Voltar
O Juventude está a passos largos de confirmar o seu retorno à elite do futebol nacional. A apenas duas rodadas do encerramento da Série B, o Alviverde depende exclusivamente de suas forças para reingressar no grupo dos 20 maiores clubes do país — uma realidade vivenciada na temporada de 2025 e que representou um salto histórico de patamar administrativo, financeiro e desportivo dentro e fora do Estádio Alfredo Jaconi.
Muito além da visibilidade e do prestígio esportivo, a vaga na Série A transforma de forma radical o patamar financeiro da instituição. No início de 2026, sob o impacto direto da queda de divisão, a diretoria alviverde precisou aprovar um orçamento enxuto de R$ 39 milhões. Deste montante, R$ 26 milhões foram destinados ao departamento de futebol profissional, enquanto o restante dividiu-se entre as categorias de base (R$ 3,8 milhões), patrimônio e infraestrutura (R$ 3,5 milhões) e futebol feminino (R$ 1,5 milhão). A receita do ano também sentiu a ausência de um patrocinador máster no uniforme, uma vez que as propostas comerciais recebidas não atingiram a valorização pretendida pelo clube.
A queda para a Série B representou uma perda orçamentária bruta imediata na casa dos R$ 80 milhões em comparação ao ano anterior. Contudo, a capacidade competitiva mantida pelo Juventude em 2026 só foi possível graças ao rigor fiscal praticado na Série A de 2025.
Naquele ano, o Papo registrou o maior faturamento de sua história até então — expressivos R$ 140,3 milhões —, o que permitiu amortizar R$ 14 milhões em dívidas de curto prazo, expandir o patrimônio em R$ 9,3 milhões, elevar os investimentos no futebol em 13,5% e encerrar a temporada sem contrair um único empréstimo bancário.
De quebra, o clube fechou o exercício de 2025 com o segundo maior superávit de sua trajetória (atrás apenas dos R$ 34 milhões obtidos em 2024), acumulando um "colchão financeiro" de R$ 25,5 milhões em caixa para bancar parte da Série B.
Com o retorno iminente à Série A, a projeção da diretoria é obter novamente uma receita bruta superior a R$ 140 milhões em 2027, impulsionada pelo reajuste automático nos contratos de transmissão televisiva.
— Comparando com a nossa última participação, a cada ano há um reajuste de 10% nesse contrato de transmissão. Portanto, teríamos um valor pelo menos 20% superior ao que recebemos quando estivemos na Série A em 2024 — explicou o presidente Fábio Pizzamiglio, em recente entrevista ao programa Show dos Esportes, da Rádio Gaúcha Serra.
O mandatário alviverde ressaltou que o acesso é vital para a manutenção da infraestrutura de ponta mantida no Jaconi e ampliar a estrutura:
— Sabemos que o Juventude possui um tamanho, uma estrutura e um custo operacionais voltados para a Série A. Fizemos um colchão financeiro nos anos de elite para realizar uma Série B forte. Sem esse colchão, a situação ficaria complicada. Precisamos subir para manter todo esse nível, pois mantivemos a estrutura e o staff de Série A para disputar a B. Se não subirmos, será difícil sustentar essa estrutura —alertou Pizzamiglio.
O reingresso na Série A também poderá viabilizar projetos estruturais históricos idealizados por Fábio Pizzamiglio em seu último ano de mandato à frente do Alviverde.
— Eu gostaria de ter disputado uma competição internacional e de ter feito melhorias de maior porte no Estádio Alfredo Jaconi. Gostaria, pelo menos, de deixar encaminhado o projeto da ferradura sul, fechando aquele setor com camarotes e cobertura — revelou o presidente.
Conseguindo carimbar o passaporte para a Primeira Divisão, o Juventude atingirá a sua melhor condição administrativa em 113 anos de história. O clube zerou completamente seus débitos parcelados com a União, tendo quitado mais de R$ 6 milhões em passivos fiscais. Sem dívidas tributárias e com certidões negativas em dia, o Papo terá um poder de investimento em contratações um pouco maior.
Para completar o cenário promissor, os clubes da Série A ingressam em etapas avançadas da Copa do Brasil, competição que teve seu contrato de direitos de transmissão renovado pela CBF pelo valor recorde de R$ 4 bilhões para o ciclo 2027-2030 (um salto de 80% em relação ao contrato anterior).
Desta forma, a somatória das cotas de TV reajustadas, o ingresso de um novo patrocinador máster, a alavancagem do quadro social, as premiações da Copa do Brasil e a solidificação de venda de atletas projetam para 2027 o maior orçamento de toda a história do Juventude, podendo superar a barreira dos R$ 150 milhões.