e depois vivi em Belo Horizonte. Meu pai de criação era cruzeirense, mas não interferia no time da gente. Meu pai biológico, atleticano. Virou palmeirense em 1993, na campanha do título brasileiro. Eu tinha 9 anos.
PVC - E como era essa relação à distância?
JANONES - Eu não digo que era torcedor. Eu era doente! Quando o Palmeiras perdeu a final da Copa Mercosul, em 1999, eu fiquei muito mal. Minha mãe me proibiu de ver futebol. E olha que o time vinha de muitas vitórias, tinha conquistado a Libertadores naquele mesmo ano. Fui assim até aquela queda de 2012. Numa época, mais tarde, eu e um amigo decidimos que a gente tinha de torcer por um time de Minas. Fomos ao estádio ver o Atlético. Mas quando o Atlético entrou em campo, sabe o que é não sentir nada? Aí eu percebi que esse negócio de futebol, a gente não explica. Não se escolhe. A gente sente, só.
PVC - Qual era seu ídolo?
JANONES - O jogador com que eu mais me identificava era o Edmundo. O que mais me marcou. Uma decepção que eu tive foi quando vi o Marcos, meu ídolo, me criticando nas redes sociais. É democrático. Fiquei chateado.
PVC - Você diz que seu sonho era ser técnico?
JANONES - Eu queria. Com uns 14 anos, todo garoto sonha ser jogador de futebol. Eu queria ser ser técnico. Meu ídolo era o Vanderlei Luxemburgo. Eu achava muito impactante aquele negócio de ele descer para o vestiário depois que o título já estava garantido. Era como se ele dissesse: eu já fiz minha parte. Executei minha missão. De certa forma, a campanha recente era a mesma coisa. Eu queria ser técnico. Era isso quando eu dizia: 'segue o que eu estou falando que nós vamos ganhar.' As pessoas se surpreenderam com a virada e se surpreendem com o fato de eu ser palmeirense. Mas minha habilidade para as viradas vem do Palmeiras, antes da política.